O Brasil na revista TIME

O Brasil na revista TIME

Atualizado em 14/10/2010 às 16:10, por Nelson Varón Cadena.

O Brasil na revista TIME

Em 1950 a TIME lançou a Latin American Edition com circulação em 24 países do continente, incluindo o Brasil, onde a revista podia ser adquirida por 6,50 cruzeiros o número avulso, no ponto de venda, ou por 300 cruzeiros a assinatura anual, entregue na residência, através de um boleto quitado no National City Bank da Avenida Rio Branco, Rio de Janeiro. Edição em inglês, semelhante à TIME americana, apenas diferenciada no seu escopo editorial, pela inserção de três a quatro páginas com a vinheta "The Hemisphere", seção produzida pelos correspondentes do magazine nos países de maior porte e em especial pelas agências locais da Associated Press.
A edição latino-americana de TIME era isenta de impostos, através do recurso de enquadramento como correspondência de segunda classe nas repartições dos Correios e Telégrafos de Cuba e México, isenção simples na Argentina e no Brasil e Colômbia, através de uma tarifa especial reduzida para publicações estrangeiras.
Temática diversificada
No que diz respeito às inserções comerciais não há a presença do anunciante regional, de nenhum dos países do continente, seguramente pelo custo-benefício desaconselhável: um reduzido número de leitores X o custo de inserção publicitária. Em relação ao Brasil, no primeiro ano da edição latino-americana, apenas dois reclames de multinacionais americanas se reportam ao nosso país: General Electric anunciando a futura instalação da infra-estrutura para a TV Tupi/Rio e os tratores da Tournapull locados para a construção da estrada Rio-São Paulo.
Quanto ao conteúdo editorial, o Brasil, como o México e a Argentina, pela sua importância estratégica, é assunto de praticamente todas as edições. A TIME destacava temas de interesses os mais diversos como a inauguração do Maracanã, construído ao custo de oito milhões de dólares (O correspondente a mil residências de classe média na Califórnia); os shows da humorista Dercy Gonçalves e da dançarina Luz Del Fuego (matéria ilustrada com a foto da cobra enrolada no corpo); a inauguração do trecho Porto Alegre-Rio de Janeiro pela Panair do Brasi; a festa promovida no Maranhão por Vitorino Freire proprietário do "Diário de São Luiz", com a presença de políticos de expressão nacional e até a movimentação no Clube dos Sargentos com manifestações em prol do partido comunista.
Ao Presidente Getúlio Vargas TIME dispensa um tratamento peculiar. O ex-presidente, antes da eleição e presidente após o pleito eleitoral pela sucessão de Dutra, é sempre chamado de "ditador". Expressão que na época não tinha a mesma carga pejorativa que tem hoje, mas que em todo caso representava um clichê Yankee imputado ao político brasileiro. TIME cobriu as eleições, montou um perfil de cada um dos candidatos e destacou as medidas tomadas pelo "Supreme Electoral Tribunal" formalizando a prisão de Luis Carlos Prestes, sob o argumento de ter veiculado mensagens comunistas na imprensa popular, dias antes do pleito. Getúlio Vargas mesmo eleito pelo povo, continuou a ser enxergado e denominado pelo magazine como "Ditador". Ao que parece sem provocar nenhum desconforto ao Itamaraty.
A edição latino-americana de TIME tratava também de cinema brasileiro, esportes e até assuntos policiais como o tráfico de jacus no Paraná promovido por um certo João Camargo que a revista denominava em português do Brasil, mais claro impossível, de PICARETA. Uma palavra brasileiríssima, mas fora de contexto numa edição destinada ao público latino e no idioma inglês.