Nove jornalistas são detidos em manifestções no Egito

Nove jornalistas são detidos em manifestções no Egito

Atualizado em 14/04/2008 às 14:04, por Redação Portal IMPRENSA.

Nove jornalistas, fotógrafos e operadores de câmara egípcios foram detidos nesta segunda-feira (14) na cidade de Mahallah Al Kubra, a cerca de 120 quilômetros ao norte do Cairo. A detenção realça as dificuldades de exercer a profissão de jornalista no país, onde o Governo tenta impedir a cobertura midiática das manifestações populares.

Confrontos intermitentes ocorreram durante toda a semana na sequência do protesto dos trabalhadores de uma fábrica têxtil de Mahallah Al Kubra, contra o aumento dos preços e os baixos salários.

Pelo menos duas pessoas, entre elas um rapaz de 15 anos que acompanhava as manifestações, foram mortas nos confrontos entre manifestantes e policiais. O Ministério da Informação declarou antes da greve geral de 6 de abril que haveria confronto entre os manifestantes e a Polícia.

"As agências do Ministério tomarão medidas firmes imediatas e necessárias contra qualquer tentativa de manifestação, de bloquear a circulação ou entravar o funcionamento do serviço público", advertiu o Ministério numa nota.

O Egito foi duramente afetado pela subida dos preços dos gêneros alimentícios. O Banco Mundial indica que a inflação nesse país aumentou excessivamente o custo da vida, em cerca de 50%, desde o início do ano.

Os bloggers egípcios estimam que essas recentes detenções demonstram que o Governo não quer "que se mostre imagens desta situação". No célebre blog "3 arabawy", do jornalista Hossam Al Hamalawy, os confrontos entre a Polícia e os cidadãos são denominados "intifada".

Pelo menos 20% da população de 80 milhões de habitantes vivem com cerca de dois dólares por dia. Face à estagnação dos salários, as greves eclodiram em todo o país.

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