"O anonimato nas redes sociais fortalece o canalha", diz Lobão no mídia.JOR

Músico participa da terceira edição do seminário de comunicação mídia.JOR, em São Paulo (SP).

Atualizado em 18/11/2014 às 18:11, por Lucas Carvalho*.

Nesta terça-feira (18/11), o músico Lobão participou do painel "A opinião na era do anonimato digital", no segundo dia do seminário de comunicação mídia.JOR, realizado por IMPRENSA em São Paulo (SP). Em entrevista, ele declara: "o anonimato fortalece o canalha".
Crédito:Lucas Carvalho Lobão fala sobre opinião na era do anonimato digital no mídia.JOR
Segundo Lobão, por mais que a internet seja um instrumento supostamente a favor da democracia e da pluralidade de opiniões, a liberdade de expressão ainda é frágil no mundo digital. "Se você tem uma opinião que é fora da corrente principal, você é basicamente tratado como um herege na idade média", comenta.
"O Brasil é muito monocromático, 'monomaníaco'. As pessoas seguem uma estrutura de pensamento básica - o que é totalmente errado", continua o músico. Para ele, muitos internautas seguem um fluxo de pensamento de senso comum que obstrui a circulação de ideias diferentes. "O 'pedestre' na internet é muito manipulável. É muito fácil você publicar qualquer porcaria na internet e ela se espalhar."
Lobão afirma que, dependendo da temática ou do momento que o país vive, essas reações vão se polarizar em diferentes opiniões, "seja na Copa do Mundo, no Rock in Rio etc". Em época de eleições, porém, a discussão ganha outros tons. "Em cada época tem uma opinião majoritária que tenta massacrar a minoria. Mas em política, tem uma máquina do PT de um lado que orienta pessoas para viralizar certas informações, enaltecer determinadas coisas e denegrir determinadas pessoas."
Para o músico, esse tipo de comportamento é guiado por massas e o anonimato na internet dá a chance para quem quer se impor diante de opiniões divergentes. "O anonimato nas redes sociais fortalece o canalha. O anonimato e a coletivização do anonimato. O coletivo é muito poderoso. O cara se sente parte de uma célula que vai atacar em grupo e, como ele não pode ser reconhecido, meio que se acha imune ao revide. É o cara que, se passasse na rua, ele ia se intimidar", declara.
* Com supervisão de Vanessa Gonçalves