No avião do Papa: o encontro de um jovem repórter com João Paulo II - veja o vídeo
Em 30 de junho de 1980, o Papa João Paulo II chegava ao Brasil para sua primeira visita ao país. No avião, vindo de Roma, 59 jornalistas, de
Atualizado em 22/08/2011 às 17:08, por
Guilherme Sardas.
Crédito: Arquivo Pessoal
10 países, aguardavam o momento em que o líder católico sairia de sua cabine e os atendesse - o que era apenas uma possibilidade.
Entre eles, o jovem correspondente da TV Globo, Luís Fernando Silva Pinto, então com 25 anos, aguardava sua vez. "Não havia nada combinado, mas os jornalistas tinham a expectativa de falar com o João Paulo II. Ele estava revolucionando a Santa Sé em termos de comunicação e via, com clareza, que as palavras, a voz, a fluência em várias línguas, estavam aproximando o Vaticano dos fiéis, e não ameaçando a infalibilidade do sucessor de Pedro", recorda.
Depois de quase 10 horas de espera, João Paulo II foi ao setor onde estava a imprensa. Como pode ser visto no vídeo abaixo, Silva se aproxima com uma pergunta protocolar: "Como o Sr. quer que os brasileiros entendam sua visita ao Brasil?" João Paulo II não entende a questão, sendo prontamente traduzida para o italiano por um assistente. "Como uma visita pastoral, um sinal de amor para eles", responde o Papa.
O repórter logo emenda outra pergunta, aparentemente simples: "Como o Sr. acha que deve ser a atuação da Igreja num país como o Brasil, tanto no campo religioso, quanto no campo social?". Na verdade, a questão era mais aguda: "[à época] ele se incomodava com a liberdade de setores da Igreja brasileira. Ele não fugiu do tema, mas também não esclareceu. Disse apenas que os sermões explicariam a posição dele", lembra Silva.
Apesar do breve encontro, a grandeza do personagem marcou a memória de Silva. "O papa me impressionava com a mistura de enorme capacidade intelectual - coisa familiar para um jornalista - e poderosa convicção espiritual - algo muito mais raro e tocante para um leigo", diz. Após a entrevista, o jovem repórter despediu-se: "Do avião do Papa, Fernando Silva Pinto, para o 'Jornal Nacional'".

10 países, aguardavam o momento em que o líder católico sairia de sua cabine e os atendesse - o que era apenas uma possibilidade.
Entre eles, o jovem correspondente da TV Globo, Luís Fernando Silva Pinto, então com 25 anos, aguardava sua vez. "Não havia nada combinado, mas os jornalistas tinham a expectativa de falar com o João Paulo II. Ele estava revolucionando a Santa Sé em termos de comunicação e via, com clareza, que as palavras, a voz, a fluência em várias línguas, estavam aproximando o Vaticano dos fiéis, e não ameaçando a infalibilidade do sucessor de Pedro", recorda.
Depois de quase 10 horas de espera, João Paulo II foi ao setor onde estava a imprensa. Como pode ser visto no vídeo abaixo, Silva se aproxima com uma pergunta protocolar: "Como o Sr. quer que os brasileiros entendam sua visita ao Brasil?" João Paulo II não entende a questão, sendo prontamente traduzida para o italiano por um assistente. "Como uma visita pastoral, um sinal de amor para eles", responde o Papa.
O repórter logo emenda outra pergunta, aparentemente simples: "Como o Sr. acha que deve ser a atuação da Igreja num país como o Brasil, tanto no campo religioso, quanto no campo social?". Na verdade, a questão era mais aguda: "[à época] ele se incomodava com a liberdade de setores da Igreja brasileira. Ele não fugiu do tema, mas também não esclareceu. Disse apenas que os sermões explicariam a posição dele", lembra Silva.
Apesar do breve encontro, a grandeza do personagem marcou a memória de Silva. "O papa me impressionava com a mistura de enorme capacidade intelectual - coisa familiar para um jornalista - e poderosa convicção espiritual - algo muito mais raro e tocante para um leigo", diz. Após a entrevista, o jovem repórter despediu-se: "Do avião do Papa, Fernando Silva Pinto, para o 'Jornal Nacional'".






