O estilo lúdico do traço de Marcelo Cipis
O estilo lúdico do traço de Marcelo Cipis
Pelas mãos do irmão Milton, também desenhista, Marcelo Cipis começou, aos 18 anos, a trabalhar com ilustração. "Literalmente, meu irmão fez um teste comigo. Ele me disse: 'desenha uma onça'. Eu desenhei e fui 'contratado'".
Cipis desenha desde criança, mas ao lado do irmão é que o hobby tornou-se profissão com dedicação integral. "Começamos a fazer um trabalho de livros de pano para crianças. Mas não deu certo, e fomos para a revista Recreio , da Editora Abril. Inicialmente, fiz ilustrações mais para jornais e revistas", conta o ilustrador, que trabalhou para publicações como Playboy , Claudia e Quatro Rodas .
O início da carreira sem pretensões levou a uma paixão que já dura 30 anos. O fundamento de sua arte é o prazer lúdico, com liberdade total de criação; ele esbarra apenas nos próprios limites. Instigado a definir seu estilo, Cipis é lacônico: "a resposta está na pergunta, é um estilo definido".
Mistura de influências de ícones como Ziraldo, J. Carlos e Pushpin Estúdios, o ilustrador "pôs no liquidificador uma série de coisas", para desenvolver um traço com personalidade: "quem me conhece, bate o olho e já sabe que é meu".
|
Ele conta que demorou entre 20 e 25 anos "fazendo, errando, fazendo por cima, apagando" para definir um estilo e criar uma maneira própria de representar a figura humana. "Até decidir que um risquinho pode ser um nariz, tem que ter um pouco de auto-estima. Chegou uma hora que eu decidi que isso é nariz e acabou".
O treino fez com que Cipis chegasse a um desenho simples, definido e limpo. "Tem uma certa maturidade, coisas definidas. Quando tentava descobrir se era um nariz ou não, sofria muito. Eu tinha muitas dúvidas, e é bom curtir um pouco. Gosto das coisas que faço hoje, elas saem de uma maneira mais fácil para mim".
|
Vencedor do Prêmio Jabuti e do Prêmio Abril de Jornalismo pela capa do livro "Como água para chocolate", ele lembra as dificuldades enfrentadas no início da carreira: "Uma coisa séria que me marcou foi quando me disseram numa redação de revista para eu fazer outra coisa, porque era impossível viver de ilustração no Brasil. Nunca ouvi o conselho, resolvi continuar, pois a perseverança é o que vale".
Paralelamente ao trabalho como ilustrador, ele cursou a Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (USP). Após formar-se, em 1982, viajou pela Europa e lá resolveu iniciar a carreira de artista plástico, com interesses voltados para pintura, desenho e experiências no campo tridimensional.
|
Ele participou da XXI Bienal de São Paulo em 91, da Bienal de Havana em 94 e da exposição Brazilian Contemporary Art no Japão em 93. Hoje, entre outros projetos, trabalha com uma agência de ilustradores em Nova York. No entanto, está longe de se considerar um profissional realizado do ponto de vista técnico. "Apesar de já trabalhar com isso há 30 anos, ainda falta muito".






