No Limão, uma limonada

No Limão, uma limonada

Atualizado em 10/07/2008 às 15:07, por Fabrício Teixeira / Fotos: Adolfo Vargas.

Por Ricardo Gandour é um dos três pilares do Grupo Estado, uma das mais tradicionais empresas de comunicação no país

Ele cresceu dentro de uma redação de jornal, que pertenceu a sua família, no interior de São Paulo. Desde sempre, foi o filho que se interessou pelos negócios e aos 10 anos já acompanhava os passos do pai, que também era proprietário de um cinema. O prematuro estágio levou Ricardo Gandour aos comandos estratégicos nos mais importantes grupos de comunicação do país, a começar pela Folha de S.Paulo , onde iniciou sua carreira como repórter, chegando à direção, depois nas Organizações Globo, quando integrou a equipe do Diário de São Paulo e, agora, no Grupo Estado, ao assumir o cargo de Diretor de Conteúdo e responder pela produção jornalística em todas as mídias que compõem as empresas dos Mesquita - os jornais O Estado de S. Paulo , Jornal da Tarde , Agência Estado, os produtos na internet e a rádio Eldorado.

O aprendizado nos negócios familiares - muito antes de terminar os cursos de Engenharia Civil e Jornalismo - decerto o capacitaram a lidar com os novos modelos de gestão nas empresas de comunicação e jornalismo, em especial no Grupo Estado. Como Diretor de Conteúdo, Gandour divide as decisões da empresa em um triunvirato - os outros dois diretores, de Opinião (assento herdado por Ruy Mesquita, por ora reservado à família proprietária) e de Administração e Negócios, sob o comando de Célio Santos - que se reúne a cada dois meses com o conselho acionista do Grupo.

Com a última reforma do Estadão , em 2004, o projeto gráfico ganhou leveza e agilidade. Seu conteúdo foi repensado e a busca atual é pelo texto mais profundo, ao mesmo tempo envolvente e integrado à web. As mudanças, segundo as "variáveis de mercado", indicam que na base de leitores do Estadão aumentou consideravelmente o número de mulheres e jovens. Leitores que formam a base qualificada do Grupo Estado, que desde sempre focou forças no poder deste grupo de pessoas, sem menosprezar ou tirar a importância do jornalismo mais popular.

A reviravolta no modelo de gestão empresarial do Estado alterou profundamente a maneira como a família e as redações pensavam o destino do jornal, mas, ao que parece, os valores do Estadão - um dos mais tradicionais jornais brasileiros - permanecem. Difícil não encontrar, duas décadas depois, semelhanças entre a maneira como pensa Ricardo Gandour e as declarações dadas por Júlio de Mesquita Neto na revista IMPRENSA, em 1988. Sinal que o DNA dos Mesquita persiste nos negócios da família, apesar de todas as dificuldades do setor, das transformações do mercado, do jornalismo e da gestão empresarial nesses últimos anos. Souberam, fazer, no Limão [bairro onde está a sede do Grupo], uma limonada.

Leia entrevista completa na edição 236 de IMPRENSA