Novo presidente da TV Cultura já está definido
O executivo José Roberto Maluf será anunciado como presidente da TV Cultura na próxima semana. A informação foi divulgada primeiro pelo jornal O Estado de S.
Maluf vai substituir Marcos Mendonça no cargo. De acordo com o Estadão, a escolha do futuro dirigente da emissora paulista, ex-vice-presidente da Band e do SBT, contou com a aprovação do governador João Doria e a mudança de perfil do executivo atenderia ao desejo do governo de diminuir a influência política na gestão da emissora
Ao IMPRENSA, a Fundação Padre Anchieta (FPA), responsável pela emissora, informou que a "candidatura teve a indicação de 21 dos 26 conselheiros vitalícios e eletivos – que são, de acordo com o nosso Regimento Interno, os responsáveis pela indicação de candidatos".
Na nota, assinada por Augusto Rodrigues, presidente do Conselho Curador, a Fundação afirma que a escolha dos dirigentes executivos prioriza a preservação da missão de "formar cidadãos com cultura". "Assim, pretendemos evitar tanto os desvios do imediatismo do mercado quanto os da predominância do corporativismo, em detrimento do alinhamento e da adequação estratégica de nossas emissoras às enormes mudanças que estão acontecendo no sistema de radiodifusão, inclusive nas agências de televisão pública, no mundo todo", destaca o texto.
Historicamente, além das verbas públicas, a TV Cultura utiliza apoios culturais como forma de reforçar o caixa para suas produções, mas nunca teve a briga por audiência como uma finalidade em si.
O nome de Maluf ainda precisa ser aprovado em assembleia do conselho da Fundação Padre Anchieta marcada para a próxima segunda-feira (20).
Leia a íntegra da nota enviada pela FPA ao Portal IMPRENSA:
"Diante de reportagens recentemente publicadas em jornais de grande circulação, referentes à TV Cultura, e ao atual processo de escolha do novo Diretor Presidente da Fundação Padre Anchieta, venho, como presidente do Conselho Curador dessa instituição, prestar esclarecimentos, em nome do órgão que presido, à imprensa e à sociedade.
1. A Fundação Padre Anchieta (FPA) não é uma empresa estatal, mas sim uma fundação de direito privado. Boa parte dos fundos para a sua constituição vieram da doação da cidadã Renata Crespi Prado. Daí sua constituição como entidade sem fins lucrativos, norteada por uma missão pública. Pioneira em termos institucionais, a FPA é precursora das atuais Organizações Sociais (OS). Não pode, portanto, entrar em um programa de desestatização, como foi publicado;
2. A TV Cultura iniciou as suas transmissões, com estrutura física e gerencial próprias, em 1969. Por essa razão é que, no dia 14 de junho próximo, ela estará completando 50 anos de história e de vida. A informação equivocada de que a TV Cultura teria sido fundada em 1960 se deve ao fato de que a concessão que recebeu do governo havia pertencido a outro grupo, cuja história não se confunde com a da FPA e com a de suas emissoras;
3. Desde o primeiro momento de sua organização, os objetivos permanentes da instituição e a responsabilidade por sua continuidade são garantidos pela existência de um Conselho Curador. O Conselho é hoje constituído por 47 membros, sendo alguns vitalícios (representantes do espólio da doadora original), outros designados por instituições representativas do Estado e da sociedade civil (universidades, agências de pesquisa, secretarias de governo, etc.) e um terceiro grupo, eleito para mandatos de três anos pelo próprio Conselho. Essa diversidade garante equilíbrio de diferentes perspectivas, incluindo visões existentes no estado, no mercado e na sociedade. Ao ignorar esses fatos básicos, matérias jornalísticas incorreram em vários equívocos. Entre eles, vale ressaltar:
a) A afirmação de que o governador João Dória teria ‘inventado’ um conselho para mudar a orientação da Fundação Padre Anchieta não é verdadeira. A orientação de longo prazo, para as emissoras da Fundação, é objeto permanente de acompanhamento do Conselho Curador, inclusive no que se refere ao seu grande objetivo atual, relacionado com a necessidade de fazer frente às aceleradas mudanças de comportamento das pessoas, no que se refere à comunicação pública, sobretudo com o advento da Internet e das redes sociais;
b) Foram essas enormes transformações no sistema de radiodifusão, no mundo todo, que motivaram esse Conselho a formular um projeto estratégico para a Fundação Padre Anchieta, muito alinhado com as propostas do Governo do Estado, recém empossado;
c) O enquadramento dessa questão da necessidade de mudanças, fundamental para o futuro de nossas emissoras, na dicotomia mercado versus estado, é uma redução da realidade, que mascara aspectos decisivos da discussão. A necessidade imperiosa de mudar as estruturas de nossa atuação decorrem de fatos novos, não de antigos problemas;
d) A redução das discussões, em torno desse tema central, a uma querela de facções de um partido político, é um desserviço à sociedade paulista e à sociedade brasileira, que merecem ser esclarecidas quanto à natureza, à missão e aos desafios que hoje se impõem a instituições públicas, criadas para servi-las;
e) A distinção entre televisão privada, estatal e pública, bem compreendida em outros países, e estabelecida em nossa Constituição Federal, é ainda pouco clara para a maior parte da sociedade brasileira. Para ajudar a esclarecer esse tema, uma abordagem consistente da situação atual e dos rumos futuros da TV Cultura deve partir do entendimento de que essa se trata de uma televisão pública, que, portanto, tem, como razão de ser, e diferencial essencial, a prestação de serviços de qualidade à sociedade e à cidadania, com uma liberdade especial em relação às amarras da busca do lucro, de um lado, e do dirigismo estatal, de outro, posicionamento que tem-se colocado, recorrentemente, nesses últimos cinquenta anos;
f) Para cumprir essa missão que lhes dá sentido, as melhores empresas públicas não estatais de comunicação do mundo – grupo ao qual a TV Cultura pertence, como demonstram os muitos prêmios e outras formas de reconhecimento internacional, que vêm recebendo ao longo da sua história – são, em larga medida, mantidas com recursos públicos, sejam oriundos de orçamentos governamentais ou, de acordo com modelos como o da britânica BBC, providos diretamente à entidade pela sociedade;
g) A manutenção dos valores fundamentais da Fundação Padre Anchieta, como a necessidade de autonomia de seu Conselho Curador, e a preservação de sua missão de formar e desenvolver a cidadania, não pode nos inibir de propugnar e defender também a exigência de enormes mudanças na gestão das emissoras da Fundação, em consonância com as transformações que estão acontecendo no universo das empresas de comunicação, em todo lugar, necessárias para a nossa sobrevivência, e em linha com o que está exigindo de nós o atual Governo Estadual.
Para além dessas questões, gostaríamos de esclarecer:
4. O Conselho Curador da FPA é a instância encarregada de preservar a missão fundamental da Fundação: formar cidadãos com cultura. Esse valor central transcende todas as decisões e é, em função dele, que as decisões – inclusive a escolha dos dirigentes executivos – são tomadas. Assim, pretendemos evitar tanto os desvios do imediatismo do mercado quanto os da predominância do corporativismo, em detrimento do alinhamento e da adequação estratégica de nossas emissoras às enormes mudanças que estão acontecendo no sistema de radiodifusão, inclusive nas agências de televisão pública, no mundo todo;
5. O processo de escolha do novo diretor presidente da FPA vem evoluindo sob permanente coordenação do Conselho Curador, que estabeleceu uma série de pré-requisitos e critérios de seleção, a serem utilizados no processo de escolha dos candidatos, priorizando a experiência e a competência na gestão em empresas de rádio e televisão;
6. Foi por meio da condução do Conselho e da aplicação desses critérios que se definiu a indicação do executivo José Roberto Maluf, cuja candidatura teve a indicação de 21 dos 26 conselheiros vitalícios e eletivos – que são, de acordo com o nosso Regimento Interno, os responsáveis pela indicação de candidatos;
7. A etapa final desse processo acontecerá no dia 20 de maio, quando caberá a todo o Conselho, com seus 47 integrantes, eleger o novo diretor presidente da FPA. Para ser eleito, o candidato precisará obter o apoio da maioria do Conselho, tendo, portanto, no mínimo, 24 votos.
Atenciosamente,
Augusto Rodrigues
Presidente do Conselho Curador
Fundação Padre Anchietano"
Nota da redação: A matéria foi modificada às 10h42 para inclusão da nota oficial da FPA.





