Novo dossiê sobre censura na EBC indica avanço das "pautas proibidas"
A Comissão de Empregados da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), a Federação Nacional dos Jornalistas e sindicatos da categoria divulgaram nesta terça-feira, 5 de outubro, a nova edição do dossiê sobre casos de censura na EBC.
O documento aponta que, de agosto do ano passado até julho de 2021, foram relatados 161 casos de censura e 89 casos de "governismo" (conteúdos que veicularam apenas o ponto de vista do governo federal) em reportagens produzidas pela estatal.
Ainda de acordo com o dossiê, mais de 200 eventos do governo de Jair Bolsonaro interromperam a programação da TV Brasil, um dos veículos da EBC, no período. Eles ocuparam a grade da emissora por quase 160 horas.
Crédito:DivulgaçãoInformações obtidas via Lei de Acesso a Informação (LAI) e publicadas em agosto do ano passado revelam que sete militares da reserva ocupam postos de comando na EBC, recebendo, somados, R$ 146 mil por mês. Seis deles foram admitidos durante o governo do presidente Jair Bolsonaro.
Pautas mais censuradas
Matérias sobre a CPI da Covid no Senado, o acampamento indígena Terra Livre, as falhas na vacinação e sobre direitos LGBTQIA+ foram as mais censuradas.
Dentre os veículos da EBC, os mais censurados foram a TV Brasil (53,3% dos casos), Agência Brasil (25,7%), rádios ligadas à EBC (19,8%) e equipes de mídias sociais (1,2%).
Além de pautas que caíram, há relatos sobre cortes de trechos das reportagens. Em alguns casos, os repórteres que questionaram o motivo da censura receberam como resposta 'orientação dos superiores'.
Sobre a cobertura da CPI da Covid no Senado, o dossiê ressalta que foram vetados os depoimentos do ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, e do presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). "A própria escala da equipe que deveria acompanhar o andamento dos trabalhos da comissão deixou de ser feita, como se fosse algo irrelevante", prossegue o documento.
O documento também destaca a censura a notícias sobre o marco de 400 mil mortes por covid-19 no Brasil. O tema teria sido ignorado na esteira da tese governista de que medidas de contenção da pandemia poderiam prejudicar a economia.
Pautas sobre o impacto das queimadas e o desmatamento na Amazônia também teriam sido vetadas.





