Novo livro de PVC mostra como tática e mente podem garantir (ou não) um título na Copa

Paulo Vinicius Coelho, comentarista da ESPN Brasil, é conhecido por sempre ter na mente e na ponta da língua a escalação dos principais times do mundo, podendo discorrer com propriedade sobre equipes que nem viu jogar.

Atualizado em 16/04/2014 às 15:04, por Vanessa Gonçalves.


Crédito:Divulgação Livro de Paulo Vinicius Coelho mostra influência da tática e da mente no futebol
Esse conhecimento, fruto de muita leitura e estudo, torna PVC uma das sumidades quando o tema é tática. Aproveitando essa bagagem e o ano da Copa do Mundo no Brasil, o comentarista lançou na semana passada o livro “Tática Mente”, publicado pela Panda Books, trabalho que analisa os detalhes táticos das seleções que marcaram a história das Copas.
À IMPRENSA, o jornalista explica o que a obra traz de diferente sobre o esporte e revela que a tática e a mente serão indispensáveis para as equipes que virão tentar levantar a taça de campeão do mundo no Brasil.
IMPRENSA - Por que lançar um livro somente sobre as táticas de jogo das seleções? Paulo Vinicius Coelho - O livro não é exclusivamente sobre tática. Ele nasceu do jogo de palavras que dá nome ao título, ou seja, a tática pode mentir e tática e a cabeça do técnico. No fundo, ele foi um ajuntamento de histórias que vivi em Copas do Mundo, de coisas que eu apurei e algumas histórias que colecionei a partir dessas diversas viagens internacionais que tive que fazer, para a ESPN especialmente. Diminui a quantidade de camisas de clubes que eu comprava e aumentei a quantidade de livros. Tenho uma bibliografia razoável de coisas que li e que não são contadas no Brasil dessa maneira. Foi essa a tentativa do livro.
Demorou muito para fazer essa pesquisa? No fundo não foi tanto, porque passo muito tempo lendo muita coisa. Então, fui juntando histórias. Eu tenho um pecado como escritor, que não sou, que é fazer minhas coisas nas horas vagas. Sendo assim, acabo sendo muito rápido. A ideia surgiu do título há uns dois anos, mas eu fiz o livro no segundo semestre do ano passado.
O público brasileiro não está tão acostumado com livros sobre futebol. Acha que uma obra que fala desse outro lado do esporte vai chamar a atenção? Bom, o ano de Copa chama a atenção para a literatura de futebol. Esse gênero aumento muito no Brasil nos últimos 20 anos. Acho que tem um público para isso. É um nicho. Crédito:Divulgação Obra traz análise de 34 seleções de todos os tempos
Você pegou 30 seleções para analisar os esquemas táticos. Como foi selecionar somente esses? Eu queria falar de 50, mas fiz duas coisas, como tem um outro livro meu que vai sair mês que vem sobre o Neymar, acabei resumindo este. Comecei com 50 seleções e acabei chegando em 34. Aí fui selecionando pela qualidade, mas também em razão do tempo.
O título faz um trocadilho. No final, você como escritor acha que a tática mais mente ou a mente é a melhor tática? Acho que tem histórias dos dois tipos ali. Tem histórias que explicam a construção do time do ponto de vista mental, como a Alemanha de 1974 que venceu a Holanda na decisão e que era um time muito forte mentalmente, porque foi construído nas derrotas de 1966 e na vitória da Eurocopa de 72. É mente, é cabeça.
Tem histórias que em que tática mente, como a do técnico de Camarões em 1990. Ele era soviético, então tinha um tradutor. Só que esse cara traduzia tudo errado o que o técnico dizia. Então, isso, digamos é tática mente, é mentira. E tem histórias de tática mesmo, como a construção da seleção de 1970 do Brasil. Embora a gente fale muito da Holanda de 1974, é justo dizer que a seleção brasileira de 1970 é o grande divisor de águas, a grande revolução que o futebol mundial a partir desta década. Isso é tática.
Qual sua expectativa para essa Copa em relação à tática, à mente e toda a estrutura do Mundial? A parte da estrutura mente! (risos). Na questão da tática é difícil você ter uma revolução hoje, porque vemos futebol pela TV todos os dias e de todos os lugares do mundo, então é difícil você ter uma surpresa. Mas vamos ter times que vão precisar ser muito perfeitos do ponto de vista tático e físico; e uma coisa tem a ver com a outra, porque para você ocupar mais espaço no campo hoje, precisa estar fisicamente bem.
Não sei também como vai estar o coração, para ter um time ao mesmo tempo com cabeça no lugar e coração para tentar ganhar a Copa do Mundo num país que vai oferecer tanta diversidade, inclusive de climas. Para os jogadores vai ser uma Copa diferente. Vão jogar no quente e no frio, no seco e no úmido. E isso vai atrapalhar muito algumas seleções, principalmente as europeias.


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