Nós adoramos nossas estagiárias

Nós adoramos nossas estagiárias

Atualizado em 04/07/2008 às 18:07, por Rodrigo Manzano.

Na faculdade onde dou aulas, é muito recorrente ouvir dos alunos as mais diversas queixas sobre o estágio que desenvolvem em redações ou assessorias de imprensa. As reclamações são as mais diversas: o excesso de trabalho, a sobrecarga de funções, o exercício de atividades que em nada lembram a atividade jornalística, a falta de tempo para os estudos e, a mais recorrente delas, o absoluto desprezo dos superiores pelo valor que eles podem agregar ao cotidiano da empresa ou do veículo. Em geral e muito cedo, muitos deles desenvolvem síndromes de profissionais adultos já cansados da carreira. Não à toa, alguns desistem da carreira antes mesmo de começar nela os primeiros passos. Os chefes mais cínicos adoram.

Aqui na IMPRENSA, ao contrário, adoramos nossas estagiárias - por motivos muito diferentes dos do Paulo Lima, da Trip, que adora ver suas pupilas estampando as capas das revistas e exibindo os atributos supraprofissionais, digamos. Adoramos nossas estagiárias porque elas nos mostram que é possível acreditar num jornalismo melhor que o nosso, e melhor ainda que o dos que nos antecederam.

Nunca me agradou muito a idéia de que as gerações mais antigas foram melhores que as atuais. O problema, é preciso dizer, não se trata de idade. O problema é de competência e se entraram na história os jornalistas bons, os bons de nossa geração certamente estarão na memória das futuras gerações também como exemplos. Quando nos confrontamos com a dedicação, a inteligência, o envolvimento e a capacidade de renovação das quatro meninas que compõem as equipes da revista e do portal IMPRENSA, grita em nós a crença de que algo pode melhorar no jornalismo dos nossos dias, porque como elas, há muitos outros jovens jornalistas com talento.

Eu pertenço a uma geração bastante medíocre de jornalistas. Basta conversar com os coleguinhas que alcançaram os trinta e poucos anos, reféns da pobreza de espírito da década de 1980, da falta de parâmetros nos anos 1990 e do pessimismo dos anos 2000. Talvez por isso eu não tenha amigos jornalistas, porque os contemporâneos meus, com raras exceções, são sólidos como um balão de ar e chatos como evangelistas de si mesmos.

Quando vejo as promessas acopladas aos jovens futuros jornalistas - diferentemente dos apocalípticos que adoram alardear a decadência do mundo - imagino que eles contribuirão muito mais para uma imprensa democrática, livre e criativa. É essa a única razão que me estimula, por exemplo, acordar cedo e dar aulas. Ou a ouvir atentamente a opinião das meninas da IMPRENSA nas reuniões de pauta.

PS .: Essa coluna é dedicada a Ana Ignácio, Érika Valois, Karina Padial e Marina Dias, as meninas da IMPRENSA.