O aniversário dos 7 a 1, por Rodrigo Viana

O último dia 8 de julho fez aniversário de um ano o maior vexame da história do futebol brasileiro. A derrota para a Alemanha, nas semifinai

Atualizado em 26/08/2015 às 16:08, por Rodrigo Viana.

Crédito:Leo Garbin

s da Copa do Mundo de 2014, por sete a um, em pleno Mineirão, um dos 12 estádios de nosso país que sediou o evento. Nosso presente? Um dia antes do aniversário, o jogador Daniel Alves, em entrevista concedida de forma exclusiva ao canal por assinatura ESPN Brasil, contou que o técnico Pep Guardiola tinha o desejo de dirigir a Seleção Brasileira de graça. Apenas receberia uma recompensa financeira se alcançasse o objetivo final, ou seja, o título de campeão mundial.


A CBF, dirigida então por José Maria Marin, que continua preso acusado de corrupção pelo FBI (a polícia secreta americana) e seu vice e hoje presidente, Marco Polo Del Nero, também investigado pelas polícias brasileira e americana, simplesmente ignoraram o desejo de Guardiola e seguiram com Luiz Felipe Scolari, o Felipão, no comando. Deu no que deu.


Para quem não sabe, Guardiola é o técnico mais festejado e vencedor da última década do futebol mundial. Ganhou tudo com o Barcelona da Espanha – e não por acaso a Espanha foi campeã do mundo em 2010 –; como vem ganhando tudo com o Bayern de Munique – e não por acaso a Alemanha foi campeã em 2014. Daniel Alves, na entrevista à ESPN Brasil, foi mais longe: disse que a culpa dos fracassos em 2006, 2010, 2014 e, principalmente, em 2015 não está com os jogadores. Mas com os treinadores. Não citou nominalmente Dunga, mas a carapuça serviu como uma luva na cabeça dura e grande do treinador atual.


“O Brasil parou no tempo. Ele acredita que ganhar cinco vezes a Copa do Mundo é suficiente. Pensamento medíocre para mim. Se você tem cinco, tem que se preparar para ganhar mais cinco. (...) Nós (jogadores atuais) não somos responsáveis pelas cinco (conquistas). Mas também não somos responsáveis pela organização. Eu acredito que o futebol é treinador, é jogador. É a junção de tudo isso. Sabe por que o Barça ganha? Porque o clube é organizado. Organizado na instituição, na equipe. E tem grandes treinadores com grandes filosofias”, filosofou Daniel na entrevista.


Além da entrevista bombástica de Daniel Alves, da prisão de José Maria Marin, da aprovação, com várias ressalvas, é verdade, da Medida Provisória do Futebol, cujo principal objetivo é modernizar toda a gestão dos clubes brasileiros e, Oxalá, da própria CBF, pouca coisa mudou. Nossa mídia esportiva continua vivendo de espasmos de entrevistas corajosas ou de um ou outro colega que resolve investigar a fundo a questão, como o Jamil Chade, que já foi tema de uma coluna minha aqui nesta IMPRENSA. Diante desse quadro, fica quase impossível fugir do trocadilho – infame – que virou um mantra depois da derrota de um ano atrás. Gol da Alemanha.