O Brasil visto por dez fotógrafos franceses e brasileiros é tema de livro e exposição
O Brasil visto por dez fotógrafos franceses e brasileiros é tema de livro e exposição
Registros das cidades brasileiras realizados entre a década de 1930 e os dias atuais revelam um país que vai muito além da alegria e do exotismo. "À procura de um olhar - Fotógrafos franceses e brasileiros revelam o Brasil" é uma obra da Imprensa Oficial do Estado de São Paulo e Pinacoteca do Estado. A obra e o evento fazem parte das comemorações do Ano da França no Brasil.
Três fotógrafos franceses, radicados no Brasil da década de 1930, têm importante papel na história da fotografia nacional e do registro fotográfico do país: Marcel Gautherot, Pierre Verger e Jean Manzon. Radicados no Rio de Janeiro, caso de Gautherot e Manzon, ou na Bahia, como fez Verger, eles chegaram a viajar por todo o país e eternizaram uma época que começava a se modificar como efeito do desenvolvimento econômico e da urbanização.
Sem pertencer a esta mesma geração, Claude Lévi-Strauss foi incluído numa homenagem especial: o antropólogo realizou, como parte de sua pesquisa de campo que originaria, entre outros, o livro "Tristes trópicos", registros valiosos dos índios brasileiros. Somaram-se ao projeto mais seis olhares, todos contemporâneos: três outros fotógrafos da França e outros três do Brasil.
Quase um século depois de Lévi-Strauss, Gautherot, Verger e Manzon, eles tiveram o desafio de visitar cidades brasileiras para revelar, cada um de seu jeito, aquilo que depreendem do país. Da França, vieram Antoine D´Agata, Burno Barbey e Olivia Gay. Do Brasil, integraram-se à mostra Luiz Braga, Mauro Restiffe e Tiago Santana, originários do Pará, São Paulo e Ceará, respectivamente.
"Ao reunir os fotógrafos que fazem parte desta mostra, nossa intenção é sinalizar como a história de uma cultura pode ser engrandecida pela presença de irmãos vindos de outras nações e que, no caso brasileiro, por aqui passaram, aqui viveram ou aqui ficaram", afirma Marcelo Mattos Araujo, diretor executivo da Pinacoteca.
No que se refere ao trabalho dos franceses convidados para integrar a mostra, Mattos Araujo diz que a missão não era "descobrir como somos exóticos", mas, sobretudo, para sentir como os anseios e a emoção de um povo, suas dores, seus prazeres, podem se expressar na fotografia". Na outra ponta, os fotógrafos brasileiros conferem outra dimensão à mostra: com eles, "percebemos como os personagens e as cidades que décadas atrás estavam no centro da nossa memória podem, agora, se olhar no espelho do tempo", acrescenta.
O lançamento do livro, com 168 páginas, será no próximo sábado (25), às 11h, na Pinacoteca do Estado.






