“Ninguém falou ‘Je suis Pasquim’ quando o jornal sofreu coisas piores”, afirma Jaguar
O chargista Carlos Latuff, o cartunista Jaguar e o ilustrador Oscar, com moderação de Carlos Müller, diretor de comunicação da Associação Na
Atualizado em 04/05/2015 às 16:05, por
Gabriela Ferigato, subeditora de revista e enviada a Brasília (DF).
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cional de Jornais (ANJ), participaram do Painel I: “Je suis Charlie: liberdade de expressão na ilustração jornalística” durante o 7º Fórum Liberdade de Imprensa & Democracia, realizado por IMPRENSA, nesta segunda-feira (4/5), no Museu da Imprensa Nacional, em Brasília (DF).
Segundo Latuff, parece existir uma fixação com Maomé. Como exemplo, ele ressaltou o evento do último domingo (3/5), no Texas (EUA), que contou com uma exposição de charges de Maomé e a polícia matou dois homens armados perto da mostra.
“As pessoas não podem ser executadas por terem opiniões diferentes das nossas, mas ‘Eu não sou Charlie’, não faço desenhos de Maomé. Para que exatamente? Qual o objetivo desse tipo de desenho? Qual a diferença de criticar o Pelé e chamá-lo de macaco? Não se pensa em censura prévia, mas se pensa em bom senso”, destaca Latuff.
O chargista ressalta que não defende, obviamente, o ataque, mas é difícil xingar alguém e esperar que não tenha um retorno. Ele conta que esse tipo de charge precisa ser vista com a ótica do ódio aos mulçumanos que cresceu após o 11 de setembro e a onda contra o imigrante na Europa.
“Isso faz parte de uma campanha contra mulçumanos. Nos anos 1920, era comum na Europa cartões postais com charges antissemitas. Era comum fazer piada com o judeu. Teve um cartunista do Charlie Hebdo que resolveu fazer uma charge do filho do ex-presidente da França, Nicolas Sarkozy. As organizações judaicas ameaçaram o Charlie de processo, e a publicação obrigou o profissional a se retratar e ele não o fez. Então foi demitido”.
“É necessário ter dois pesos, duas medidas. O que é liberdade de imprensa? Por que serve para uns e não serve para outros? Já fui parar na delegacia três vezes por criticar a Polícia Militar em minhas charges”, completa Latuff.
CENSURA
O cartunista Oscar relembrou que era muito complicado fazer charges na época da censura política. “Era muito difícil fazer humor. E a consequência era a autocensura, que é o pior tipo de censura. Não podemos ficar nos patrulhando”, afirma.
Crédito:Robson Cesco Carlos Müller, da ANJ, e Jaguar fizeram parte de debate do Fórum Liberdade
Ele também ressalta que durante o mandato de Joaquim Domingos Roriz, que foi governador do Distrito Federal por quatro mandatos, tiveram ameaças aos profissionais.
“Como o jornal Correio estava se voltando para uma cobertura internacional, me voltei atenção para Faixa de Gaza. Fiz um avião tentando bater no Congresso Nacional, me cortaram, com a justificativa de que feria o princípio de humanismo. Não havia uma referência de religião, e sim política. Há grupos que comandam a comunicação no Brasil e nem sempre tudo pode ser publicado. Não pode mexer nos interesses deles", desabafa.
SEM LIMITES
Descontraído, Jaguar afirmou que “ninguém falou ‘Je suis Pasquim ’ quando o jornal sofreu coisas piores e até um atentado que poderia ter tido consequências piores", diz. O cartunista falou sobre os limites do humor, ou seja, que não deve haver limites. Mas, em discussão com Latuff, ele ressaltou que existe entre comediante e humorista. Como exemplo, citou que o programa “CQC” e os profissionais Danilo Gentili e Rafinha Bastos não fazem humor. “Não são piadas, são insultos. É agressão. Humor deve ser algo leve. Humor político é uma coisa, o humor escatológico não tem nada com meu jeito de ser”.
Jaguar relembrou o período em que foi preso, durante a ditadura militar. A charge que o levou à prisão, neste caso, foi uma sobre a Copa do Mundo de 1970, em que o personagem levantava um cartaz dizendo “Avante Seleção”, mas a legenda embaixo dizia “E agora, José?”.
“A polícia foi na sede do Pasquim prender o Carlos Drummond. Isso porque ele só foi mencionado na charge. Fiquei três meses preso, mas vou dizer: foi o período mais feliz da minha vida”.
ESPECIAL
Além da cobertura do 7º Fórum Liberdade de Imprensa & Democracia, IMPRENSA produziu um hotsite especial, com temas correlatos e conteúdo exclusivo. Para acessar, .

cional de Jornais (ANJ), participaram do Painel I: “Je suis Charlie: liberdade de expressão na ilustração jornalística” durante o 7º Fórum Liberdade de Imprensa & Democracia, realizado por IMPRENSA, nesta segunda-feira (4/5), no Museu da Imprensa Nacional, em Brasília (DF).
Segundo Latuff, parece existir uma fixação com Maomé. Como exemplo, ele ressaltou o evento do último domingo (3/5), no Texas (EUA), que contou com uma exposição de charges de Maomé e a polícia matou dois homens armados perto da mostra.
“As pessoas não podem ser executadas por terem opiniões diferentes das nossas, mas ‘Eu não sou Charlie’, não faço desenhos de Maomé. Para que exatamente? Qual o objetivo desse tipo de desenho? Qual a diferença de criticar o Pelé e chamá-lo de macaco? Não se pensa em censura prévia, mas se pensa em bom senso”, destaca Latuff.
O chargista ressalta que não defende, obviamente, o ataque, mas é difícil xingar alguém e esperar que não tenha um retorno. Ele conta que esse tipo de charge precisa ser vista com a ótica do ódio aos mulçumanos que cresceu após o 11 de setembro e a onda contra o imigrante na Europa.
“Isso faz parte de uma campanha contra mulçumanos. Nos anos 1920, era comum na Europa cartões postais com charges antissemitas. Era comum fazer piada com o judeu. Teve um cartunista do Charlie Hebdo que resolveu fazer uma charge do filho do ex-presidente da França, Nicolas Sarkozy. As organizações judaicas ameaçaram o Charlie de processo, e a publicação obrigou o profissional a se retratar e ele não o fez. Então foi demitido”.
“É necessário ter dois pesos, duas medidas. O que é liberdade de imprensa? Por que serve para uns e não serve para outros? Já fui parar na delegacia três vezes por criticar a Polícia Militar em minhas charges”, completa Latuff.
CENSURA
O cartunista Oscar relembrou que era muito complicado fazer charges na época da censura política. “Era muito difícil fazer humor. E a consequência era a autocensura, que é o pior tipo de censura. Não podemos ficar nos patrulhando”, afirma.
Crédito:Robson Cesco Carlos Müller, da ANJ, e Jaguar fizeram parte de debate do Fórum Liberdade
Ele também ressalta que durante o mandato de Joaquim Domingos Roriz, que foi governador do Distrito Federal por quatro mandatos, tiveram ameaças aos profissionais.
“Como o jornal Correio estava se voltando para uma cobertura internacional, me voltei atenção para Faixa de Gaza. Fiz um avião tentando bater no Congresso Nacional, me cortaram, com a justificativa de que feria o princípio de humanismo. Não havia uma referência de religião, e sim política. Há grupos que comandam a comunicação no Brasil e nem sempre tudo pode ser publicado. Não pode mexer nos interesses deles", desabafa.
SEM LIMITES
Descontraído, Jaguar afirmou que “ninguém falou ‘Je suis Pasquim ’ quando o jornal sofreu coisas piores e até um atentado que poderia ter tido consequências piores", diz. O cartunista falou sobre os limites do humor, ou seja, que não deve haver limites. Mas, em discussão com Latuff, ele ressaltou que existe entre comediante e humorista. Como exemplo, citou que o programa “CQC” e os profissionais Danilo Gentili e Rafinha Bastos não fazem humor. “Não são piadas, são insultos. É agressão. Humor deve ser algo leve. Humor político é uma coisa, o humor escatológico não tem nada com meu jeito de ser”.
Jaguar relembrou o período em que foi preso, durante a ditadura militar. A charge que o levou à prisão, neste caso, foi uma sobre a Copa do Mundo de 1970, em que o personagem levantava um cartaz dizendo “Avante Seleção”, mas a legenda embaixo dizia “E agora, José?”.
“A polícia foi na sede do Pasquim prender o Carlos Drummond. Isso porque ele só foi mencionado na charge. Fiquei três meses preso, mas vou dizer: foi o período mais feliz da minha vida”.
ESPECIAL
Além da cobertura do 7º Fórum Liberdade de Imprensa & Democracia, IMPRENSA produziu um hotsite especial, com temas correlatos e conteúdo exclusivo. Para acessar, .






