Novo programa de entrevistas de Antônio Tabet foge do padrão e estimula histórias inusitadas
Humorista foi convidado pelo canal TBS para fazer um programa de entrevistas com comediantes. Formato dá espaço para histórias inusitadas.
Atualizado em 04/11/2014 às 17:11, por
Christh Lopes*.
Um programa de entrevistas que não é um talk show. É assim que o humorista Antônio Tabet define o conceito da atração que comandará no canal TBS. Com estreia programada para o próximo ano, a atração já tem episódios gravados e garante: a aposta em um novo formato deu certo. A ideia, a princípio, era apenas receber convidados que trabalham com comédia para falar sobre bastidores da carreira. No entanto, com liberdade para empregar um novo modelo, conseguiu se aprofundar mais ainda.
Crédito:Reprodução Programa de Antônio Tabet trará entrevistas inusitadas em 2015
Na atração, que ainda não tem um nome definido, o telespectador deve se deparar com um cenário de backstage, em que o entrevistado, sem saber, começa a ser questionado pelo apresentador, como se fosse uma conversa comum antes de tomar a atenção de todas as câmeras. Se bem que, o objetivo é justamente esse, deixar com que o protagonista seja quem tem uma história para contar. Não apenas aquelas comuns, mas também inusitadas, que geralmente não falaria diante de jornalistas.
Apesar de ao longo da trajetória relacionar o jornalismo com o humor, Tabet conta que se tornar um apresentador não estava na sua agenda, mas está gostando muito da tarefa. Quando era roteirista do “Caldeirão do Huck”, por exemplo, tinha, às vezes, o papel de dialogar com personagens e convidados. “Eu já tinha o caminho das pedras de como conduzir uma entrevista. Na TBS, trabalhei com pessoas com experiência nisso e agora acho que tomei gosto pela coisa, viu?”.
O convite surgiu da emissora. Há pouco mais de três anos no Brasil, viu na figura do humorista a chance de emplacar um formato de sucesso e atrair o público jovem e engajado, que acompanha semanalmente vídeos do ator no Porta dos Fundos. Também pesou na decisão a necessidade de possuir conteúdos nacionais por conta da nova Lei da TV Paga que vigora no país. A ideia inicial era reunir pessoas que pudessem falar sobre comédia numa atração em modelo de entrevista.
Ao aceitar participar do projeto, o humorista logo pôde apresentar os recursos que poderiam fazer parte do programa. Mas, de cara, sentiu que seria interessante, pois já conhecia grande parte dos possíveis entrevistados que, vez ou outra, circulam em seu cotidiano. “Conduzir uma entrevista com alguém que conhece é muito bom, pois você vai até onde um entrevistador comum não pode chegar”. Durante os episódios, no entanto, teve a oportunidade de conhecer mais gente.
A nova geração do humor, por exemplo, como também pessoas que começaram a se destacar na arte do riso pela internet. Todos os personagens de grande expressão do setor falaram com o apresentador. Um deles, Danilo Gentili, teve que ficar de fora. Na época em que foi convidado, o comediante foi liberado pelo seu canal, o SBT, mas não compareceu. O indigesto gesto foi interpretado pela imprensa de celebridades como uma recusa, que teria até chateado o humorista.
Mas tudo não passou por especulação. Tabet afirma que a partir de então notícias começaram a veicular, como uma do Estadão , citada pelo humorista, em que ele teria dito a amigos que estaria triste pela ausência do colega. “Ele imediatamente me mandou um e-mail falando que teria o maior prazer de ir, mas não conseguiu porque estava gravando a série dele”.
“Danilo é um amigo querido, um cara que gosto muito. Brinquei com sua audiência, falei sobre ele, de que tinha virado estrela...”, ironiza, aos risos. Após a polêmica, o amigo disse que adoraria participar numa eventual 2ª temporada.
Para o programa, não foi apenas a boa relação com a ‘classe’ de humoristas que deu a tônica do projeto, como também o formato. O entrevistado não sabia que estava sendo entrevistado. O apresentador conta que era como se estivesse fazendo uma pré-entrevista e é daí que surge toda a trama de seu talk show.
Novo formato preenche lacuna
Apesar do formato de talk show ter se popularizado no Brasil, principalmente na televisão aberta, o modelo tem características semelhantes e convencionais. Basicamente, conta com uma banda que faz uma trilha sonora entre a passagem de cada quadro, além de possuir a participação de personagens secundários, um stand up de início e uma ou outra coisa diferente.
Foi para fugir desse padrão que Antônio Tabet acredita ter sido chamado para participar da iniciativa do canal TBS. A inovação do modelo, conforme aponta, é o maior diferencial.
O entrevistado chega ao cenário da atração, que estava totalmente ambientado para que desse a entender que nada havia iniciado, e começa a conversar sobre variados assuntos com o humorista. Antes que pudesse perceber, estariam contando uma história inusitada. O bate-papo é conduzido de maneira natural, já que não se sabe se está sendo gravado o que estão dizendo ou não.
“Num talk show normal, o agente já escreveu até um roteiro para saber o que iria falar, e ali, naquele ambiente falseado de pré-entrevista, muitos falaram coisas que não costumam dizer”, revela.
Apesar de ter feito algumas questões polêmicas ou incomuns, Tabet afirma que a ideia é indagar sobre assuntos que os convidados não estão acostumados a responder, mas isso não implica, em sua visão, na formulação de perguntas que desagradam ou criam algum tipo de incômodo.
Uma ideia disso pôde ser vista durante o “Agora É Tarde”, de Rafinha Bastos. Recebido para falar sobre o projeto, o humorista chegou a assumir o papel de apresentador após um convite do anfitrião.
Segundo ele, nada havia sido programado antes com Rafinha Bastos e para fazer parte da brincadeira, foi incisivo. Algo que não será visto no talk show, já que, a ideia é parecer o mais natural possível.
“A primeira pergunta que eu fiz para ele foi se ele teria comido o bebê. Mas, aquilo foi uma piada no programa dele. No meu programa, a ideia é que eu faça perguntas que eles não estejam esperando, mas não necessariamente para gerar uma polêmica”, diz.
O objetivo de Tabet não é polemizar. “O ideal é que seja uma conversa que não pareça como aquelas entrevistas formatadas e pasteurizadas de sempre”, afirma. "Eu tentei criar o clima mais confortável possível para o entrevistado. O importante ali, naquele momento, é tirar do cara o que ele tem de melhor”, salienta.
Mistura do jornalismo com o humor
A referência de Antônio Tabet para a atração está em programas dos Estados Unidos. Comediantes como Jimmy Kimmel ou o Letterman conduzem o talk show como Tabet gosta. Porém, buscou fugir de formatos e adaptou para um gênero jornalístico.
“Foi o menos difícil, pois faço desde 2002 com o Kibe Loco. Ele tem um viés jornalístico bastante presente em seu DNA, de transformar notícia em humor. É o que faço desde sempre. Não vejo esse conflito, pelo contrário, me atrai bastante!”, afirma.
A aposta em entrevistados do meio humorístico não intimidou Tabet. “Olha, na verdade, é uma faca de dois gumes, porque estou junto de uma pessoa que também tem o domínio do humor, do raciocínio rápido. Então, tem um lado bom, mas, por outro lado, não consigo transformar nenhum entrevistado em escada. Porque isso não era da função e nem o meu desejo. Eu sempre quis transformar o entrevistado em dono do programa".
Influência do Porta dos Fundos
Os primeiros resultados da iniciativa têm sido um sucesso. Embora deva estrear apenas no ano que vem, a edição final de cada episódio tem superado as expectativas dos envolvidos. De acordo com o Tabet, o retorno tem sido o melhor possível, com um material rico e bacana. “O telespectador pode esperar um talk show que, por incrível que pareça, (está ligado) com uma frase que não vai fazer sentido nenhum, mas é verdade: Um talk show que não é um talk show; diferente que todos que já viu”.
Sobre o programa do Porta dos Fundos, que exibirá o terceiro episódio ainda nesta terça-feira (04/11), às 22 horas, na Fox, também avalia positivamente. No programa de estreia, por exemplo, a atração dobrou a audiência do canal. O interessante é que, na ocasião, disputou atenção com o debate presidencial organizado pela Band. “Estamos muito felizes, batemos recorde de verba publicitária no horário da emissora e a gente encheu a Fox de dinheiro!”, brincou o apresentador.
Apesar de ter participado de diversos projetos na carreira, é no Porta dos Fundos que as pessoas mais identificam o humorista. Às vezes, chegam a relacioná-lo com bordões das esquetes. Tabet conta que, de fato, o grupo não faz frases de efeito, mas o usuário assiste tanto a um vídeo que acaba ele próprio criando. “As pessoas sempre falam muito quando me veem na rua, como “Mário Alberto” e “Gorilão da Bola Azul”.
“O ‘Gorilão da Bola Azul, por exemplo, é citado uma vez no vídeo. Mas, como as pessoas viram tantas vezes, criaram a expressão. ‘O que eu quero, Mario Alberto’, e por aí. Internautas acabam trazendo isso e eu acho maravilhoso, cara. Ter um retorno desses na rua me deixa bastante lisonjeado”, conclui.
* Com supervisão de Vanessa Gonçalves
Assista aos vídeos:
Crédito:Reprodução Programa de Antônio Tabet trará entrevistas inusitadas em 2015
Na atração, que ainda não tem um nome definido, o telespectador deve se deparar com um cenário de backstage, em que o entrevistado, sem saber, começa a ser questionado pelo apresentador, como se fosse uma conversa comum antes de tomar a atenção de todas as câmeras. Se bem que, o objetivo é justamente esse, deixar com que o protagonista seja quem tem uma história para contar. Não apenas aquelas comuns, mas também inusitadas, que geralmente não falaria diante de jornalistas.
Apesar de ao longo da trajetória relacionar o jornalismo com o humor, Tabet conta que se tornar um apresentador não estava na sua agenda, mas está gostando muito da tarefa. Quando era roteirista do “Caldeirão do Huck”, por exemplo, tinha, às vezes, o papel de dialogar com personagens e convidados. “Eu já tinha o caminho das pedras de como conduzir uma entrevista. Na TBS, trabalhei com pessoas com experiência nisso e agora acho que tomei gosto pela coisa, viu?”.
O convite surgiu da emissora. Há pouco mais de três anos no Brasil, viu na figura do humorista a chance de emplacar um formato de sucesso e atrair o público jovem e engajado, que acompanha semanalmente vídeos do ator no Porta dos Fundos. Também pesou na decisão a necessidade de possuir conteúdos nacionais por conta da nova Lei da TV Paga que vigora no país. A ideia inicial era reunir pessoas que pudessem falar sobre comédia numa atração em modelo de entrevista.
Ao aceitar participar do projeto, o humorista logo pôde apresentar os recursos que poderiam fazer parte do programa. Mas, de cara, sentiu que seria interessante, pois já conhecia grande parte dos possíveis entrevistados que, vez ou outra, circulam em seu cotidiano. “Conduzir uma entrevista com alguém que conhece é muito bom, pois você vai até onde um entrevistador comum não pode chegar”. Durante os episódios, no entanto, teve a oportunidade de conhecer mais gente.
A nova geração do humor, por exemplo, como também pessoas que começaram a se destacar na arte do riso pela internet. Todos os personagens de grande expressão do setor falaram com o apresentador. Um deles, Danilo Gentili, teve que ficar de fora. Na época em que foi convidado, o comediante foi liberado pelo seu canal, o SBT, mas não compareceu. O indigesto gesto foi interpretado pela imprensa de celebridades como uma recusa, que teria até chateado o humorista.
Mas tudo não passou por especulação. Tabet afirma que a partir de então notícias começaram a veicular, como uma do Estadão , citada pelo humorista, em que ele teria dito a amigos que estaria triste pela ausência do colega. “Ele imediatamente me mandou um e-mail falando que teria o maior prazer de ir, mas não conseguiu porque estava gravando a série dele”.
“Danilo é um amigo querido, um cara que gosto muito. Brinquei com sua audiência, falei sobre ele, de que tinha virado estrela...”, ironiza, aos risos. Após a polêmica, o amigo disse que adoraria participar numa eventual 2ª temporada.
Para o programa, não foi apenas a boa relação com a ‘classe’ de humoristas que deu a tônica do projeto, como também o formato. O entrevistado não sabia que estava sendo entrevistado. O apresentador conta que era como se estivesse fazendo uma pré-entrevista e é daí que surge toda a trama de seu talk show.
Novo formato preenche lacuna
Apesar do formato de talk show ter se popularizado no Brasil, principalmente na televisão aberta, o modelo tem características semelhantes e convencionais. Basicamente, conta com uma banda que faz uma trilha sonora entre a passagem de cada quadro, além de possuir a participação de personagens secundários, um stand up de início e uma ou outra coisa diferente.
Foi para fugir desse padrão que Antônio Tabet acredita ter sido chamado para participar da iniciativa do canal TBS. A inovação do modelo, conforme aponta, é o maior diferencial.
O entrevistado chega ao cenário da atração, que estava totalmente ambientado para que desse a entender que nada havia iniciado, e começa a conversar sobre variados assuntos com o humorista. Antes que pudesse perceber, estariam contando uma história inusitada. O bate-papo é conduzido de maneira natural, já que não se sabe se está sendo gravado o que estão dizendo ou não.
“Num talk show normal, o agente já escreveu até um roteiro para saber o que iria falar, e ali, naquele ambiente falseado de pré-entrevista, muitos falaram coisas que não costumam dizer”, revela.
Apesar de ter feito algumas questões polêmicas ou incomuns, Tabet afirma que a ideia é indagar sobre assuntos que os convidados não estão acostumados a responder, mas isso não implica, em sua visão, na formulação de perguntas que desagradam ou criam algum tipo de incômodo.
Uma ideia disso pôde ser vista durante o “Agora É Tarde”, de Rafinha Bastos. Recebido para falar sobre o projeto, o humorista chegou a assumir o papel de apresentador após um convite do anfitrião.
Segundo ele, nada havia sido programado antes com Rafinha Bastos e para fazer parte da brincadeira, foi incisivo. Algo que não será visto no talk show, já que, a ideia é parecer o mais natural possível.
“A primeira pergunta que eu fiz para ele foi se ele teria comido o bebê. Mas, aquilo foi uma piada no programa dele. No meu programa, a ideia é que eu faça perguntas que eles não estejam esperando, mas não necessariamente para gerar uma polêmica”, diz.
O objetivo de Tabet não é polemizar. “O ideal é que seja uma conversa que não pareça como aquelas entrevistas formatadas e pasteurizadas de sempre”, afirma. "Eu tentei criar o clima mais confortável possível para o entrevistado. O importante ali, naquele momento, é tirar do cara o que ele tem de melhor”, salienta.
Mistura do jornalismo com o humor
A referência de Antônio Tabet para a atração está em programas dos Estados Unidos. Comediantes como Jimmy Kimmel ou o Letterman conduzem o talk show como Tabet gosta. Porém, buscou fugir de formatos e adaptou para um gênero jornalístico.
“Foi o menos difícil, pois faço desde 2002 com o Kibe Loco. Ele tem um viés jornalístico bastante presente em seu DNA, de transformar notícia em humor. É o que faço desde sempre. Não vejo esse conflito, pelo contrário, me atrai bastante!”, afirma.
A aposta em entrevistados do meio humorístico não intimidou Tabet. “Olha, na verdade, é uma faca de dois gumes, porque estou junto de uma pessoa que também tem o domínio do humor, do raciocínio rápido. Então, tem um lado bom, mas, por outro lado, não consigo transformar nenhum entrevistado em escada. Porque isso não era da função e nem o meu desejo. Eu sempre quis transformar o entrevistado em dono do programa".
Influência do Porta dos Fundos
Os primeiros resultados da iniciativa têm sido um sucesso. Embora deva estrear apenas no ano que vem, a edição final de cada episódio tem superado as expectativas dos envolvidos. De acordo com o Tabet, o retorno tem sido o melhor possível, com um material rico e bacana. “O telespectador pode esperar um talk show que, por incrível que pareça, (está ligado) com uma frase que não vai fazer sentido nenhum, mas é verdade: Um talk show que não é um talk show; diferente que todos que já viu”.
Sobre o programa do Porta dos Fundos, que exibirá o terceiro episódio ainda nesta terça-feira (04/11), às 22 horas, na Fox, também avalia positivamente. No programa de estreia, por exemplo, a atração dobrou a audiência do canal. O interessante é que, na ocasião, disputou atenção com o debate presidencial organizado pela Band. “Estamos muito felizes, batemos recorde de verba publicitária no horário da emissora e a gente encheu a Fox de dinheiro!”, brincou o apresentador.
Apesar de ter participado de diversos projetos na carreira, é no Porta dos Fundos que as pessoas mais identificam o humorista. Às vezes, chegam a relacioná-lo com bordões das esquetes. Tabet conta que, de fato, o grupo não faz frases de efeito, mas o usuário assiste tanto a um vídeo que acaba ele próprio criando. “As pessoas sempre falam muito quando me veem na rua, como “Mário Alberto” e “Gorilão da Bola Azul”.
“O ‘Gorilão da Bola Azul, por exemplo, é citado uma vez no vídeo. Mas, como as pessoas viram tantas vezes, criaram a expressão. ‘O que eu quero, Mario Alberto’, e por aí. Internautas acabam trazendo isso e eu acho maravilhoso, cara. Ter um retorno desses na rua me deixa bastante lisonjeado”, conclui.
* Com supervisão de Vanessa Gonçalves
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