“O Brasil está repetindo os mesmos erros”, diz correspondente sueco sobre futebol

Livro do correspondente sueco Henrik Brandão Jönsson descorre como o Brasil usa o futebol para formar a nação

Atualizado em 24/07/2014 às 16:07, por Gabriela Ferigato.

Após ser lançado na Suécia, Dinamarca, Holanda e Inglaterra, o livro “Jogo Bonito – Pelé, Neymar and Brazil’s Beautiful Game (Yellow Jersey Press)”, do correspondente sueco Henrik Brandão Jönsson, chega agora ao Brasil, por ora ainda em inglês.

Jornalista do Dagens Nyheter , maior jornal da Escandinávia, Jönsson começou a produção da obra em 2012 com o objetivo de falar sobre a história do futebol brasileiro e mostrar como o Brasil usa o esporte para formar a Nação.
Crédito:Divulgação Correspondente sueco Henrik Brandão Jönsson fala sobre história do futebol brasileiro em novo livro Ao longo de nove reportagens independentes, ele destaca que uma das mais interessantes, e perigosas, foi uma viagem de ônibus ao lado da torcida corintiana Gaviões da Fiel. A matéria, que faz parte do capítulo ”Democracia Corintiana”, busca saber sobre a relação dos torcedores com o ex-corintiano Sócrates. Segundo o correspondente, muitos o alertaram para não ir, inclusive o próprio assessor de imprensa da torcida, mas ele achou que era exagero.

“Os gaviões queriam me forçar a cheirar cocaína, só falavam coisa de baixo nível. Quando chegamos a Ribeirão Preto (SP), perguntei se eles tinham ingresso e disseram que iam arrumar por lá mesmo. Quando estava próximo do local, eles pararam o ônibus e chegaram a agredir torcedores e cambistas perto do estádio para roubar as entradas Foi uma coisa muito violenta”, conta.

Após meses tentando marcar uma entrevista, Jönsson conseguiu uma brecha na agenda de Galvão Bueno. Neste capítulo, ele discorre sobre a relação da Rede Globo com o futebol brasileiro. O jornalista foi convidado para acompanhar a gravação do programa “Bem Amigos”, em São Paulo, seguido de um jantar regado a bastante vinho.

“A entrevista acabou 4h30 da manhã, bebemos bastante. Teve uma hora que eu perguntei sobre a fama dele [Galvão Bueno] no Brasil e ele respondeu ‘Eu sou o Bono [da banda U2] do Brasil, sou o vocalista’. Agora na revista Veja ele está negando isso, mas disse isso duas vezes. Também perguntei se ele ia se aposentar após a Copa do Mundo e ele apontou o dedo e disse em terceira pessoa: ‘Não, não. Esse papo de Galvão se aposentar é falso, nunca vou me aposentar'”, diz.

Além de Galvão, o livro conta com entrevistas com Romário, Zagallo, Neymar e Jerôme Valke, secretário-geral da FIFA. “Eu acho que essa realmente foi a Copa das Copas, mas falo sobre o futebol. Para o brasileiro foi a pior. Foi a mais cara, a população não podia viajar porque tudo era caro, a Seleção fez uma vergonha. Acho que a seleção [do Brasil] não irá para a Rússia em 2018. Para isso, tem de passar pelo Uruguai, Argentina, Colômbia e ainda mais com o Dunga como técnico. O Brasil está repetindo os mesmo erros”, finaliza.