Novas diretrizes de mídia aumentam repressão a comunicadores no Afeganistão

Artigo publicado esta semana pela Human Rights Watch (HRW) revelou que, em 23 de novembro, o Taleban divulgou novas diretrizes de mídia e intensificou a repressão contra jornalistas e comunicadores independentes no Afeganistão.

Atualizado em 26/11/2021 às 15:11, por Redação Portal IMPRENSA.


Desde que o grupo extremista tomou o poder, em 15 de agosto, mais de 150 veículos foram fechados no país.
Segundo a HRW, nos últimos dias as autoridades do Taleban elevaram o tom das ameaças contra jornalistas e passaram a impor novas regras aos órgãos e profissionais de imprensa, prejudicando especialmente as mulheres. Crédito: Reprodução Reuters As novas diretrizes foram impostas pelo Ministério para a Promoção da Virtude e Prevenção do Vício.
Ameaças de morte têm sido feitas sobretudo a jornalistas que criticaram o Taleban por exigir aprovação do conteúdo editorial antes de sua publicação.
As novas regras também determinam a maneira de se vestir das mulheres jornalistas na televisão e proíbem novelas e programas de entretenimento com atrizes e apresentadoras.
“Os novos regulamentos de mídia do Taleban e as ameaças contra jornalistas refletem esforços mais amplos para silenciar todas as críticas ao governo do país”, denuncia Patricia Gossman, diretora associada para a Ásia da HRW. “O desaparecimento de qualquer espaço de dissidência e o agravamento das restrições para as mulheres na mídia e nas artes são devastadores”, ela completa.
Ameaça de enforcamento

Vários jornalistas foram convocados por autoridades locais após a publicação de matérias sobre os abusos do Taleban. Um vice-governador disse a um comunicador independente que se ele transmitisse novas críticas ao Taleban em seu podcast, seria enforcado na praça da cidade.
Oficiais da inteligência do Taleban fortemente armados têm visitado redações e alertado jornalistas sobre as novas condutas, que incluem a proibição da própria palavra “Taleban”, que deve ser substituída por “Emirado Islâmico”.

Já a expressão "homem-bomba" deve sempre ser substituída por "mártir", segundo determinação do ministro do Interior, Sirajuddin Haqqani, que mantém o costume de homenagear as famílias dos homens-bomba.
O novo pacote de restrições do Taleban também tornou o hijab, cobertura na cabeça expondo só o rosto, obrigatório para mulheres jornalistas na televisão.
O Taleban também tem pressionado veículos de comunicação, especialmente em cidades menores, para que entrevistem porta-vozes do grupo e passem a transmitir versos do Alcorão no início dos programas jornalísticos.