“Nós precisamos de jornalistas que se adaptem à nova realidade digital”, afirma Camila Marques, da Folha

O mundo está mudando de forma cada vez mais rápida, a chamada revolução 4.0 chegou para mudar tudo aquilo que conhecíamos, até mesmo o jeitode fazer jornalismo.

Atualizado em 03/10/2019 às 13:10, por Isabella Arruda e  da Universidade São Judas Tadeu.


O evento trouxe luz às mais novas tecnologias na área da comunicação, procurando discutir o papel do jornalista dentro deste futuro tecnológico. Foram levantadas questões importantes, como se a profissão deixará de existir. Bom, de acordo com os especialistas convidados, a resposta é unânime, não! Podemos esperar uma automatização do serviço, mas nada que substitua o profissional, e foi justamente isso que a primeira call do dia procurou elucidar.
Com o tema “IA no Jornalismo – o que temos e o que virá”, Laura Ellis, diretora de inovação tecnológica da BBC, apresentou direto de Londres o que se tem feito na emissora britânica e os atuais avanços da tecnologia. Ela acredita que com os usos das novas ferramentas “os jornalistas terão mais tempo de explorar novas pautas e se aprofundar nos temas que escolheram tratar”.
Crédito:Geovana Miranda e Hellen Cerqueira
O primeiro painel sobre “O algoritmo em casa – como a IA já está presente nas redações pelo mundo” contou com Camila Marques, Editora de Digital e Audiência na Folha de S.Paulo, Leonardo Cruz, Editor coordenador de digital do Estadão, e Daniel Flynn, Editor na América Latina para a Thomson Reuters, com a mediação de Leão Serva, diretor de jornalismo da TV Cultura.
Esse painel debateu como as redações têm implementado a Inteligência Artificial aqui no Brasil, algo que ainda está em fase inicial. Camila Marques diz que “na Folha, tem se usado para casos específicos como análises humanas ou recomendações de leitura”. No Estadão, Leonardo Cruz explica “que os usos são bem parecidos com os da Folha, utilizando ferramentas de paywall e de recomendações de leitura”.

Ainda sobre a questão da substituição de jornalistas por máquinas, Camila disse que “vagas serão perdidas, mas dezenas de outros cargos serão criados. Nós precisamos de jornalistas que se adaptem à nova realidade digital”. A próxima call veio para conectar os paineis anteriores. Com o tema “Ética e Leis na Era de Robôs e Inteligência Artificial”, Eduardo Magrani, Ph.D. e Vice-Presidente do Instituto Nacional de Proteção de Dados Pessoais, explica que, com os avanços tecnológicos, é necessário que sejam criados novos códigos e leis que regulamentem os possíveis responsáveis por essas máquinas e por quaisquer problemas que elas possam causar. Este é um campo muito novo de discussão e tudo ainda está sendo construído.
Crédito:Geovana Miranda e Hellen Cerqueira
Já no painel “O algoritmo informado – como IA pode ajudar a combater a desinformação”, o debate gira em torno de um dos assuntos mais discutidos do ano, as fake news e os perigos da desinformação. Estiveram presentes Tai Nalon, Diretora executiva e co-fundadora do Aos Fatos, Renato Cruz, Editor do inova.jor, Paulo Henrique Castro, Diretor de Tecnologia, P&D da TV Globo, mediados por Flávio Ferrari, diretor do Copenhagen Institute for Futures Studies (Brasil).
Tai Nalon falou sobre o trabalho da Fátima, a robô checadora do Aos Fatos, que é utilizada no processo de checagem de dados no Facebook e no Twitter, com a identificação de pessoas que compartilham conteúdo falso, possibilitando um alerta. Ela destaca que as pessoas se sentem mais confortáveis quando lidam com um robô, pois não se sentem julgadas.
Outro ponto interessante levantado pela jornalista foi que “informações falsas se tornam mais um problema no combate a desinformação, e por isso devemos aprender a lidar com as fake news como lidamos com os vírus”, pois é provável que elas sempre existam, mas com munição podemos combate-las.
As tecnologias ainda precisam avançar no combate às informações falsas, pois 60% do trabalho ainda é feito por humanos, já que as máquinas ainda não entendem nuances e sim padrões.
Paulo Henrique contou um pouco mais sobre o departamento de tecnologia da Rede Globo, e destacou que “o laboratório tem a função de pesquisar tecnologias e colocá-las a serviço do negócio, do entretenimento e do jornalismo”. Só que nem sempre essas tecnologias são usadas, como é o caso da âncora virtual AIDA, projeto apresentado em uma feira de tecnologia que gerou muito burburinho. Ele explica que “A AIDA representa o que é possível ser feito, a gente ainda não sabe se vai ser usado, mas é um projeto”.
Crédito:Geovana Miranda e Hellen Cerqueira
O quarto painel foi “O algoritmo tupiniquim – o que o Brasil já produz de IA e como cobrir o setor”, e para a discussão foram convidados Alessandra Montini, Diretora do LabData da FIA e Professora FEA/USP, Lilian Ferreira, Editora-chefe do VivaBem e Tilt no UOL, Carmelo Laria, Fundador e CEO na The AI Academy, com a mediação do Jornalista e apresentador da TV Globo, Zeca Camargo.
Alessandra começou destacando que inteligência artificial não é uma coisa nova no Brasil. “Nós já tínhamos algoritmos em 1950. Os cientistas ficavam espalhados pelo Brasil nas grandes universidades fazendo teoria, mas não conseguiam testar”. Ela também conta que existe muita coisa interessante sendo produzida no país, mas que não existe muito investimento do setor público na área e que o que tem sido feito de destaque vem por meio da iniciativa jovem, em universidades ou com surgimento de startups.
Já Lilian comenta sobre a importância de se ter um canal como o Tilt do UOL, que vem com o objetivo de desmistificar essa área que causa tanto receio.
O último painel “O algoritmo financeiro – a IA vai aumentar receitas e reduzir redações?” contou com Marcelo Trindade, Sócio Neuromath IA e Engenheiro de Machine Learning na Gazeta do Povo e Felipe Grantham, Especialista em Marketing Digital da Gazeta do Povo para a apresentação do case “Machine Learning para aumento da conversão”.
Participaram também do debate Beatriz Ayrosa, Cofundadora da Becabiz e diretora da ABRADI e Caio Túlio, CEO da Torabit. A mediação ficou por conta do curador do evento, o jornalista Lúcio Mesquita.
O painel buscou trazer o debate de como se pode ganhar dinheiro com as novas tecnologias no jornalismo, desmistificando a ideia de que dinheiro não é coisa de jornalista. Lúcio Mesquita destaca a importância de se debater a inteligência artificial no jornalismo. “A importância está em duas áreas. A primeira é a gente saber como ela pode ajudar e impactar o jornalismo, o que ela pode fazer com a gente na redação, e também como podemos nos vacinar contra o risco de compartilhar notícias falsas. E o outro lado é como contar a história da inteligência artificial, explicando para o público e eliminando certos mitos, sendo a mídia o melhor canal de engajamento para essa tarefa”.
*Isabella Arruda é estudante na Universidade São Judas Tadeu. Para a cobertura do , IMPRENSA estabeleceu uma parceria com universidades e professores por meio do projeto "Embaixador IMPRENSA" - uma iniciativa do Portal IMPRENSA que reúne estudantes de Comunicação para um intercâmbio de informações e experiências.