Nas asas do consumo, por Gabriel Priolli
Os aeroportos estão abarrotados como as rodoviárias, para desalento de alguns, mas esses elitistas podem perfeitamente se consolar com as re
Atualizado em 01/04/2014 às 11:04, por
Gabriel Priolli.
Crédito:Leo Garbin vistas de bordo. Os passageiros transportados mensalmente por aviões, no Brasil, saltaram de dois milhões em 2001 para quase oito milhões em 2013, o que significa o ingresso de um enorme contingente de usuários no sistema. A despeito da cifra, o material de leitura oferecido nos aviões estacionou nos tempos da Panair e de lá não levanta voo.
As revistas de bordo ainda são feitas para gente rica, a única que podia pagar fortunas para viajar por via aérea, no passado. Elas seguem o conhecido padrão das publicações de “estilo de vida”, voltadas ao extrato AAA da classe A: alto nível gráfico, ilustrações abundantes e textos inteiramente voltados ao consumo, sejam de produtos e serviços, sejam de ideias digestíveis. Os editores presumem os ricos brasileiros como, de fato, muitos deles são: fúteis, hedonistas, superficiais e ignorantes.
A pauta é inequívoca nesse aspecto. Sempre traz matérias sobre moda, vinhos e restaurantes caros, além de novidades sobre carros, barcos e jatinhos, completamente inacessíveis ao passageiro comum. Obviamente, revistas de companhias aéreas devem fomentar o turismo; então tome reportagens sobre lugares maravilhosos, que a imensa maioria nunca conhecerá. A receita “de luxo” se completa com perfis bem rasos de gente nem sempre interessante e artigos bobinhos de colunistas, inferiores ao de muito post no Facebook.
É desesperador para uma mente minimamente cultivada, que teve o infortúnio de esquecer de levar seu próprio material de leitura a bordo, olhar para aquela bolsa no assento da frente. A publicação ali contida não lhe trará nenhum estímulo intelectual, que é a propriedade essencial do bom texto. Servirá para ver as figuras, no máximo, e não exigirá mais de cinco minutos de esforço nisso. É muito papel jogado fora.
Atualmente, uma cabine de avião é um belo e variado zoológico humano, com gente de todo tipo. Boa parte dos espécimes incluídos no transporte aéreo na última década provavelmente quer ser igual ao povo AAA, quer desfrutar o seu exato estilo de vida. Esses devem gostar das revistas de bordo. E elas podem mesmo lhes ser úteis, como bíblias anunciadoras do mundo que desejam conquistar.
Quaisquer outras variantes da espécie humana, no entanto, pedem outra coisa. Elas pedem um mínimo de atenção às suas preferências, o que impõe lhes oferecer o máximo de variedade em leitura. Não é nenhum despropósito atender essa singela demanda, agora que também a “gente diferenciada” usa o seu rico dinheirinho para custear os tão pobres serviços aéreos.

As revistas de bordo ainda são feitas para gente rica, a única que podia pagar fortunas para viajar por via aérea, no passado. Elas seguem o conhecido padrão das publicações de “estilo de vida”, voltadas ao extrato AAA da classe A: alto nível gráfico, ilustrações abundantes e textos inteiramente voltados ao consumo, sejam de produtos e serviços, sejam de ideias digestíveis. Os editores presumem os ricos brasileiros como, de fato, muitos deles são: fúteis, hedonistas, superficiais e ignorantes.
A pauta é inequívoca nesse aspecto. Sempre traz matérias sobre moda, vinhos e restaurantes caros, além de novidades sobre carros, barcos e jatinhos, completamente inacessíveis ao passageiro comum. Obviamente, revistas de companhias aéreas devem fomentar o turismo; então tome reportagens sobre lugares maravilhosos, que a imensa maioria nunca conhecerá. A receita “de luxo” se completa com perfis bem rasos de gente nem sempre interessante e artigos bobinhos de colunistas, inferiores ao de muito post no Facebook.
É desesperador para uma mente minimamente cultivada, que teve o infortúnio de esquecer de levar seu próprio material de leitura a bordo, olhar para aquela bolsa no assento da frente. A publicação ali contida não lhe trará nenhum estímulo intelectual, que é a propriedade essencial do bom texto. Servirá para ver as figuras, no máximo, e não exigirá mais de cinco minutos de esforço nisso. É muito papel jogado fora.
Atualmente, uma cabine de avião é um belo e variado zoológico humano, com gente de todo tipo. Boa parte dos espécimes incluídos no transporte aéreo na última década provavelmente quer ser igual ao povo AAA, quer desfrutar o seu exato estilo de vida. Esses devem gostar das revistas de bordo. E elas podem mesmo lhes ser úteis, como bíblias anunciadoras do mundo que desejam conquistar.
Quaisquer outras variantes da espécie humana, no entanto, pedem outra coisa. Elas pedem um mínimo de atenção às suas preferências, o que impõe lhes oferecer o máximo de variedade em leitura. Não é nenhum despropósito atender essa singela demanda, agora que também a “gente diferenciada” usa o seu rico dinheirinho para custear os tão pobres serviços aéreos.






