"Nós queremos mudar a cara que os quadrinhos têm no Brasil", declaram irmãos Bá e Moon
"Nós queremos mudar a cara que os quadrinhos têm no Brasil", declaram irmãos Bá e Moon
Responsáveis pela nova seção de Histórias em Quadrinhos da revista Época São Paulo , os irmãos gêmeos Fábio Moon e Gabriel Bá não cansam de contar a trajetória de suas vidas que os levou a assumir, juntos, o risco de se aventurar no mercado das HQs. Apesar de terem ganhado grande reconhecimento entre o público internacional, eles esperam que seus trabalhos possam, finalmente, atingir os brasileiros que, segundo Gabriel, ainda desconhecem a arte.
Começando com uma obra em que retrataram suas próprias vidas, os artistas, que também embarcam no mundo da ficção, garantem que a inspiração vem de todos e qualquer lugares. "Depois que temos alguma idéia - que pode surgir a qualquer momento, inspirada por algo que vemos na rua, ouvimos numa conversa, lemos num livro, qualquer coisa - e desenvolvemos a história, decidimos quem vai desenhar dependendo do tipo da história e qual estilo combina mais com ela. Ou também quem está mais livre pra fazer aquela história.", explica Gabriel, sobre quem faz o que na hora de colocar as mãos na massa.
| Gabriel Bá |
O que é divertido e interessante ao ser lido, exige a grande dedicação dos irmãos, que abriram mão do descanso e sossego para se manterem firmes no que fazem. "Nós queremos mudar a cara que os Quadrinhos têm no Brasil, mudar a cara do quadrinhista e, pra isso, nós levamos muito a sério e colocamos o trabalho em primeiro lugar, sacrificando horas de sono, finais de semana, férias. Não vamos ficar esperando as coisas mudarem, vamos mudá-las", explica Bá.
O maior reconhecimento de suas carreira veio neste ano com a conquista de "Melhor Antologia", do Eisner Awards, nos Estados Unidos, considerado o Oscar dos quadrinhos. Na ocasião, a obra "5", produzido com mais três artistas, foi o destaque, além de outras duas vitórias - de "Melhor Série Limitada", com "The Umbrella Academy", por Gerard Way e Gabriel Ba; e de "Melhor Quadrinho Digital", com "Sugarshock", por Joss Whedon e Fábio Moon.
| Fábio Moon |
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Trabalhando com o que sempre quiseram fazer, acumulam um total de 13 prêmios, conquistados no decorrer dos últimos 11 anos, começando em 1999, com o de "Melhor Fanzine", do HQ Mix, com o título "10 Pãezinhos", o primeiro lançamento oficial de suas carreiras. A dupla, que produzia e produz seus desenhos em conjunto, considera que, a partir desse material, originalmente feito em 1997, é que começou a vida de quadrinhistas. "Acho que nossa carreira começou com ele, pois estávamos contando nossas próprias histórias, fazendo o que sempre quisemos fazer e foi quando o mundo nos descobriu e nós descobrimos nosso caminho", disse Gabriel.
Sobre a inédita publicação na revista Época São Paulo , os irmãos a encararam como uma oportunidade única de divulgar o trabalho primeiro no Brasil, "para dialogar com o público nacional e atingir um público maior do que o que temos com os nossos livros". Essa, segundo Gabriel, seria a "chance de fazer histórias mais específicas, mais regionais, para um público que não costuma ler quadrinhos, e que talvez ainda nem leiam e pulem nossa página".
| Fábio Moon |
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Eles, que mantêm um direcionado para o público brasileiro, deixam todos a par das novidades que envolvem seus trabalhos. Atualmente, Gabriel supervisiona a produção de bonecos, em PVC, de personagens dos quadrinhos "The Umbrella Academy". Isso, para ele, é "reflexo de um trabalho que atinge as pessoas e é muito gratificante". Eles agora esperam que seus títulos cheguem, todos, em breve, no Brasil. O problema, frisado por Gabriel, é que tudo depende das negociações entre as editoras.
"Gostaria que os Quadrinhos estourassem a "bolha" e atingissem um público mais amplo, pois é uma linguagem maravilhosa onde podemos ter histórias belíssimas e interessantes contadas e só o que falta são mais pessoas descobrirem isso.", finaliza Bá.
| Fábio Moon |
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