"Nosso guia de autorregulamentação é um contrato de credibilidade", diz diretor da RBS
Na última sexta-feira (9), o Grupo RBS lançou a nova versão do seu "Guia de Ética e Autorregulamentação Jornalística", durante pal
Atualizado em 12/12/2011 às 12:12, por
Luiz Gustavo Pacete.
Na última sexta-feira (9), o Grupo RBS lançou a nova versão do seu "Guia de Ética e Autorregulamentação Jornalística", durante palestra especial que contou com a presença do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Carlos Ayres Britto. O documento, criado originalmente em 1994, está dividido em 52 páginas e tem como objetivo informar o público externo sobre os princípios editoriais da RBS; anteriormente, o guia passou por outras atualizações.
Para Nelson Sirotsky, presidente do grupo, o guia evidência a postura da empresa com relação à defesa da liberdade de imprensa. "Nós somos defensores intransigentes da liberdade de imprensa e de expressão. Nosso novo Guia de Ética e Autorregulamentação Jornalística foi elaborado como uma ferramenta para avançarmos, ainda mais, na transparência com o público, e na forma como fazemos comunicação e jornalismo".
Wan Infra Divulgação Marcelo Rech
Em entrevista à IMPRENSA, o jornalista Marcelo Rech, diretor-geral de conteúdo da RBS, ressaltou a importância de documentar os princípios editoriais do grupo e ter um norte editorial concreto. Rech também fala sobre as principais motivações para a atualização do guia. Para ele, a credibilidade será "o diferencial das grandes empresas de conteúdo".
A NOVA VERSÃO DO GUIA DE ÉTICA QUE VOCÊS LANÇARAM NA ÚLTIMA SEXTA (9) TEM INFLUÊNCIA DA TV GLOBO? [A EMISSORA DA QUAL A RBS É PARCEIRA LANÇOU, EM AGOSTO, SUA CARTA DE PRINCIPIOS EDITORIAIS]
Não teve influencia da TV Globo. Esse não é o primeiro guia que a RBS lança. Na verdade, é uma evolução dos anteriores. Nosso primeiro guia foi criado em 1994 e era inspirado no "Guia de Ética e Redação da Zero Hora". Na época, eu era editor-chefe e de uma maneira pioneira o documento já previa temas relacionados à internet. Ele chegou a ser vendido nas livrarias e serviu como um guia para vários outros jornalistas. Críamos esse guia pela convicção que tínhamos de levar nossos princípios éticos para a rua. Em 2004, ele passou por novas alterações e já ganhou um teor multimídia. Em 2007, fizemos uma nova versão e agora, em 2011, concluímos uma atualização ainda mais concreta.
QUAIS AS PREMISSAS DESSA NOVA VERSÃO DO GUIA?
A discussão sobre o que incorporar ao nosso guia chega a fazer parte do cotidiano do grupo e vem sendo travada há muito tempo. É um questionamento diário sobre os princípios que regem a linha editorial da RBS. O que eu destaco como importante é o capítulo sobre comunicação digital, que inclui nosso posicionamento em redes sociais. Outra questão é a opinião, como lidar com ela. Tem outro assunto que é a publicidade e nossa maneira de expressá-la. Resumindo: são ferramentas e mecanismos de autorregulamentação que norteiam nossa relação com o público e fontes.
DE QUE FORMA VOCÊS DETERMINAM AQUILO QUE É OU NÃO RELEVANTE PARA COMPOR O GUIA?
Esse tipo de guia é construído a partir das situações e dilemas que nós travamos. A primeira grande fonte para isso são nossas discussões diárias. Os repórteres, editores e integrantes do comitê editorial contribuem para esse processo. Outra coisa que fazemos é levar em consideração as discussões travadas em congressos e seminários, sobretudo temas relacionados à mídia digital. Tentamos manter um alinhamento com os preceitos da Unesco e da Associação Nacional dos Jornais (ANJ), principalmente no que tange à autorregulamentação.
ESSE TIPO DE INICIATIVA CONSEGUE DAR MAIS SERIEDADE À DISCUSSÃO SOBRE A REGULAÇÃO DA MÍDIA NO PAÍS?
Essas iniciativas contribuem para que todo o esforço que possa ser feito em termos democráticos com relação à liberdade de imprensa seja visto com otimismo. Mas, o grande norte é a questão da credibilidade, esse é um fator diferenciador das organizações de comunicação. Produzir informação, hoje, é uma atividade que qualquer um pode exercer na prática, seja por meio de um blog, do Twitter, do Facebook, ou de um site. Portanto, não existe mais o que chamamos de 'barreiras de entrada', todos produzem em todos os lugares. As organizações profissionais vão se distinguir pelo fator diferenciador da credibilidade, um aval de que a informação está fora do risco de contaminação de interesses segmentados. Com tanta informação produzida, as empresas de conteúdo precisarão se distanciar deste oceano e, para isso, credibilidade é fundamental. A base do guia é um contrato de credibilidade.
QUAIS OS DESAFIOS DO GRUPO COM RELAÇÃO AO ATUAL MOMENTO DA PRODUÇÃO DE CONTEÚDO?
Eu diria que o grande desafio do jornalismo profissional é encontrar um modelo de sustentação que garanta qualidade e independência no futuro. Um modelo de remuneração pela qualidade de conteúdos diferenciados. Para isso, a percepção do público e dos anunciantes é muito relevante. O grande desafio de todos é o modelo de sustentação do jornalismo de qualidade. A plataforma será um mero detalhe, tanto faz se é rádio, televisão, jornal impresso, tablet ou celular. O fundamental é assegurar um modelo de jornalismo profissional que tenha o fator de credibilidade como premissa.
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Para Nelson Sirotsky, presidente do grupo, o guia evidência a postura da empresa com relação à defesa da liberdade de imprensa. "Nós somos defensores intransigentes da liberdade de imprensa e de expressão. Nosso novo Guia de Ética e Autorregulamentação Jornalística foi elaborado como uma ferramenta para avançarmos, ainda mais, na transparência com o público, e na forma como fazemos comunicação e jornalismo".
Wan Infra Divulgação Marcelo Rech
Em entrevista à IMPRENSA, o jornalista Marcelo Rech, diretor-geral de conteúdo da RBS, ressaltou a importância de documentar os princípios editoriais do grupo e ter um norte editorial concreto. Rech também fala sobre as principais motivações para a atualização do guia. Para ele, a credibilidade será "o diferencial das grandes empresas de conteúdo".
A NOVA VERSÃO DO GUIA DE ÉTICA QUE VOCÊS LANÇARAM NA ÚLTIMA SEXTA (9) TEM INFLUÊNCIA DA TV GLOBO? [A EMISSORA DA QUAL A RBS É PARCEIRA LANÇOU, EM AGOSTO, SUA CARTA DE PRINCIPIOS EDITORIAIS]
Não teve influencia da TV Globo. Esse não é o primeiro guia que a RBS lança. Na verdade, é uma evolução dos anteriores. Nosso primeiro guia foi criado em 1994 e era inspirado no "Guia de Ética e Redação da Zero Hora". Na época, eu era editor-chefe e de uma maneira pioneira o documento já previa temas relacionados à internet. Ele chegou a ser vendido nas livrarias e serviu como um guia para vários outros jornalistas. Críamos esse guia pela convicção que tínhamos de levar nossos princípios éticos para a rua. Em 2004, ele passou por novas alterações e já ganhou um teor multimídia. Em 2007, fizemos uma nova versão e agora, em 2011, concluímos uma atualização ainda mais concreta.
QUAIS AS PREMISSAS DESSA NOVA VERSÃO DO GUIA?
A discussão sobre o que incorporar ao nosso guia chega a fazer parte do cotidiano do grupo e vem sendo travada há muito tempo. É um questionamento diário sobre os princípios que regem a linha editorial da RBS. O que eu destaco como importante é o capítulo sobre comunicação digital, que inclui nosso posicionamento em redes sociais. Outra questão é a opinião, como lidar com ela. Tem outro assunto que é a publicidade e nossa maneira de expressá-la. Resumindo: são ferramentas e mecanismos de autorregulamentação que norteiam nossa relação com o público e fontes.
DE QUE FORMA VOCÊS DETERMINAM AQUILO QUE É OU NÃO RELEVANTE PARA COMPOR O GUIA?
Esse tipo de guia é construído a partir das situações e dilemas que nós travamos. A primeira grande fonte para isso são nossas discussões diárias. Os repórteres, editores e integrantes do comitê editorial contribuem para esse processo. Outra coisa que fazemos é levar em consideração as discussões travadas em congressos e seminários, sobretudo temas relacionados à mídia digital. Tentamos manter um alinhamento com os preceitos da Unesco e da Associação Nacional dos Jornais (ANJ), principalmente no que tange à autorregulamentação.
ESSE TIPO DE INICIATIVA CONSEGUE DAR MAIS SERIEDADE À DISCUSSÃO SOBRE A REGULAÇÃO DA MÍDIA NO PAÍS?
Essas iniciativas contribuem para que todo o esforço que possa ser feito em termos democráticos com relação à liberdade de imprensa seja visto com otimismo. Mas, o grande norte é a questão da credibilidade, esse é um fator diferenciador das organizações de comunicação. Produzir informação, hoje, é uma atividade que qualquer um pode exercer na prática, seja por meio de um blog, do Twitter, do Facebook, ou de um site. Portanto, não existe mais o que chamamos de 'barreiras de entrada', todos produzem em todos os lugares. As organizações profissionais vão se distinguir pelo fator diferenciador da credibilidade, um aval de que a informação está fora do risco de contaminação de interesses segmentados. Com tanta informação produzida, as empresas de conteúdo precisarão se distanciar deste oceano e, para isso, credibilidade é fundamental. A base do guia é um contrato de credibilidade.
QUAIS OS DESAFIOS DO GRUPO COM RELAÇÃO AO ATUAL MOMENTO DA PRODUÇÃO DE CONTEÚDO?
Eu diria que o grande desafio do jornalismo profissional é encontrar um modelo de sustentação que garanta qualidade e independência no futuro. Um modelo de remuneração pela qualidade de conteúdos diferenciados. Para isso, a percepção do público e dos anunciantes é muito relevante. O grande desafio de todos é o modelo de sustentação do jornalismo de qualidade. A plataforma será um mero detalhe, tanto faz se é rádio, televisão, jornal impresso, tablet ou celular. O fundamental é assegurar um modelo de jornalismo profissional que tenha o fator de credibilidade como premissa.
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