"Nunca fez parte dos meus planos ser fotógrafo", diz Paulo Pampolin

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Atualizado em 26/10/2011 às 11:10, por Pamela Forti.

"Eu nunca sonhei com a fotografia na minha vida, nunca fez parte dos meus planos ser fotógrafo. Caiu de pára-quedas", confessa Paulo Pampolin, fotógrafo e proprietário da agência Hype Fotografia. Para alguém que, aos 26 anos, morava em Londres e trabalhava fazendo bicos como garçom e faxineiro, Pampolin até que saiu bem: já foi finalista nos prêmios Ayrton Senna, Revista Photo (França) e Estadão ; foi o vencedor de um concurso da revista Multticlique e segundo lugar no Prêmio Leica-Fotografe.

Paulo Pampolin

Depois de morar em Londres, decidiu aventurar-se em Roma e acabou deportado para o Brasil, por conta de documentação irregular. De volta à terra natal, foi morar com alguns amigos em um prédio na região da Santa Cecília. Em meio às viagens de elevador, Pampolin conheceu Clóvis Ferreira, fotógrafo e dono da Digna Imagem, que funcionava no mesmo prédio. Como estava desemprego, aceitou o convite de Ferreira para trabalhar como motorista, enquanto o veterano fazia fotos das obras na via Dutra.

Paulo Pampolin

"Mas eu sempre fui muito curioso. Toda vez que ele descia para fotografar, eu descia junto, ficava olhando", lembra. O interesse logo foi "captado". Uma semana depois, Ferreira ofereceu o posto de fotógrafo aprendiz ao recém-chegado. "Quero formar um fotógrafo. Não quero contratar alguém já formado que venha com vícios da profissão", disse o veterano. Pampolin decidiu entrar na brincadeira. Passou nove anos trabalhando na Digna Imagem e, há sete, abriu sua própria agência - a Hype Fotografia. Hoje, tem na carteira de clientes o Diário do Comércio , agências de publicidade, revistas segmentadas e assessorias de imprensa. Também já fotografou para a Revista São Paulo e para o Guia da Folha.

Paulo Pampolin

Ecletismo é a uma das marcas de Pampolin. Com ele, não há céu nublado. Gosta de fazer tanto fotos jornalísticas quanto fotos em estúdio. "Eu gosto de fotografar gente e outra coisa que eu curto é fotografar produtos, ficar inventando fotos. Eu domino a iluminação, gosto de ficar criando cenas, coisas inusitadas". Entre as imagens preferidas, está uma foto feita para o especial "Top of Mind", da Folha de S.Paulo . Sem mostrar as embalagens dos produtos, ele precisava criar uma imagem que fizesse o leitor associá-la às marcas mais citadas naquele ano. A solução encontrada por ele foi comprar uma caixa de copos americanos e enchê-los com sabão em pó e refrigerante, alternadamente. O resultado foi além do esperado. A fabricante de vidros Nadir Figueiredo comprou a imagem e se apropriou da ideia, produzindo um anúncio com o seguinte slogan: "Para mostrar as marcas mais lembradas, não poderia ser escolhido um copo melhor". A mesma imagem também foi finalista do Prêmio "Conrado Wessel de Foto Publicitária".

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Entre os ensaios memoráveis, ele cita as fotos feitas em um edifício nas proximidades da Cracolândia, em São Paulo. "Era para mostrar como é o dia a dia de pessoas que não têm nada a ver com isso, vivendo naquele ambiente. Foi uma reportagem interessante porque falou sobre o crack, mas não mostrou ninguém fumando crack. Foi uma abordagem completamente diferente".

Detalhista por natureza, o fotógrafo diz que aplica toda essa minúcia nas fotos que faz. Mas, mesmo assim, não consegue escapar das saias justas que aparecem vez ou outra. Certa vez, foi fotografar um aparelho em uma clínica de estética usado para redução de celulite. Na ausência de uma modelo para simular a utilização do equipamento nas pernas, a própria gerente do estabelecimento ofereceu-se para fotografar. "E a mulher começou a tirar a roupa e tirou 100% da roupa. Ficou completamente nua ali, na minha frente", descreve, com bom humor. A foto era para a editoria de economia. E precisou de muita edição para adequar-se à pauta.

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