No Brasil, discrepância salarial entre homens e mulheres chega a 44% em profissionais de nível superior
No Brasil, discrepância salarial entre homens e mulheres chega a 44% em profissionais de nível superior
As razões que levaram vários países do mundo a adotarem a data de oito de março para lembrar o "Dia Internacional das Mulheres" todos sabem. Na virada do século XX, as mulheres protagonizaram os protestos mais incisivos em cidades dos Estados Unidos, devido às más condições de trabalho e os salários irrisórios a que os trabalhadores eram submetidos, até o lendário incêndio em uma fábrica da Triangle Shirtwaist , em Nova York, em 1911.
O fato é que, ainda hoje, cem anos após as primeiras manifestações, ainda há muito para ser conquistado. Embora as diferenças de gênero já tenham sido superadas em muitos aspectos, em outros as discrepâncias ainda são evidentes e geram problemas que invadem as esferas profissional e pessoal.
Quando o assunto é mercado de trabalho, por exemplo, embora as mulheres tenham, muitas vezes, mais qualificação e maior grau de escolaridade, seus salários são inferiores aos dos homens que ocupam cargos semelhantes.
Números do Brasil
No ano passado, um levantamento do Ministério do Trabalho e Emprego, feito anualmente e chamado Relação Anual de Informações Sociais do Ministério do Trabalho e Emprego (RAIS), confirmou a teoria de que os salários femininos são defasados em relação aos masculinos.
Com base no ano de 2007, foi constatado que a proporção dos salários médios das mulheres, quando comparados aos dos homens, ficou em 82,8%. O que mostrou um revés em números que vinham sendo favoráveis rumo a uma equiparação nos últimos três anos: 83% em 2006; 82,1% em 2005 e 81,2% em 2004.
A RAIS de 2007 mostrou, ainda, que se tal diferença for restringida a profissionais com nível Superior Completo, a diferença salarial é ainda mais expressiva: as mulheres têm salários médios que correspondem a 56,5% dos salários dos homens.
Em se tratando de Jornalismo especificamente, o último levantamento é datado de 2004 e constata que as profissionais do sexo feminino ganhavam cerca de 78,77% dos salários dos profissionais do sexo masculino.
Com a divisão por veículos, as mulheres tinham salários inferiores, na média, em todos os casos, exceto no meio rádio. Nos demais, a televisão aparecia como a mídia que mais se aproximava da equiparação, sendo que as mulheres recebiam 96,75% da remuneração dos homens.
"Troféu Mulher Imprensa"
Neste ano de 2009, a revista e o portal IMPRENSA, em parceria com Aberje e Maxpress, promovem a quinta edição do "Troféu Mulher Imprensa", que visa reconhecer o trabalho das mulheres nas redações brasileiras.
Neste ano, além da votação, que já está disponível em sua segunda fase, através do site, será publicada uma série de matérias sobre a atual situação da mulher em diversas vertentes, seja no trabalho, na violência doméstica ou nos assédios sexual e moral, que muitas vezes as profissionais são submetidas.
Longe de "vitimizar" a mulher, a intenção é a de mapear suas condições de vida e trabalho, mostrando que os avanços ainda são pequenos, se levados em conta os desafios que ainda hão de ser superados até que se chegue ao fim do preconceito de gênero. Na próxima matéria, o tema tratado será assédio.
Acompanhe as matérias, informe-e e clique para participar da votação e escolher sua jornalista predileta entre as finalistas das doze categorias do Troféu.
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