O caso grafite - Por Juliana Bevilaqua dos Santos / UCS (RS)

O caso grafite - Por Juliana Bevilaqua dos Santos / UCS (RS)

Atualizado em 18/04/2005 às 11:04, por Juliana Bevilaqua dos Santos e  aluna do curso de jornalismo da Universidade Caxias do Sul.

Por Treze de abril de 2005, quarta-feira. Noite de futebol na telinha "daquela" emissora. São Paulo e Quilmes ,time da Argentina, jogam pela Copa Libertadores. A equipe brasileira vence por 3 a 1. Até aí, nada demais, se não fosse o episódio que manchou a partida e rendeu ao jogador do Quilmes, Leandro Desábato, duas noites na cadeia. Durante o jogo, o argentino agride verbalmente Grafite, jogador do São Paulo, chamando-o de "macaco" e "negrito". O brasileiro, sentindo-se humilhado, denunciou Desábato. O fato causou rebuliço e diversas declarações de repúdio à atitude racista do jogador do, até então desconhecido, Quilmes.

O que aconteceu naquela noite foi uma clara demonstração da cultura preconceituosa que internalizamos e reproduzimos no nosso dia-a-dia. O argentino, com certeza, deve ter estudado nos bancos escolares, a menos que nunca tenha freqüentado uma instituição de ensino, os 300 anos de escravidão negra em nosso continente. É lamentável que na mesma semana em que o presidente brasileiro, em visita à África, pediu desculpas pela escravidão, um jogador, da equipe de um país vizinho, ofenda seu "hermano" como se a condição de sua pele o tornasse inferior. Pior ainda, pois estamos em plena campanha mundial contra a discriminação no futebol.

A atitude de Grafite foi correta. Mesmo com a afirmação de Maradona, de que "Grafite não foi o primeiro, nem será o último jogador a ser ofendido", o jogador fez o que devia ser feito. Grafite não é a única vítima de preconceito que se tem notícia. Meu pai mesmo foi chamado de negro durante uma partida de amadores. Ele, quem nem é tão negro assim, foi xingado por não ser "branco puro". Todos os dias, alguém é xingado e caçoado devido sua cor, credo ou ideologia. Mas talvez, se mais pessoas denunciarem a discriminação, não presenciaremos e, tampouco seremos vítimas de atitudes de total desrespeito.