O caso Forell
O caso Forell
Atualizado em 24/03/2010 às 16:03, por
Silvia Dutra.
O Serviço Secreto americano está investigando dois usuários da rede social Twitter que convocaram internautas a assassinar o presidente Barack Obama. As mensagens apareceram na Internet domingo, antes mesmo do Congresso aprovar o pacote de medidas que vai mudar o sistema de saúde.
"Assassinato!. América, nós sobrevivemos ao assassinato de Lincoln e de Kennedy. Superaremos também uma bala na cabeça do Obama", escreveu o usuário Solomon "Solly" Forell, que se identifica como um blogueiro conservador, escritor de ficção e fazendeiro. Minutos após, o mesmo Forell escreveu que "o americano que tenha uma boa mira deve derrubar Obama como se ataca um mau hábito. Esqueça os Negros e ele mesmo que se diz Negro. Entregue Barack Obama".
Outro usuário do Twitter, posteriormente identificado como Jay Martin, escreveu que "Barack Obama deve ser assassinado " e garantiu que "se eu morasse em Washington atiraria nele eu mesmo". Detalhe: Jay Martin e Solly Forell são negros, como Obama.
Na manhã de segunda feira, horas após essas mensagens aparecerem no Twitter, Martin tinha 1.575 seguidores e Forell apenas 321, números modestos pelos padrões do site . Assim que o assunto passou a ser divulgado em blogs e ganhou a atenção da grande imprensa, Martin e Forell tentaram consertar o estrago ao perceber que provavelmente seriam objetos de investigação por órgãos federais.
Forell escreveu: "muitos, inclusive eu mesmo, usamos linguagem não apropriada. Vamos abandonar a retórica dura, vamos manter a civilidade". Jay Martin twittou em maiúscula que "só estava expressando sua raiva, (com a aprovação das reformas no sistema de saúde) mas nunca disse que faria mal ao presidente".
Foi uma tentativa vã e que chegou atrasada. Max Milien, porta voz do Serviço Secreto, declarou ao jornal Daily Finance que as mensagens de ambos no Tweeter seriam investigadas com seriedade. Fazer ameaças ao presidente eleito, seu vice ou qualquer outro oficial eleito capaz de assumir a presidência, é um crime federal passível de punição com multas e uma temporada de até cinco anos na prisão.
Não é a primeira vez que um site social foi usado como plataforma para ameaças ao presidente Obama por causa dessa questão da reforma no sistema de saúde. Em outubro do ano passado um adolescente iniciou na rede de relacionamento Facebook uma pesquisa se Barack Obama deveria ser assassinado. Entre as possíveis respostas estavam : " sim, não, talvez, e sim, se ele acabar com meu convênio médico".
Setecentas e trinta pessoas participaram e responderam até os administradores do Facebook tirarem a pesquisa do ar. E as autoridades levaram poucas horas para identificar o computador e o internauta autor da brincadeira de mau gosto. O caso foi fechado e o adolescente escapou de ser indiciado pelo crime porque investigações feitas pelo Serviço Secreto determinaram que ele não representava nenhuma ameaça séria à segurança do presidente. Foi só uma brincadeira besta por um adolescente irresponsável. O Facebook jamais divulgou o resultado da pesquisa e o assunto morreu sem maiores consequências.
No caso atual é capaz que a coisa renda mais pano pra manga. De acordo com o Google, Solomon Forell é autor de três blogs, todos sobre o atual presidente americano, que ele descreve como "um homem que fez pouca coisa na vida, mas escreveu sobre suas conquistas como se tivesse encontrado a cura para o câncer, depois de ter vencido uma maratona e construído um reator nuclear".
"Barack Obama foi um erro eleitoral americano" ; "Qualquer um, menos Barack Obama 2012" e "A Ousadia da Hype" são os títulos dos três blogs de Forell, esse último sendo um trocadilho com o nome de um dos livros escritos por Obama, "The audacity of hope", ou "A ousadia da esperança". Em todos eles, Forell expressa seu nojo pelo culto à personalidade do presidente e seu desapontamento com a atuação de Obama à frente do Governo. Dentro dos próximos dias ficaremos sabendo se o Serviço Secreto vai encontrar nos blogs de Solomon Forell munição suficiente para ser usada contra ele mesmo.
De qualquer maneira acho que será interessante acompanhar os inevitáveis debates que virão sobre liberdade de expressão, tecnologia e as novas mídias. E talvez colabore para acabar com o falso senso de segurança que o anonimato e o uso de pseudônimos permitem aos usuários desavisados da Internet. I will keep you posted.

"Assassinato!. América, nós sobrevivemos ao assassinato de Lincoln e de Kennedy. Superaremos também uma bala na cabeça do Obama", escreveu o usuário Solomon "Solly" Forell, que se identifica como um blogueiro conservador, escritor de ficção e fazendeiro. Minutos após, o mesmo Forell escreveu que "o americano que tenha uma boa mira deve derrubar Obama como se ataca um mau hábito. Esqueça os Negros e ele mesmo que se diz Negro. Entregue Barack Obama".
Outro usuário do Twitter, posteriormente identificado como Jay Martin, escreveu que "Barack Obama deve ser assassinado " e garantiu que "se eu morasse em Washington atiraria nele eu mesmo". Detalhe: Jay Martin e Solly Forell são negros, como Obama.
Na manhã de segunda feira, horas após essas mensagens aparecerem no Twitter, Martin tinha 1.575 seguidores e Forell apenas 321, números modestos pelos padrões do site . Assim que o assunto passou a ser divulgado em blogs e ganhou a atenção da grande imprensa, Martin e Forell tentaram consertar o estrago ao perceber que provavelmente seriam objetos de investigação por órgãos federais.
Forell escreveu: "muitos, inclusive eu mesmo, usamos linguagem não apropriada. Vamos abandonar a retórica dura, vamos manter a civilidade". Jay Martin twittou em maiúscula que "só estava expressando sua raiva, (com a aprovação das reformas no sistema de saúde) mas nunca disse que faria mal ao presidente".
| Reprodução |
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Foi uma tentativa vã e que chegou atrasada. Max Milien, porta voz do Serviço Secreto, declarou ao jornal Daily Finance que as mensagens de ambos no Tweeter seriam investigadas com seriedade. Fazer ameaças ao presidente eleito, seu vice ou qualquer outro oficial eleito capaz de assumir a presidência, é um crime federal passível de punição com multas e uma temporada de até cinco anos na prisão.
Não é a primeira vez que um site social foi usado como plataforma para ameaças ao presidente Obama por causa dessa questão da reforma no sistema de saúde. Em outubro do ano passado um adolescente iniciou na rede de relacionamento Facebook uma pesquisa se Barack Obama deveria ser assassinado. Entre as possíveis respostas estavam : " sim, não, talvez, e sim, se ele acabar com meu convênio médico".
Setecentas e trinta pessoas participaram e responderam até os administradores do Facebook tirarem a pesquisa do ar. E as autoridades levaram poucas horas para identificar o computador e o internauta autor da brincadeira de mau gosto. O caso foi fechado e o adolescente escapou de ser indiciado pelo crime porque investigações feitas pelo Serviço Secreto determinaram que ele não representava nenhuma ameaça séria à segurança do presidente. Foi só uma brincadeira besta por um adolescente irresponsável. O Facebook jamais divulgou o resultado da pesquisa e o assunto morreu sem maiores consequências.
No caso atual é capaz que a coisa renda mais pano pra manga. De acordo com o Google, Solomon Forell é autor de três blogs, todos sobre o atual presidente americano, que ele descreve como "um homem que fez pouca coisa na vida, mas escreveu sobre suas conquistas como se tivesse encontrado a cura para o câncer, depois de ter vencido uma maratona e construído um reator nuclear".
"Barack Obama foi um erro eleitoral americano" ; "Qualquer um, menos Barack Obama 2012" e "A Ousadia da Hype" são os títulos dos três blogs de Forell, esse último sendo um trocadilho com o nome de um dos livros escritos por Obama, "The audacity of hope", ou "A ousadia da esperança". Em todos eles, Forell expressa seu nojo pelo culto à personalidade do presidente e seu desapontamento com a atuação de Obama à frente do Governo. Dentro dos próximos dias ficaremos sabendo se o Serviço Secreto vai encontrar nos blogs de Solomon Forell munição suficiente para ser usada contra ele mesmo.
De qualquer maneira acho que será interessante acompanhar os inevitáveis debates que virão sobre liberdade de expressão, tecnologia e as novas mídias. E talvez colabore para acabar com o falso senso de segurança que o anonimato e o uso de pseudônimos permitem aos usuários desavisados da Internet. I will keep you posted.






