Novo recurso dos EUA pedindo extradição de Assange começa a ser julgado em Londres

O Departamento de Justiça dos EUA iniciou nesta quarta-feira, 27 de outubro, uma nova tentativa de fazer com que Julian Assange seja julgado

Atualizado em 27/10/2021 às 19:10, por Redação Portal IMPRENSA.

Novo recurso dos EUA pedindo extradição de Assange começa a ser julgado em Londres

pela justiça americana.
Washington entrou com um recurso na justiça britânica para que o fundador do WikiLeaks seja extraditado e julgado nos EUA pela publicação de milhares de documentos confidenciais sobre a participação do governo americano em uma série de conflitos armados e operações militares.
Em janeiro último, um tribunal do Reino Unido rejeitou pedido de extradição de Assange aos EUA. Na ocasião a juíza britânica Vanessa Baraitser alegou que ele corre risco de cometer suicídio se for extraditado. Crédito:Daniel Leal-Olivas AFP/Reprodução G1
Autoridades dos EUA argumentaram aos juízes britânicos que, se for extraditado para os EUA, o fundador do WikiLeaks poderá cumprir qualquer pena de prisão a que seja condenado no seu país natal, a Austrália.
Advogados do governo dos EUA também alegaram que a saúde mental de Assange não é frágil a ponto de ele não resistir ao sistema judiciário dos EUA e que ele "não tem histórico de doenças mentais graves e duradouras".
Promotores dos EUA indiciaram Assange por diversas acusações, incluindo espionagem e divulgação de documentos diplomáticos e militares confidenciais.
O australiano divulgou mais de 700 mil documentos confidenciais sobre atividades militares e diplomáticas dos EUA, principalmente no Iraque e no Afeganistão. As acusações podem levar a uma pena de 175 anos de prisão.
As autoridades americanas prometeram à justiça britânica que Assange não será submetido a uma prisão de segurança máxima ou a condições estritas de isolamento.
Suicídio

Os EUA também afirmam que o neuropsiquiatra Michael Kopelman enganou a juíza britânica que negou a extradição de Assange, ao omitir que Stella Moris, integrante da equipe jurídica do WikiLeaks, também mantém um relacionamento com Assange e teve dois filhos com ele. Para Washington, essa informação é "um fator altamente relevante para a questão de probabilidade de suicídio".
Uma coalizão de entidades de liberdade de imprensa, liberdades civis e direitos humanos internacionais vem solicitando que o Departamento de Justiça dos Estados Unidos não extradite Assange e retire as acusações contra o fundador ele.
Para essas entidades, as acusações contra Assange representam grave ameaça à liberdade de imprensa nos Estados Unidos e no exterior e grande parte da conduta dos crimes de que ele é acusado na verdade são condutas que jornalistas praticam rotineiramente.

Ainda segundo os defensores do fundador do WikiLeaks, a extradição poderia criminalizar práticas jornalísticas comuns. Os advogados de Assange também alegam que o WikiLeaks prestou um serviço de interesse público ao trazer à luz revelações que expuseram a forma como os EUA conduziram as guerras no Iraque e no Afeganistão.