Nossa senhora Aparecida!

Crédito:Leo Garbin A expressão, codificada pela oralidade aqui no Brasil, significa “mulher de todos nós”. Ou seja, “senhora” significa “mulher”, e “nossa” significa “de todos nós”.

Atualizado em 05/08/2013 às 16:08, por Rodrigo Viana.

pela oralidade aqui no Brasil, significa “mulher de todos nós”. Ou seja, “senhora” significa “mulher”, e “nossa” significa “de todos nós”. O leitor deve estar se perguntando por que o colunista está iniciando sua crônica de jornalismo esportivo falando sobre a padroeira do Brasil.
Nossa Senhora! Explico. Não foram poucas as vezes em que o futebol se misturou com a religião por aqui ou mesmo em outra parte do mundo. O exemplo mais emblemático talvez tenha ocorrido na final da Copa de 1958, na Suécia, na conquista do primeiro título mundial do nosso futebol.
O sorteio para o jogo final – entre Brasil e Suécia – apontava que a Suécia jogaria de amarelo. Foi preciso comprar às pressas um jogo de camisas numa loja de Estocolmo. Como ninguém havia previsto a necessidade de um segundo uniforme, a cor escolhida foi a azul, e o chefe da delegação à época, Paulo Machado de Carvalho, animou os jogadores mais supersticiosos dizendo que aquela era a cor do manto de Nossa Senhora Aparecida.
Os escudos foram arrancados das camisas amarelas e bordados nas azuis. E foi com elas que a Seleção Brasileira conquistou o seu primeiro título mundial. E a camisa azul ficou sendo o segundo uniforme da Seleção e assim é até hoje.
Nossa Senhora! Excluindo o lado supersticioso da história e sem querer fazer nenhuma espécie de proselitismo religioso, retomo à Santa porque uma imagem recente do nosso futebol chamou-me a atenção.
No último dia 10 de julho, quando o Atlético Mineiro, heroicamente, classificou-se para a final da Taça Libertadores da América, o técnico Cuca, vestido com uma camisa que tinha a imagem da Santa Padroeira, ficou a maior parte do tempo ajoelhado durante as cobranças de pênaltis que decidiram o jogo. Depois da partida, falou da fé na Santa: “Nossa Senhora está comigo sempre. Foi também a fé que nos levou hoje”, disse às dezenas de microfones que o entrevistavam.
Não bastasse isso, Cuca ainda comentou a paralisação do jogo na etapa final por causa de uma queda de luz no estádio, fator que colaborou para a vitória de sua equipe. Também creditou ao sobrenatural o acontecido: “A parada foi divina mesmo. A gente estava mal no jogo, o jogo estava amarrado, e a gente estava sem oferecer perigo”.
Acho interessante como, num país em que o futebol movimenta tantos interesses e cifras inimagináveis, o intangível da fé – neste caso materializado na santa – esteja sempre presente. Prova de que nem tudo está perdido ou, pra entrar no espírito da coisa, de que a fé pode remover as montanhas de dinheiro e estufar as redes. Nossa Senhora!