Nova chance para renascer, por Gabriel Priolli
A EBC está com chefia nova. EBC quem?, pergunta-se a vasta maioria dos brasileiros, oito anos depois de criada a Empresa Brasil de Comunicação.
As razões desse quase anonimato começam no desinteresse do Palácio do Planalto, que nunca teve política definida para a mídia pública. Passam por limitações orçamentárias e entraves burocráticos, que consomem a energia de gestão da empresa. E envolvem também erros de enfoque, fragilidade administrativa e uma considerável timidez em ousar, correr riscos, da qual a pífia cobertura das “Jornadas de Junho”, em 2013, talvez seja o maior exemplo.
Enquanto todas as redes comerciais derrubaram a grade de programação normal para transmitir ao vivo o movimento das ruas, a TV Brasil da EBC manteve-se em sua bocejante rotina e na completa irrelevância. A emissora tinha tudo para cobrir e debater, em tempo integral, com profundidade, os eventos que sacudiam o país. E fugiu dessa responsabilidade.
Mas a EBC está com chefia nova e isso renova esperanças. A diretoria liderada pelo presidente Américo Martins é, quase toda, formada por experientes jornalistas, calejados na mídia eletrônica e impressa, com passagens por grandes veículos. Tem competência de sobra para enfrentar o desafio de dar significado à TV Brasil, às várias emissoras de rádio, à Agência Brasil, e tornar esses veículos públicos conhecidos e prestigiados pelos brasileiros.
A importância de uma mídia pública forte e atuante só aumenta. Nesse cenário de uma crise política e econômica, e de uma mídia privada que não cumpre a contento a tarefa de cobri-la e discuti-la - seja porque o seu próprio modelo de negócios está em crise, seja porque optou pelo “pensamento único” do neoliberalismo – uma mídia pública plural, equilibrada e aberta ao diálogo franco é cada vez mais necessária.
Apenas a mídia pública pode ser efetivamente a mídia de todos e para todos. Somente ela pode garantir a multiplicidade de informações, visões e pontos de vista que expressam o país complexo que temos hoje. Somente ela pode colocar o Brasil efetivamente em debate democrático, sem vetar temas e discriminar fontes. Esse é o seu papel social e estamos dramaticamente precisados dele.
Os desavisados e os mal-intencionados sempre confundirão mídia pública com imprensa governista e buscarão desqualificá-la. Alguns tentarão instrumentalizá-la, em favor dos governos que circunstancialmente controlem seus veículos. Mas esses inconsequentes serão vencidos quando a mídia pública demonstrar, com seriedade e isenção, a sua utilidade para todos os brasileiros. Que a nova gestão da EBC tenha sucesso nisso.






