O Direito ao Exercício da Profissão / Por Erika Pereira - IMES (SP)

O Direito ao Exercício da Profissão / Por Erika Pereira - IMES (SP)

Atualizado em 29/06/2005 às 12:06, por Erika Pereira e  estudante de jornalismo da Universidade Municipal de São Caetano / SP.

Por Já faz algum tempo que uma pergunta não quer calar, o jornalista para exercer sua profissão necessita realmente de um diploma universitário?

Estudantes e profissionais se preocupam com o futuro da profissão e da qualidade das informações que são levados para milhões de brasileiros, através de jornais, revistas, rádio e Internet.

Essa semana uma notícia aliviou muitos estudantes que se esforçam para pagar uma faculdade de jornalismo, que modéstia parte não é um dos cursos mais baratos. O procurador-geral da República, Cláudio Fonteles, emitiu parecer favorável à exigência do diploma para o registro profissional de jornalista.

O procurador enviou o parecer para o Supremo Tribunal Federal, recorrendo do recurso da advogada Mariza Baston de Toledo, que vem pleiteando a não obrigatoriedade do diploma de curso superior em jornalismo.

Não podemos admitir essa discriminação contra o curso de jornalismo, pois os alunos que o faz necessitam de uma base teórica, tanto quanto qualquer outro profissional e que para adquiri-la o melhor caminho ainda é a freqüência a Universidade.

Com o diploma de jornalismo a sociedade pode confiar e cobrar de nossos profissionais ética e uma prática mais qualificada das informações. Muito se admira que a própria mídia levante questões como essas, já que os profissionais que já estão no mercado deveriam sim, lutar pela qualidade e reconhecimento digno da profissão.

Por mais que a pessoa conheça muito bem o jornalismo e o exerce há muitos anos, uma base teórica e humanística seria imprescindível para ajudá-la no complemento da formação profissional.

Nós sabemos que diversos especialistas hoje em dia nas mais diversas áreas do saber utilizam-se dos meios de comunicação para levar informações a milhares de pessoas, como advogados, médicos, historiadores, entre outros, isso não quer dizer que são jornalistas e que precisam de diploma para passar uma informação com mais qualidade. A questão é, levar maior comprometimento não só aos jornalistas, mas sim aos donos dos veículos de comunicação que muitas vezes se acham os donos do mundo e nem qualificados são.

O profissional de jornalismo acima de tudo tem grande responsabilidade pelos acontecimentos que são levados através da informação, que é a sua principal ferramenta de trabalho. Somente o conhecimento acadêmico, a formação universitária poderá proporcionar uma condição de entendimento das relações sociais. O curso é muito mais que texto e técnicas de como escrever bem, se assim fosse, um curso básico de no máximo um ano resolveria o problema.

Muito ainda temos para discutir sobre esse assunto, mas alguns órgãos ligados a área de jornalismo fazem a sua parte e estão na briga pela obrigatoriedade do diploma, é o caso da FENAJ - Federação Nacional dos Jornalista e o Sindicato dos Jornalistas do Estado de São Paulo são exemplos de instituições que interessada no processo da exigência de diploma de graduação em jornalismo lutam pela concessão do registro profissional.

Essa briga com a profissão de jornalista já vem de muito tempo e teve três marcos iniciais: a primeira regulamentação foi em 1938, com a fundação da Faculdade Cásper Líbero, em 1947 foi criado o primeiro curso de jornalismo do Brasil e o reconhecimento da necessidade de formação superior em 1969.

Com esse reconhecimento a profissão de jornalista começa a ganhar espaço na mídia, como jornal e rádio, principais veículos de comunicação jornalística na década de 50 e 60.

Mais um ponto a favor da obrigatoriedade do diploma para os jornalistas é que com o avanço da tecnologia o profissional de hoje tem que ser multimídia, quer dizer, conhecer um pouco de toda a rotina de produção de um jornal e estar preparado para ser pauteiro, revisor, editor, repórter, planejador gráfico e tudo mais que um veículo de comunicação possa precisar, estar preparado para falar de qualquer assunto seja política, economia, entretenimento, etc, a reciclagem ainda é a melhor maneira de um profissional se manter no mercado de trabalho. E é na universidade que o profissional adquiri essa visão de mundo.

É por isso que o curso de jornalismo busca levar aos seus futuros profissionais aspectos às sociedades e a complexidade tecnológica que nos envolve, incluindo procedimentos éticos e específicos. É na universidade que o profissional terá contato com vários veículos como tv, rádio, web e outros para assim estar preparado para atuar em quaisquer instituições, setores ou funções.

Por isso, a obrigatoriedade do diploma nada mais é que o interesse e a busca pela boa qualidade dos trabalhos que são prestados hoje em dia para a sociedade no geral.

A Fenaj defende a formação profissional em cursos de jornalismo de graduação com quatro anos e, no mínimo, 2.700 horas-aula, como já apontavam as diretrizes curriculares aprovadas após inúmeros debates e congressos na área. A formação em Jornalismo, que deve ser constante e aprimorada durante toda a vida, é a base inicial para o exercício regulamentar da atividade.

Jornalismo é muito mais que um bom texto e percepção é instinto.