"O Brasil é o país que conta com mais correspondentes estrangeiros na AL", diz Alicia Martinez Pardies, da ACIE
"O Brasil é o país que conta com mais correspondentes estrangeiros na AL", diz Alicia Martinez Pardies, da ACIE
| Arquivo Pessoal |
| Alicia Martinez Pardies |
Alicia Martinez Pardies, correspondente argentina da Agência ANSA Latina, no Rio de Janeiro (RJ), e presidente da ACIE (Associação dos Correspondentes Estrangeiros) retrata, na visão de uma repórter estrangeira, o posicionamento do país em relação às movimentações geopolíticas e o interesse das mídias estrangeiras pelo país que conta com maior número de correspondentes no continente.
IMPRENSA - Países como Brasil, China, Índia e Rússia passam por grandes mudanças e apresentam um quadro econômico promissor. Mesmo em tempos de crise qual é a demanda por correspondentes nesses lugares?
Alicia Martinez Pardies - O cenário geopolítico internacional já vem se transformando de uma maneira bastante acelerada. Devido à perda, por parte dos Estados Unidos, de sua posição de potência econômica, um declínio que possibilitou ao mundo evidenciar novos protagonistas. Países como Brasil e Índia são lugares que despertam atenção da imprensa internacional, porém essa nova agenda mundial nem sempre resulta no envio de correspondentes. Já que muitos veículos atravessam problemas financeiros.
IMPRENSA - O Brasil é visto pelos veículos internacionais como uma nação promissora e de importância estratégica?
Alicia - O Brasil é um caso emblemático, já que é o país latino-americano que conta com mais correspondentes estrangeiros no continente, são mais de 250 profissionais, vindos de 30 paises e representando meios de imprensa escrita, televisiva e radiofônica. Essa presença indica de maneira clara o interesse que o Brasil tem na agenda internacional. Em virtude de seu potencial econômico e o protagonismo no cenário político internacional, além da política exterior forte. Nos últimos três anos, chegaram ao Rio de Janeiro, correspondentes de grandes meios da China, Índia e Rússia.
IMPRENSA - Ainda temos problemas com o idioma fazendo com que grandes meios de outros paises escolham Buenos Aires para enviar seus correspondentes?
Alicia - O Brasil sempre foi considerado estratégico para a América do Sul, já que é um país de dimensões continentais e com uma economia forte e cultura variada. A Argentina também é um país estratégico, pois estabeleceu caminhos importantes durante séculos, para o resto do continente. As ondas migratórias da Espanha e Itália, em especial, fazem com que qualquer estrangeiro europeu, na Argentina, se sinta quase em casa. Outra questão é o espanhol, o idioma que tem a virtude de unir todo um continente, como América Latina. Em termos de jornalismo o que existe em Buenos Aires é historicamente, uma visão do mundo "para fora", em especial para Europa, e por isso, os grandes meios de comunicação argentinos dedicam espaços importantes para a política exterior, muito mais que nos meios de imprensa brasileiros.
IMPRENSA - Quais são os fatores que determinam o envio de um correspondente?
Alicia - Os critérios básicos dos donos de meios de comunicação na hora de enviar um correspondente para outro país são a relevância política, econômica e social. Porém existem outros critérios mais conjunturais como uma guerra ou a ocupação de um país por parte de outro e também um golpe de Estado, uma revolta social, como o caso da enfermidade do ex-presidente de Cuba, Fidel Castro e até um Mundial de Futebol. Nesses casos, em geral, os correspondentes são enviados por um período, de acordo com a extensão dos acontecimentos políticos, sociais ou esportivos.
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