Newsletters antivacina rendem lucros milionários, diz estudo do CCDH

Organização britânica, o Centro de Combate ao Ódio Digital (CCDH, na sigla inglesa) divulgou dados de um levantamento sobre lucros obtidos com newsletters antivacinas compartilhadas via plataformas especializadas nesse tipo de boletim informativo.

Atualizado em 31/01/2022 às 14:01, por Redação Portal Imprensa.



De acordo com o estudo, dois mil assinantes podem render mais de R$515 mil anuais a quem se dedicar a esse tipo de atividade. Com 20 mil assinantes, o lucro pode superar R$5,2 milhões/ano.
Os dados baseiam-se em newsletters compartilhadas em inglês na popular plataforma digital de criação e envio de boletins informativos Substack. Crédito:Reprodução FSP/Olivier Douliery/AFP Segundo o estudo do CCDH, essa forma de compartilhar desinformação vem se tornando mais perigosa do que as redes sociais.

“Os críticos da vacinação podem alimentar diretamente os seus assinantes com mentiras. Como se trata de uma conversa de sentido único, sem a possibilidade de qualquer intervenção do público ou verificação de fatos, é mais fácil pregar disparates a audiências privadas”, disse Imran Ahmed, presidente executivo do CCDH, ao jornal protuguês PÚBLICO.
O estudo do CCDH destacou o papel de Joseph Mercola, osteopata barrado do YouTube, que defende a utilização de suplementos alimentares em vez de vacinas na prevenção à covid. Segundo o CCDH, ele é responsável por espalhar grande volume de desinformação sobre vacinas na Substack, através de dezenas de contas distintas.
Liberdade de expressão O acesso à newsletter de Mercola, batizada de Take Control of Your Health (Tome Controle da Sua Saúde), custa 50 dólares por ano. Dezenas de milhares de usuários pagam por isso via Substack, que fica com 10% do valor arrecadado. Já o acesso à newsletter de Alex Berenson, ex-jornalista do New York Times banido do Twitter por questionar a eficácia das vacinas da covid-19, custa 60 dólares anuais.
O objetivo do CCDH é pressionar a Substack e empresas semelhantes a impor regras mais rígidas sobre desinformação. Porém, a plataforma já informou que não pretende barrar newsletters que questionam a eficácia de vacinas.
“Um dos nossos princípios é defender a liberdade de expressão, mesmo para coisas de que pessoalmente não gostamos ou com as quais discordamos”, escreveu no Twitter Lulu Meservey, responsável pela comunicação da empresa, em resposta às críticas do CCDH.

“As pessoas já desconfiam das instituições, dos meios de comunicação e umas das outras. (...) Saber que opiniões controversas estão a ser suprimidas torna essa desconfiança ainda pior.”

A mensagem pró-liberdade de expressão foi apoiada por jornalistas como Matt Taibbi e Glenn Greenwald, que oferecem newsletters sobre política na plataforma.


Em matéria assinada sobre o episódio, o jornalista Nelson de Sá, da Folha de S. Paulo, lembrou que, além de jornalistas, escrevem no Substack personalidades a favor das vacinas, como o médico Eric Topol, o escritor Salman Rushdie e a cantora Patti Smith.