O encontro, por Silvia Bessa
Para mim, visitar o interior e escrever matérias sobre o que vejo e vivo é como voltar ao centro de mim mesma. Nasci em Recife, capital pern
Atualizado em 04/08/2014 às 14:08, por
Silvia Bessa.
Crédito:Leo Garbin ambucana, e não tenho familiares com casa ou sítio em pequenos municípios. Sou urbana, e sei disso porque não cogito férias com recesso total, relaxamento e silêncio absoluto por longo tempo.
Gosto de ter a opção de viver ou não no caos da cidade grande e de tudo que a cerca. Entretanto, viajar para o Sertão do Nordeste ou qualquer outro interior no Brasil ou fora dele – como fiz em muitas ocasiões por força do exercício profissional – significa um reencontro com a genuinidade. Por isso, continuo sugerindo pautas para longe da redação do jornal onde trabalho.
Busco recalibrar minha reserva de valores, e acho que não só para a vida pessoal. Para o jornalismo, creio ser esse um bom caminho. Do interior, tenho o prazer de guardar fotografias imaginárias das pequenas vivências. É meu oxigênio, ainda que sirva para escrever sobre temas metropolitanos. O repórter, a meu ver, deve sempre buscar alguma fonte de inspiração, ar “para ficar pensando melhor”, como diria a música de Chico Science & Nação Zumbi. Na casa da amiga bem ali no bairro vizinho, ou num passeio despretensioso com as crianças numa manhã de domingo.
Pode ser conversando com o pai, mãe ou desconhecido. Na leitura de um livro. Ou vagando por aí, sozinho. De preferência, por onde haja gente (ou trate de). Vale ir a qualquer lugar (mesmo que a volta seja íntima), contanto que seja ele interessante o suficiente para lhe encher os pulmões.
Lembro que há alguns dias fui conversar com uma família na zona rural de Buíque, cidade do meu estado, paupérrima segundo as frias estatísticas do IBGE. A entrevista que eu fazia com o pai foi interrompida três vezes, porque os gêmeos Artur e Heitor (de três anos) queriam lhe mostrar o sapo engolindo a borboleta.
Não fui acompanhar os meninos no jardim de areia amarela. Me arrependi. Perdi um acontecimento, tão banal e, ao mesmo tempo, tão simbólico. Poucas horas depois, fiquei irritada com minha inércia, porque sei que aquele fato me fez escrever melhor a matéria que trataria sobre o conceito de nação e a paixão de pobres e ricos pelo Brasil.
E me fez voltar de Buíque com uma recarga extra. Nessa viagem (é sempre assim), pequena em trajeto, enchi um galão de pautas sobre diferença de vida entre cotidiano na cidade e no interior; sobre tecnologia, consumo. Sobre o banal. Quando volto a observar mais lentamente o mundo que gosto de historiar, sinto que a renovação do ar está no assistir à trivialidade do cotidiano das pessoas. Acho que é assim para aqueles que, como eu, procuram escrever a respeito de temas sociais e sobre gente.

Gosto de ter a opção de viver ou não no caos da cidade grande e de tudo que a cerca. Entretanto, viajar para o Sertão do Nordeste ou qualquer outro interior no Brasil ou fora dele – como fiz em muitas ocasiões por força do exercício profissional – significa um reencontro com a genuinidade. Por isso, continuo sugerindo pautas para longe da redação do jornal onde trabalho.
Busco recalibrar minha reserva de valores, e acho que não só para a vida pessoal. Para o jornalismo, creio ser esse um bom caminho. Do interior, tenho o prazer de guardar fotografias imaginárias das pequenas vivências. É meu oxigênio, ainda que sirva para escrever sobre temas metropolitanos. O repórter, a meu ver, deve sempre buscar alguma fonte de inspiração, ar “para ficar pensando melhor”, como diria a música de Chico Science & Nação Zumbi. Na casa da amiga bem ali no bairro vizinho, ou num passeio despretensioso com as crianças numa manhã de domingo.
Pode ser conversando com o pai, mãe ou desconhecido. Na leitura de um livro. Ou vagando por aí, sozinho. De preferência, por onde haja gente (ou trate de). Vale ir a qualquer lugar (mesmo que a volta seja íntima), contanto que seja ele interessante o suficiente para lhe encher os pulmões.
Lembro que há alguns dias fui conversar com uma família na zona rural de Buíque, cidade do meu estado, paupérrima segundo as frias estatísticas do IBGE. A entrevista que eu fazia com o pai foi interrompida três vezes, porque os gêmeos Artur e Heitor (de três anos) queriam lhe mostrar o sapo engolindo a borboleta.
Não fui acompanhar os meninos no jardim de areia amarela. Me arrependi. Perdi um acontecimento, tão banal e, ao mesmo tempo, tão simbólico. Poucas horas depois, fiquei irritada com minha inércia, porque sei que aquele fato me fez escrever melhor a matéria que trataria sobre o conceito de nação e a paixão de pobres e ricos pelo Brasil.
E me fez voltar de Buíque com uma recarga extra. Nessa viagem (é sempre assim), pequena em trajeto, enchi um galão de pautas sobre diferença de vida entre cotidiano na cidade e no interior; sobre tecnologia, consumo. Sobre o banal. Quando volto a observar mais lentamente o mundo que gosto de historiar, sinto que a renovação do ar está no assistir à trivialidade do cotidiano das pessoas. Acho que é assim para aqueles que, como eu, procuram escrever a respeito de temas sociais e sobre gente.






