Nunca haverá mordaças para se fazer Jornalismo no México, diz presidente

Nunca haverá mordaças para se fazer Jornalismo no México, diz presidente

Atualizado em 09/11/2010 às 09:11, por Redação Portal IMPRENSA.

Durante a 66ª Assembleia Geral da Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP), o presidente do México, Felipe Calderón, se comprometeu a não censurar a atividade jornalística no país. Calderón afirmou, na última segunda-feira (08), que no México "nunca haverá nem mordaças nem censuras para se fazer Jornalismo".

Agência Brasil
Felipe Calderón
De acordo com informações da agência EFE, o líder mexicano assegurou, ainda, que a grande ameaça sofrida pela imprensa do país é o crime organizado: "A delinquência é o maior risco para o exercício do jornalismo que deve contar com um entorno de liberdade e segurança". Além disso, Calderón classificou a liberdade de imprensa como um "direito inalienável" para a cidadania.

Nos últimos 10 anos, mais de 65 jornalistas foram mortos em solo mexicano, sendo que 21 desses assassinatos aconteceram em 2010. Outros 12 profissionais estão desaparecidos, e 17 meios de comunicação do México sofreram atentados desde 2003. "Nenhuma nação pode permanecer alheia aos ataques à imprensa", disse o presidente do México. "O crime é o inimigo da imprensa e não o governo", declarou, lembrando que é "dever" do Estado se empenhar nas investigações de crimes contra a imprensa e punir os responsáveis.

A cidade mexicana de Mérida foi escolhida para sediar o evento da SIP para que a entidade possa chamar a atenção para os crimes cometidos contra jornalistas do país. Durante a Assembleia, que começou na última sexta-feira (05) e termina nesta terça (09), a organização discutiu medidas que restringem a liberdade de imprensa em países como Argentina e Equador, além de estratégias para proteção de profissionais da comunicação.

Mesmo afirmando que empenhará todos os esforços para combater os crimes contra jornalistas, Calderón reconheceu que a tarefa não é fácil nem rápida. O presidente pediu aos profissionais de imprensa do país que se unam "perante um inimigo comum", para que o país possa "alcançar melhores resultados na luta contra a delinqüência".

Já o presidente da SIP, Alejandro Aguirre, declarou que uma sociedade que é vítima de violência, como a sofrida no México, "não é livre, mas escrava dos assassinos": "Não é possível trabalhar com a autocensura do medo, não se pode permitir que organizações criminosas controlem a informação e que digam o que é notícia", disse. Aguirre também solicitou a inclusão do direito à liberdade de expressão na agenda dos líderes do continente americano, e classificou as ameaças sofridas pela imprensa como "um câncer que espalha dor em todos os cantos do mundo".

Atualmente, o México é considerado o país mais perigoso para o exercício do jornalismo. Na reunião da SIP, outros países, como Argentina, Venezuela, e até mesmo o Brasil, foram citados por utilizarem mecanismos legais para tentarem ameaçar a liberdade de imprensa.

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