"Ninguém está preparado para um acidente assim", diz especialista, sobre erros no caso Air France

"Ninguém está preparado para um acidente assim", diz especialista, sobre erros no caso Air France

Atualizado em 08/06/2009 às 19:06, por Ana Luiza Moulatlet/Redação Portal IMPRENSA.

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A divulgação de informações desencontradas, e algumas vezes até erradas, sobre o acidente com o Airbus da companhia aérea Air France - que caiu no mar no dia 31 de maio com 228 pessoas a bordo enquanto ia do Rio de Janeiro para Paris - não é considerada por especialistas e críticos de mídia um erro dos órgãos oficiais.

Nesta segunda-feira (8), o ministro da Defesa, Nelson Jobim, afirmou que optou "pela angústia das famílias" para anunciar, na semana passada, que equipes de busca haviam encontrados destroços do avião do vôo AF 447. A informação foi negada no mesmo dia, o que provocou críticas da imprensa francesa.

"Não respondo críticas de imprensa. As críticas são feitas em um momento de tensão. É preciso paciência e tolerância", disse. "Confesso que depois de 20 anos de vida público, tenho costas de crocodilo e arrogância de gaúcho". Segundo o ministro da Defesa, já havia indícios claros de que os restos do avião e os corpos estavam naquela região do mar quando ele confirmou o encontro dos destroços. "Fiz o que tinha de fazer, e o faria de novo", declarou.

Para o jornalista e consultor Francisco Viana, não é possível criticar os órgãos oficiais nesta situação. "Ninguém está preparado para um acidente de tal dimensão", declarou ao Portal IMPRENSA.

"É preciso levar em conta o fator humano. Todo mundo fala em crise, em gestão de crise, mas nenhuma empresa ou autoridade está preparada para um acidente como esse. É muito fácil criticar, mas esse tipo de situação é imprevisível", disse. Segundo Viana, a imprensa cumpre seu papel em divulgar as informações. "É natural que haja desencontros. Podem haver procedimentos que atendam até certos limites, mas mais do que isso não há um preparo".

Para ele, uma das maneiras de se preparar para situações semelhantes seria analisar o "case", e ver a melhor forma de melhorar e se preparar".

Claudio Tognolli, jornalista e professor da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP), acredita que "a mídia sempre vai errar quando tenta totalizar análises". Como exemplo, ele cita as reportagens feitas para as eleições para a Prefeitura de São Paulo no ano passado, quando a candidata do PT, Marta Suplicy, estava a frente do atual prefeito, Gilberto Kassab (DEM), nas pesquisas.

"Há um livro do Jean-Louis Besson, chamado "A ilusão das estatísticas", que explica isso. Você faz um corte e o usa para falar do todo. Daí publicaram que a Marta ia ganhar. Mas acidentes como esse da Air France são imponderáveis. É como divulgar, por exemplo, que o fato de o leme do avião estar travado causou a tragédia. Este foi apenas um dos muitos sinais emitidos pela aeronave. Divulgar esse tipo de informação é fazer uma metonimização da tragédia", concluiu.

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