O Caos Espacial e o Terrestre (da informação)
O Caos Espacial e o Terrestre (da informação)
O inédito acontecimento desta segunda-feira, a colisão cósmica ocorrida com quatro galáxias, incitou-me alguma análise, que proponho a seguir.
Devido ao fenômeno espacial ocorrido, um dos maiores que se tem notícia na história da astronomia, o cosmos recebeu milhares de novas estrelas, formadas em conseqüência das quatro galáxias repartidas. A foto (reproduzida abaixo) mostra a multidão de luzes criadas. Quando me deparei com a imagem, o impacto foi imediato: preciso escrever. Agora. Não exatamente sobre esta informação que ganhou poucos noticiários, mas sobre como nos sentimos diante de todas as informações ao nosso redor - informações tão numerosas quanto as novas estrelas que as ex-galáxias formaram.
A curiosa foto revela novas transformações espaciais e, de alguma forma, representa as transformações terrestres também: o caos em que vivemos hoje, com colisões acontecendo por todos os lados. Tal cenário, já apontado há muito por estudiosos como Zigmunt Bauman, fala sobre o mal estar da pós-modernidade, e a informação é uma das suas principais responsáveis, lançada em milhares no nosso dia-a-dia.
Enquanto a internet propicia o saber on-line e a interação como seus grandes êxitos - que resulta na oportunidade de estarmos trocando aqui idéias e relatos - também colabora para as colisões do conhecimento, se posso chamar assim. Tais as estrelas foram jogadas ao universo, disparamos e recebemos incontáveis notícias. Como selecionar e, o principal, armazenar todas elas no nosso cérebro que, até a ciência provar o contrário, continua com a mesma capacidade minúscula de uso e conseqüente absorção?
Talvez nós saibamos onde pesquisar e como analisar tais informações. O grande público, porém, entregue ao bombardeio de tantas opções, sente-se perdido. Na verdade, eu também. Por exemplo: uma reportagem, hoje, pode ser acessada em diversos canais paralelamente e, através de todas suas fontes e olhares, tiramos alguma conclusão. Os maiores acontecimentos do mundo e do país são reproduzidos em centenas de meios e veículos, escritos ou falados por pessoas de todos os cantos.
A colisão acontece, portanto, quando escolhemos várias destas opções para nos informarmos, muitas vezes procuramos mais do que o necessário para estarmos bem informados. E, se clichês como "quantidade não é qualidade" e "menos é mais" valem também para o mundo jornalístico, então precisamos parar. Frear. Equilibrar.
Antigamente já tínhamos os dois lados da moeda. Hoje, são diversos lados de tudo. Possibilidades infinitas abrem-se à frente, sem que nem tenhamos fechado a porta de trás. Talvez esteja, aí, uma possível solução: terminar o que começamos. "O planeta espera que você feche seus ciclos", li em alguma revista algum dia desses. Um fato irônico, mas real, que mostra a prática deste discurso. Guardamos o conteúdo, mas nem sempre geramos conhecimento. Tanto é que me esqueci do autor da frase.
A própria nota que li on-line prova isso tudo. Em dois cliques, me informei sobre o fenômeno cósmico. E me inspirei. Dois passos baseados num só. Quem sabe, tentemos, pelo menos, apagar o anterior para conectarmos o outro. O problema é que a internet não deleta nada. Só soma. A era dos links não permite nos fixarmos, mas nos indica a pularmos sempre para o próximo. De um em um, de milhões em milhões.






