O ativismo invisível, por Rodrigo Viana
Crédito:Léo Garbin Você aí, caro leitor, já imaginou um futebol jogado com equipes mistas de homens e mulheres, regras definidas coletivamente entre as duas equipes e ganha a partida quem mais respeitá-las?
Pois é, este futebol existe e foi disputado na última Copa do Mundo aqui no Brasil. Foi o Mundial de futebol de rua, iniciativa de uma rede latino-americana que envolve 12 países. A prática esportiva e sociopedagógica foi idealizada por Fabian Ferraro, ex-jogador de futebol argentino, que busca entender o futebol como uma estratégia para recuperar valores humanos e impulsionar o desenvolvimento de lideranças, gerando processos comunitários solidários de transformação.
Tem ainda o Footy for food , ou, no melhor português, Futebol para Alimentação. É uma organização sem fins lucrativos, formada por voluntários, com uma abordagem ousada, empreendedora e empresarial, que visa angariar alimentos e consciência para os países que têm praticantes de futebol.
Durante a Copa, presenciei, como repórter, um evento grandioso que eles fizeram no Mercado Municipal de São Paulo. A ideia simples – a pessoa levava 1 quilo de alimento e batia uma bola em gols-caixote com criançada da periferia – foi um sucesso.
Pois é, amigo leitor, aposto que você não ouviu falar destas iniciativas. Mas deve ter ouvido falar que os jogadores da Alemanha, campeã mundial, eram acompanhados, há algum tempo, pelo professor Patrick Broome, que utiliza a yoga para levar maior equilíbrio físico e mental ao time.
Além disso, os alemães contam com o trabalho de Hans Herman – psicólogo do esporte, cientista e pesquisador da área, que conta com uma equipe de 12 psicólogos que atuam desde as categorias de base da Seleção da Alemanha até o time principal. São realizados trabalhos de acompanhamento psicológico, orientação familiar, mapeamento de perfil, reuniões com os departamentos médico e de preparação. O psicólogo do esporte é um parceiro do time. Ele permanece com a Seleção por onde ela atua.
A cada ano, inicia o trabalho na pré-temporada dos times – da mesma forma que os preparadores físicos. Na equipe alemã, mente e corpo têm a mesma importância e recebem os mesmos cuidados.
Digo tudo isso porque há uma ‘vida’ paralela ao esporte, de solidariedade, foco, mentalização, altruísmo e psicologia humanista, pouco explorados pela mídia, mas já muito presentes no esporte. E, desconfio, que é o que está fazendo a diferença.
Voltarei ao assunto brevemente, onde comentarei mais sobre o conceito de Futebol
Quântico que estou desenvolvendo.






