“Narrar uma partida de futebol significa contar uma história”, diz Cléber Machado
Após 26 anos na Globo, o narrador destaca os principais desafios da narração de jogos de futebol, principalmente na Copa.
Atualizado em 31/05/2014 às 10:05, por
Lucas Carvalho*.
Por
Após 26 anos como narrador na TV Globo, Cléber Machado tem dificuldades para destacar apenas um jogo importante em sua carreira. “Eu gosto muito do que faço. Então, como narrador, todas são memoráveis”, diz o jornalista, que está em sua quinta Copa do Mundo pela emissora carioca.
Com passagem pelo rádio, pelos campos (como repórter) e até pela Sapucaí (como apresentador da transmissão do Carnaval), Machado não minimiza o prazer que sente ao ver a bola rolar. Entre Libertadores, Mundiais, Ligas dos Campeões, Campeonatos Paulistas e Brasileiros, o narrador conta à IMPRENSA os principais desafios da arte de narrar uma partida de futebol.
IMPRENSA – Como foi sua primeira experiência como jornalista numa Copa do Mundo? CLÉBER MACHADO - A primeira Copa em que trabalhei foi a de 1990. Foi um encanto, já quando soube que seria um dos narradores. A gente não foi para a Itália, trabalhou no Rio de Janeiro. Mas foi tudo lindo, era uma estrutura grande na TV e a natural vontade de fazer um bom trabalho. Lembro que pensei, comigo mesmo, “Poxa, estou narrando a Copa na Globo”! A primeira em que estive foi a dos Estados Unidos, em 1994. E mais do que os jogos, sempre me recordo do Centro de Imprensa, da nossa redação, das viagens. E inesquecível: a primeira vez em que entrei no estádio. O clima, o ambiente, o som… Tudo diferente e muito bacana.
Para você que já narrou os mais diversos esportes, já apresentou desfiles de escolas de samba e programas esportivos, o que significa narrar uma partida de futebol? Contar uma história. Destacar os lances que vão escrevendo essa história. Valorizar as jogadas, os jogadores, tentar perceber os detalhes. Esclarecer o telespectador. Estar sempre atento para unir som e a imagem. Não falar sobre o que não está sendo mostrado a ponto de incomodar quem está vendo. Nem exagerar ao relatar imagens a ponto de ser óbvio. Penso ser o grande desafio. Não esquecer a imagem, evitar a obviedade e se envolver com o jogo para poder envolver o telespectador.
Crédito:Divulgação Cléber Machado narra sua quinta Copa do Mundo pela TV Globo
Você se lembra de uma partida específica na sua carreira que mais te marcou? É sempre muito difícil destacar uma partida. São muitas, cada um no seu tempo, no tempo da carreira. Em Copas, por exemplo, Romênia e Argentina em 1990; o último jogo do Maradona em Copa, contra a Grécia, em 1994; a semifinal França e Croácia, em 1998; na de 2010, a eletrizante Uruguai e Gana… Além, claro, de jogos entre clubes, que marcam bastante.
Qual Copa do Mundo foi a mais memorável para você, como narrador ou como telespectador? Eu gosto muito do que faço. Então, como narrador, todas são memoráveis. Como telespectador, a de 1970, evento que me fez gostar mesmo de futebol. E a de 1982, pela qualidade da Seleção Brasileira e até pela tristeza da derrota contra Itália.
Qual a diferença entre narrar jogos em competições nacionais, como Paulista e Brasileirão, e torneios internacionais? A primeira diferença é buscar o máximo de informação nas competições internacionais. Das equipes e dos jogadores. Hoje em dia é mais tranquilo. A gente acompanha muito mais os campeonatos europeus, quase todos os dias. E incluir o telespectador. Ele também precisa ficar por dentro do que está acontecendo, para se interessar. Principalmente quando são jogos de times de outros países e de seleções estrangeiras. Outra diferença é o cuidado necessário, em jogos entre equipes brasileiras, para dar a mesma importância aos dois times, pela evidente paixão do torcedor pelo seu clube.
Narrar uma Copa do Mundo é diferente de narrar um campeonato nacional? Aparentemente, é mais natural o torcedor se envolver quando o time dele está em campo. O narrador também está muito mais por dentro dos campeonatos locais. Então, o trabalho para trazer o público para o evento "diferente" deve ser feito. Ao mesmo tempo, a Copa é enorme, abrangente, envolvente, por natureza. Os grandes craques, hoje conhecidos no mundo inteiro… Aí entra um novo telespectador, aquele que não acompanha futebol constantemente, que merece um tipo de comunicação específica, para entender o evento, curtir os jogos… Há diferenças. Nada extraordinário, e tudo muito legal.
* Com supervisão de Thaís Naldoni
Acompanhe o especial "A IMPRENSA na Copa do Mundo". .

Após 26 anos como narrador na TV Globo, Cléber Machado tem dificuldades para destacar apenas um jogo importante em sua carreira. “Eu gosto muito do que faço. Então, como narrador, todas são memoráveis”, diz o jornalista, que está em sua quinta Copa do Mundo pela emissora carioca.
Com passagem pelo rádio, pelos campos (como repórter) e até pela Sapucaí (como apresentador da transmissão do Carnaval), Machado não minimiza o prazer que sente ao ver a bola rolar. Entre Libertadores, Mundiais, Ligas dos Campeões, Campeonatos Paulistas e Brasileiros, o narrador conta à IMPRENSA os principais desafios da arte de narrar uma partida de futebol.
IMPRENSA – Como foi sua primeira experiência como jornalista numa Copa do Mundo? CLÉBER MACHADO - A primeira Copa em que trabalhei foi a de 1990. Foi um encanto, já quando soube que seria um dos narradores. A gente não foi para a Itália, trabalhou no Rio de Janeiro. Mas foi tudo lindo, era uma estrutura grande na TV e a natural vontade de fazer um bom trabalho. Lembro que pensei, comigo mesmo, “Poxa, estou narrando a Copa na Globo”! A primeira em que estive foi a dos Estados Unidos, em 1994. E mais do que os jogos, sempre me recordo do Centro de Imprensa, da nossa redação, das viagens. E inesquecível: a primeira vez em que entrei no estádio. O clima, o ambiente, o som… Tudo diferente e muito bacana.
Para você que já narrou os mais diversos esportes, já apresentou desfiles de escolas de samba e programas esportivos, o que significa narrar uma partida de futebol? Contar uma história. Destacar os lances que vão escrevendo essa história. Valorizar as jogadas, os jogadores, tentar perceber os detalhes. Esclarecer o telespectador. Estar sempre atento para unir som e a imagem. Não falar sobre o que não está sendo mostrado a ponto de incomodar quem está vendo. Nem exagerar ao relatar imagens a ponto de ser óbvio. Penso ser o grande desafio. Não esquecer a imagem, evitar a obviedade e se envolver com o jogo para poder envolver o telespectador.
Crédito:Divulgação Cléber Machado narra sua quinta Copa do Mundo pela TV Globo
Você se lembra de uma partida específica na sua carreira que mais te marcou? É sempre muito difícil destacar uma partida. São muitas, cada um no seu tempo, no tempo da carreira. Em Copas, por exemplo, Romênia e Argentina em 1990; o último jogo do Maradona em Copa, contra a Grécia, em 1994; a semifinal França e Croácia, em 1998; na de 2010, a eletrizante Uruguai e Gana… Além, claro, de jogos entre clubes, que marcam bastante.
Qual Copa do Mundo foi a mais memorável para você, como narrador ou como telespectador? Eu gosto muito do que faço. Então, como narrador, todas são memoráveis. Como telespectador, a de 1970, evento que me fez gostar mesmo de futebol. E a de 1982, pela qualidade da Seleção Brasileira e até pela tristeza da derrota contra Itália.
Qual a diferença entre narrar jogos em competições nacionais, como Paulista e Brasileirão, e torneios internacionais? A primeira diferença é buscar o máximo de informação nas competições internacionais. Das equipes e dos jogadores. Hoje em dia é mais tranquilo. A gente acompanha muito mais os campeonatos europeus, quase todos os dias. E incluir o telespectador. Ele também precisa ficar por dentro do que está acontecendo, para se interessar. Principalmente quando são jogos de times de outros países e de seleções estrangeiras. Outra diferença é o cuidado necessário, em jogos entre equipes brasileiras, para dar a mesma importância aos dois times, pela evidente paixão do torcedor pelo seu clube.
Narrar uma Copa do Mundo é diferente de narrar um campeonato nacional? Aparentemente, é mais natural o torcedor se envolver quando o time dele está em campo. O narrador também está muito mais por dentro dos campeonatos locais. Então, o trabalho para trazer o público para o evento "diferente" deve ser feito. Ao mesmo tempo, a Copa é enorme, abrangente, envolvente, por natureza. Os grandes craques, hoje conhecidos no mundo inteiro… Aí entra um novo telespectador, aquele que não acompanha futebol constantemente, que merece um tipo de comunicação específica, para entender o evento, curtir os jogos… Há diferenças. Nada extraordinário, e tudo muito legal.
* Com supervisão de Thaís Naldoni
Acompanhe o especial "A IMPRENSA na Copa do Mundo". .






