No ano de seu centenário, ABI enfrenta racha entre matriz e representação paulista

No ano de seu centenário, ABI enfrenta racha entre matriz e representação paulista

Atualizado em 17/12/2008 às 18:12, por Thaís Naldoni e Ana Luiza Moulatlet /Redação Portal IMPRENSA.

Por

Nesta quinta-feira (17), às 12h30, o jornalista Audálio Dantas anuncia oficialmente que deixa o cargo de vice-presidente da Associação Brasileira de Imprensa (ABI). Em uma carta endereçada à Maurício Azedo, presidente da entidade, à Pery de Araújo Cotta, presidente do Conselho Deliberativo da ABI, aos membros da Diretoria, do Conselho Deliberativo, do Conselho Consultivo, do Conselho Fiscal e do Conselho Consultivo da Representação em São Paulo, Dantas explicou as razões de sua saída.

ABI
Azêdo (frente) e Dantas
"As profundas divergências em relação aos métodos empregados na administração da ABI, hoje quase totalmente submetida à vontade de seu presidente, levam-me a apresentar minha renúncia aos cargos de vice-presidente da entidade e de presidente de sua Representação em São Paulo", explicou o jornalista.

Segundo ele, a decisão foi tomada porque "o projeto que tínhamos o propósito de realizar para fortalecer a presença da ABI em São Paulo tornou-se inviável, não só pela inoperância da máquina burocrática instalada no Rio de Janeiro, mas principalmente pela absurda concentração das decisões nas mãos do presidente da Casa e de seus prepostos, alguns dos quais sequer são funcionários da entidade".

Em todo o texto, Audálio Dantas faz críticas à Maurício Azedo, dizendo que nas mãos dele, "o estatuto da ABI é letra morta". Dentre outras coisas, ele cita um documento assinado por oito dos onze membros do Conselho Consultivo da Representação de São Paulo, com críticas à presidência da Casa sobre decisões tomadas a respeito do 1º Salão Nacional do Jornalista Escritor, em novembro de 2007. Além de críticas, o documento propunha medidas como uma forte campanha de filiação à ABI no estado de São Paulo, com a aplicação de parte dos recursos financeiros obtidos pela Representação para a realização do evento.

Na carta, Dantas explica que essas sugestões foram consideradas "subversão", e não foram aceitas. "Conselheiros ou diretores que ousam contrariá-lo são tratados como inimigos e, muitas vezes, destratados, como ocorreu recentemente, quando a um deles foi dito, aos gritos, que 'não significa nada, não representa nada', acusa o jornalista.

"Seria exaustivo citar outros exemplos de autoritarismo e desrespeito à própria história da ABI. Mas o fato é que eles, hoje, fazem parte do cotidiano da entidade. Convivi com essa situação, obviamente dela discordando, até o limite da tolerância, atendendo a ponderações de companheiros da diretoria e do Conselho Deliberativo. Minha renúncia, diziam, prejudicaria a imagem da ABI, que estava para comemorar o seu centenário. Chegou, porém, o momento em que continuar é impossível".

Após o anúncio de sua decisão, os membros do Conselho Consultivo da Representação em São Paulo pediram renúncia coletiva. Eles alegaram as mesmas razões de Audálio Dantas, "entre elas a impossibilidade de continuar a aceitar os métodos autoritários do atual presidente da entidade".

Assinada por José Marques de Melo, Laurindo Leal Filho, Sérgio Gomes da Silva, Ricardo Viveiros, entre outros, o documento diz que "são inaceitáveis as suas continuadas atitudes de ofensivo desrespeito ao homem digno e ao cidadão exemplar que é Audálio Dantas, admirável protagonista de lutas históricas em favor da liberdade, da democracia e dos direitos humanos".

No texto, eles confirmam as denúncias feitas por Dantas, e dizem que "a atitude tomada por ele, que deve ser entendida como gesto de grandeza em defesa da própria ABI, cuja história centenária a identifica e qualifica como instituição símbolo dos ideários democráticos da Nação brasileira".

Comunicado formal

O presidente da ABI, Maurício Azêdo, informa ainda não ter conhecimento formal da renúncia da Presidência da Representação da entidade em São Paulo. Segundo ele, na última terça-feira (16), houve reunião do Conselho em sua sede. no Rio de Janeiro (RJ) e nada foi apresentado. "Não recebemos nenhuma comunicação, formal ou informal sobre o assunto. Por não conhecer o teor da carta, não há como comentar seu conteúdo", afirmou ao Portal IMPRENSA.

De acordo com Azêdo, a renúncia de Audálio Dantas não é vista com estranheza, já que, há algum tempo, o jornalista está mais distante dos encargos da ABI por razões profissionais. "Não nos causa estranheza. Até meados ou final de 2006, Audálio mantinha um escritório particular e, assim, tinha plenas condições de manter os encargos da ABI e sua atuação profissional. No entanto, depois que fechou seu escritório e assumiu a redação da revista Negócios da Comunicação , ficou mais complicado manter as duas funções", analisou o presidente da entidade.

Maurício Azêdo disse, ainda, que depois de ter sido procurado para dar entrevistas sobre a renúncia de Audálio Dantas e do Conselho da Representação paulista, chegou a telefonar para o Conselheiro Pery de Araújo Cotta para obter mais informações. Mas, até o momento de sua conversa com IMPRENSA, não havia tido retorno.

Leia mais