“O desafio de hoje é não cair no jogo das patrulhas politicamente corretas”, diz Salles

O cartunista Diogo Salles começou sua carreira como webdesigner, no que ele classifica como “período jurássico da internet”. Sua função era fazer logos, sites, ilustrações e um pouco de tudo.

Atualizado em 22/06/2012 às 12:06, por Luiz Gustavo Pacete.

Em 2007, Salles entrou no Jornal da Tarde , onde está desde então.
Diogo Salles Desde 2010, inaugurou um blog onde arquiva toda sua obra. O gancho, à época, foi a Copa do Mundo e o ano eleitoral. No entanto, Salles destaca as dificuldades encontradas em seu ofício. “A formação de um cartunista é um somatório de coisas: empregos ruins, inadequação as leis do meio corporativo, habilidade para desenhar, o olhar satírico, visão de mundo sarcástica e desapegada das coisas”, pontua.
Diogo Salles Apesar das dificuldades, ele ressalta o compromisso do cartunista com o leitor. “O foco é sempre mostrar ao leitor uma visão diferente - mais debochada, direta, sem rodeios - dos fatos políticos. Muitos acham que precisam concordar com o que está ilustrado ali, mas às vezes nem mesmo o próprio artista concorda”.

Diogo Salles
Segundo Salles, o maior desafio atual de um cartunista é não ser vítima do politicamente correto. “E não cair no jogo das patrulhas politicamente corretas e, ao mesmo tempo, não tomar o atalho da baixa polêmica”.

Diogo Salles
Diariamente, Salles busca uma identidade própria, algo que ele considera mais importante como diferencial. “Acho que eu já tenho um traço reconhecível pelo leitor, mas ainda não consegui transformá-lo numa marca, como fizeram, por exemplo, o Angeli ou Loredano”. Por fim, o cartunista ressalta que sempre teve em mente que seu dever era não somente criticar o PT ou o PSDB, mas a atitude desonesta de suas militâncias.