No futebol, até eu dou palpites
No futebol, até eu dou palpites
Atualizado em 15/04/2010 às 18:04, por
Lucia Faria.
Desculpem, mas hoje vou escrever sobre um assunto que não entendo nada: futebol. Então, se você é um apaixonado pelo tema, melhor parar a leitura por aqui para não se irritar. Depois não diga que não avisei. Sou santista e, como todos, encantada com os chamados Meninos da Vila. Pelo o que sei, leio e pouco vejo (confesso), essa turminha resgatou o prazer dos torcedores de qualquer time em assistir a uma bela partida de futebol. Eles comemoram com prazer, irritam os adversários com suas jogadas cheias de boa malandragem, são jovens e têm um futuro brilhante pela frente.
E é justamente nesse ponto que começo a palpitar. No futebol, a gente tem de aprender a viver e curtir o hoje, pois amanhã esses jovens estarão espalhados pelo mundo enchendo os bolsos com milhões antes dos 20 anos de idade. Também antes de completar duas décadas de vida, eles terão conhecido a fama, o prestígio e o deslumbramento. Os possíveis zeros tirados nos boletins significarão nada frente aos zeros do extrato bancário.
Jornais, revistas e programas de TV enaltecem sua ascensão de uma forma insistente, como se os deuses tivessem estacionado sua nave na Vila Belmiro. Recentemente, Jô Soares fez um especial dedicado a eles, prestígio poucas vezes visto no programa. O que se viu na tela foi um grupo alegre, jovem e que mal sabe responder às perguntas. Acho que só fanáticos e insones conseguiram segurar o bocejo aquela noite. O Jô tentou, mas nenhum assunto rendeu mais do que risadas e firulas. Nem sei se um media training adiantaria algo, pois a base é fraca demais.
Assim como todos, eu também vibrei com o surgimento desse grupo em campo. Até que um dia, bem recentemente, alguns deles se recusaram a entrar numa instituição responsável por cuidar de crianças com paralisia cerebral. Motivo: muitos são evangélicos e a casa é mantida por um grupo espírita. Fiquei chocada com tamanho despreparo e ignorância. O assunto rendeu debates em programas de TV, colunas nos jornais, enfim.... os meninos foram obrigados a reconhecer o erro e pedir desculpas. Esse fato não teria acontecido se eles tivessem sido preparados antes de se expor em público, seja por um profissional de Relações Públicas ou até mesmo por um dirigente. Não dá para imaginar que eles estejam aptos a encarar algo que, de fato, não estão. Jovens, com ascensão fulminante, ricos da noite para o dia, alguns sem suporte educacional. O que esperar desses meninos, fora um futebol brilhante? Além de nutricionistas, fisioterapeutas e médicos, deveriam ser preparados também para se tornar grandes cidadãos.
Cresci vendo Pelé. Não nos campos, mas nas ruas de Santos. Ao ir para o ginásio, frequentemente encontrava o rei na porta da Faculdade de Educação Física conversando com os colegas. Já tinha a famosa Mercedes-Benz chapa 1000 em comemoração aos seus golaços. Era famoso mundialmente, rico e cortava o cabelo no mesmo salão há anos, num barbeiro sem glamour na cidade. Todos nós sabíamos onde ele morava e nos orgulhávamos de mostrar a casa de Pelé aos parentes vindos de fora. Mas nunca vi aglomeração na porta de sua residência, nem fotógrafos fazendo plantão para pegar alguma cena particular.
Anos mais tarde, já no final da década de 1970, dividíamos o espaço na praia com jogadores do Santos F.C. Um deles namorava uma Miss Brasil da época, outro era uma promessa que não aconteceu devido a lesões no joelho. Capa de Placar e tudo o mais, porém, colegas de praia. Os tempos eram outros, a mídia era outra, os lucros eram outros.
Afinal, o que pretendo dizer com tudo isso?
1 - Que estou muito feliz em saber que meu time tem chances reais de ser campeão da Copa do Brasil.
2 - Que lamento muito por não contar com esse time no próximo campeonato, já que cada um estará num canto qualquer do mundo. Robinho foi muito claro ao dizer ao Jô Soares que seu time de coração é o Robinho Futebol Clube. Recado entendido.
3 - Que torço para que esses jovens reflitam sobre seu papel no mundo. Solidariedade não deve ser confundida com prática religiosa.
4 - Que acho absurdo darem tanta importância e tanto dinheiro a jogadores, cartolas e sanguessugas do futebol.
Mas quer saber? Se eu tivesse tido um filho torceria para ele se tornar jogador. Seria minha chance real de ficar rica. Porque como jornalista e, agora, empreendedora do setor, não tem jeito. Que venham os gols!
E é justamente nesse ponto que começo a palpitar. No futebol, a gente tem de aprender a viver e curtir o hoje, pois amanhã esses jovens estarão espalhados pelo mundo enchendo os bolsos com milhões antes dos 20 anos de idade. Também antes de completar duas décadas de vida, eles terão conhecido a fama, o prestígio e o deslumbramento. Os possíveis zeros tirados nos boletins significarão nada frente aos zeros do extrato bancário.
Jornais, revistas e programas de TV enaltecem sua ascensão de uma forma insistente, como se os deuses tivessem estacionado sua nave na Vila Belmiro. Recentemente, Jô Soares fez um especial dedicado a eles, prestígio poucas vezes visto no programa. O que se viu na tela foi um grupo alegre, jovem e que mal sabe responder às perguntas. Acho que só fanáticos e insones conseguiram segurar o bocejo aquela noite. O Jô tentou, mas nenhum assunto rendeu mais do que risadas e firulas. Nem sei se um media training adiantaria algo, pois a base é fraca demais.
Assim como todos, eu também vibrei com o surgimento desse grupo em campo. Até que um dia, bem recentemente, alguns deles se recusaram a entrar numa instituição responsável por cuidar de crianças com paralisia cerebral. Motivo: muitos são evangélicos e a casa é mantida por um grupo espírita. Fiquei chocada com tamanho despreparo e ignorância. O assunto rendeu debates em programas de TV, colunas nos jornais, enfim.... os meninos foram obrigados a reconhecer o erro e pedir desculpas. Esse fato não teria acontecido se eles tivessem sido preparados antes de se expor em público, seja por um profissional de Relações Públicas ou até mesmo por um dirigente. Não dá para imaginar que eles estejam aptos a encarar algo que, de fato, não estão. Jovens, com ascensão fulminante, ricos da noite para o dia, alguns sem suporte educacional. O que esperar desses meninos, fora um futebol brilhante? Além de nutricionistas, fisioterapeutas e médicos, deveriam ser preparados também para se tornar grandes cidadãos.
Cresci vendo Pelé. Não nos campos, mas nas ruas de Santos. Ao ir para o ginásio, frequentemente encontrava o rei na porta da Faculdade de Educação Física conversando com os colegas. Já tinha a famosa Mercedes-Benz chapa 1000 em comemoração aos seus golaços. Era famoso mundialmente, rico e cortava o cabelo no mesmo salão há anos, num barbeiro sem glamour na cidade. Todos nós sabíamos onde ele morava e nos orgulhávamos de mostrar a casa de Pelé aos parentes vindos de fora. Mas nunca vi aglomeração na porta de sua residência, nem fotógrafos fazendo plantão para pegar alguma cena particular.
Anos mais tarde, já no final da década de 1970, dividíamos o espaço na praia com jogadores do Santos F.C. Um deles namorava uma Miss Brasil da época, outro era uma promessa que não aconteceu devido a lesões no joelho. Capa de Placar e tudo o mais, porém, colegas de praia. Os tempos eram outros, a mídia era outra, os lucros eram outros.
Afinal, o que pretendo dizer com tudo isso?
1 - Que estou muito feliz em saber que meu time tem chances reais de ser campeão da Copa do Brasil.
2 - Que lamento muito por não contar com esse time no próximo campeonato, já que cada um estará num canto qualquer do mundo. Robinho foi muito claro ao dizer ao Jô Soares que seu time de coração é o Robinho Futebol Clube. Recado entendido.
3 - Que torço para que esses jovens reflitam sobre seu papel no mundo. Solidariedade não deve ser confundida com prática religiosa.
4 - Que acho absurdo darem tanta importância e tanto dinheiro a jogadores, cartolas e sanguessugas do futebol.
Mas quer saber? Se eu tivesse tido um filho torceria para ele se tornar jogador. Seria minha chance real de ficar rica. Porque como jornalista e, agora, empreendedora do setor, não tem jeito. Que venham os gols!






