O direito de ler - por Nataly Malagon Franco / PUC Campinas (SP)
O direito de ler - por Nataly Malagon Franco / PUC Campinas (SP)
Atualizado em 14/02/2005 às 14:02, por
Nataly Malagon Franco.
O verbo ler não suporta o imperativo. Aversão que partilha com alguns outros: o verbo amar...o verbo sonhar...Bem, é sempre possível tentar, é claro. Me ame, sonhe, leia! Leia logo, que diabo, eu estou mandando você ler. Vá para seu quarto e leia. Resultado? Nulo. Ele dormiu em cima do livro. O que afasta uma criança ou um adolescente da leitura de um livro não é só a televisão, o mundo fascinante dos videogames e das compras nos shopping centers, mas assim a obrigação. A partir do momento em que o livro é dever, tudo contribui para afastar o jovem da tarefa. A espessura intransponível das páginas, a falta de diálogos do texto, a distância cronológica dos personagens.
Ao começar a ler as obras de Shakespeare tive a mera impressão de que me fez cativo dele por toda a vida. O grande escritor brasileiro Machado de Assis resume em poucas palavras a genialidade de Shakespeare: "Um dia, quando já não houver império britânico nem república norte-americana, haverá Shakespeare, quando não se falar inglês, falar-se-á Shakespeare".
Ler tornou-se algo fundamental. É primordial para refletir, produzir textos, questionar, relatar e indubitavelmente escrever melhor. Infelizmente vivemos num país onde a leitura não é desenvolvida, questionada e valorizada. Lemos muito pouco e quando lemos, às vezes, é por pressão, obrigação.
Quiçá as escolas, tanto públicas quanto particulares incentivassem os alunos desde crianças à prática da leitura, transformando as inabitadas bibliotecas em um dos locais mais procurados e valorizados da escola. Será uma utopia imaginar que um dia, no Brasil, a leitura se tornará primordial? Imaginar que um dia as obras, não só de Shakespeare mas de autores brasileiros, poderão ser lecionadas nas escolas?
Quando abri o livro Hamlet, de Shakespeare e comecei a lê-lo, ao me deparar com tal dilema, quis jogar tudo para o alto - por mais que eu o admire- fiquei confusa com suas dúvidas(ser ou não ser, eis a questão?!!), suas loucuras...Percebi que o dilema enfrentado por Hamlet é, num certo sentido, o mesmo dilema enfrentado pelos homens civilizados em geral. Será que posso sonhar com um futuro em que as próximas gerações terão interesse maior pela leitura? Sonhar ou não sonhar? Eis a questão!






