Novos tempos na produção de conteúdo demandam profissionais multimídia

Muita coisa mudou desde Gutenberg. O gráfico alemão jamais teria imaginado nada parecido com a conexão em rede, o acesso remoto de conteúdose as combinações de linguagens, que hoje são tão comuns.

Atualizado em 06/09/2013 às 18:09, por Edson Caldas*.

Agregando todas essas possibilidades proporcionadas pela tecnologia, profissionais que são capazes de lidar com diversas mídias são cada vez mais fundamentais nas redações jornalísticas.

Crédito:Stock.XCHNG Redações cada vez mais terão repórteres multimídias
Ao mesmo tempo, o público também muda, já que agora é muito fácil publicar suas próprias informações, dispensando a intervenção de um profissional graduado em jornalismo.
“Torna-se cada vez mais necessária a presença de profissionais qualificados, não apenas para produzir e editar conteúdos jornalísticos, mas especialmente para mediar a publicação desses para públicos gerais ou segmentados, visando minimizar uma saturação informacional que já atinge a sociedade”, aponta a professora Piedra Magnani da Cunha, coordenadora do curso de jornalismo multimídia do Centro Universitário UNA.
De acordo com a profissional, a formação na área busca responder ao desafio de refletir e atuar a partir das “mudanças pelas quais o campo profissional vem passando recentemente, sobretudo devido ao impacto das tecnologias digitais de informação e comunicação sobre as práticas jornalísticas”.
A ideia é que a produção incorpore som, imagem, movimento e esteja inserida em ambientes de interação. “Quando as rotinas profissionais mudam, a formação precisa também se transformar”, diz Piedra. “A mesma cobertura jornalística, por exemplo, demanda [agora] a produção simultânea de textos, fotos, podcasts, vídeos, enquetes. Ou ainda: a mesma notícia, muitas vezes deve ser trabalhada simultaneamente para diferentes meios complementares, como o rádio, a televisão, tablets e smartphones.”
O jornalista educado para tal trabalho encontra oportunidades para diversificar esteticamente seu conteúdo, “dado o hibridismo das linguagens que convergem para a tecnologia digital”, defende o professor Belarmino César, coordenador de jornalismo da Unimep, instituição que oferece curso de pós-graduação em multimídia.
Com duração de 18 horas, o curso capacita profissionais de imprensa para “interpretar o contexto das novas tecnologias de comunicação e de informação e as transformações que vêm ocorrendo nas estruturas de produção, difusão e acesso de conteúdos”.
Novidade para o mercado
O conceito de jornalista multimídia deve ser dissociado da ideia de um profissional que “faz tudo”, segundo Piedra. O grande ganho da formação é a capacidade para operar os diferentes suportes tecnológicos e potencial para o “raciocínio multimídia”.
“Não caberia ao jornalista multimídia ser o único responsável por toda a produção textual, imagética, sonora e audiovisual de uma determinada produção jornalística, mas o de sinalizar a importância e traçar as estratégias de uma cobertura convergente.”
César ressalta que a formação em jornalismo multimídia provoca no mercado de trabalho a atenção para a condição convergente das coberturas jornalísticas, além de “gestar projetos de comunicação independentes e regionalizados, mesmo diante de estruturas comunicantes globais e atreladas à indústria cultural”.
Na redação
Grande parte dos veículos já tem todo seu conteúdo interligado. “Existe uma integração cada vez maior entre as redações”, diz Roberto Gazzi, diretor de desenvolvimento editorial do Grupo Estado. “Temos jornalistas que fazem matéria para jornal, rádio, portal, além de fotos e vídeos. Uma produção multimídia.”
O diário possui web TV, rádio e um Núcleo de Produção Multimídia. “Temos feito muitos treinamentos”, acrescenta Gazzi. “Aqui temos toda uma filosofia de poder treinar os nossos profissionais porque tudo isso significa poder fazer um jornalismo melhor.”
André Alt, editor de produtos digitais do Lance! , explica que a redação do periódico é multiplataforma e divida por núcleos. “É vantajoso para o hardnews”, afirma. “Você está cobrindo um treino, por exemplo, e acontece uma briga generalizada. O jornalista pode gravar um vídeo e transmiti-lo rapidamente para a redação. Se um repórter sabe escrever bem, fazer um vídeo bem, nós ganhamos em qualidade de conteúdo.”
* Com supervisão de Vanessa Gonçalves