"Narração não se ensina, é um dom", diz João Guilherme, do SporTV
"Narração não se ensina, é um dom", diz João Guilherme, do SporTV
Atualizado em 23/11/2010 às 15:11, por
Eduardo Neco/Redação Portal IMPRENSA.
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Qualquer telespectador dos canais SporTV conhece a voz do narrador esportivo João Guilherme de Miranda. E não interessa a modalidade. Seja futebol, automobilismo, volêi, basquete, mixed martial arts (MMA). O niteroiense está em todas, desde que foi para o canal, indicado pelo jornalista Mauro Beting, em 1997.
No último dia 8 de novembro, João Guilherme fez 22 anos de profissão, iniciada na extinta Rádio Carioca, como rádio-escuta, função aniquilada das emissoras com o surgimento da Internet, já que o próprio locutor vê as informações sobre os outros jogos na tela de um computador.
Ainda que a profissão tenha sido escolhida na infância, quando se interessava mais em narrar as peladas na escola que participar, no início João Guilherme contou com a sorte. "Um dia, cheguei em São Januário e o narrador teve uma dor de barriga e eu tive que assumir. Fiz a narração e, partir daí, não parei mais", conta. "E isso foi em abril de 1989, num Vasco da Gama e Porto Alegre", relembra.
Em outra ocasião, no entanto, já tinha assumido um jogo como narrador. Mas só após os percalços gastrointestinais de seu colega que a rádio entendeu qual era mesmo sua vocação. Curiosamente, o bordão que marcaria sua carreira a partir de então seria "que desagradável", dito sempre que um jogador perde um gol ou comete alguma gafe.
Para ele, locução não se ensina. É dom, fenômeno parecido com o surgimento de um astro da bola. "A mesma coisa do garoto que entra na escolhinha de futebol, ele pode ser um jogador aplicado, mas nunca um craque", afirma.
"Narração é coisa de dom mesmo, vem com a pessoa. Esse é um dom artístico, a pessoa nasce e vai desenvolvendo através de técnicas; você nunca vai ensinar isso a ninguém", disse João Guilherme, que pensou em levar a sério seu gosto pela locução ao ler em um jornal sobre um curso técnico, quando ainda era garoto.
Para narrar um gol de Ronaldo Nazário ou um triângulo de perna de Anderson Silva, João precisa estudar, e muito, as modalidades. A compreensão das técnicas, ele deixa para os esportistas; se atém mesmo ao domínio das regras.
"A coisa mais importante é saber a regra do jogo, saber o que vai acontecer. O locutor tem que saber a regra de tudo o que narra. Tem que ser meio que um clínico geral", brinca João Guilherme, que consideração desinformação "inadmissível" em tempos de Google.
Por mais que haja dedicação e pesquisa, nada prepara um locutor, na opinião de João Guilherme, para a paixão que se transforma em fanatismo e, em alguns casos incompreensão, pelo lado do torcedor.
"Por incrível que pareça, o mais difícil é o futebol, porque as pessoas acham que entendem - ou de fato entendem - e que é de domínio público e que mexe com o país inteiro. Então, você é julgado pela emoção; não pela razão".
Talvez pelo respeito às paixões alheias do mundo do futebol, João arrefeça certos sentimentos no momento máximo do jogo, quando as redes balançam. "É gol", diz o locutor laconicamente, antes de resfolegar e gritar gol a plenos pulmões.
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| Divulgação |
| João Guilherme |
No último dia 8 de novembro, João Guilherme fez 22 anos de profissão, iniciada na extinta Rádio Carioca, como rádio-escuta, função aniquilada das emissoras com o surgimento da Internet, já que o próprio locutor vê as informações sobre os outros jogos na tela de um computador.
Ainda que a profissão tenha sido escolhida na infância, quando se interessava mais em narrar as peladas na escola que participar, no início João Guilherme contou com a sorte. "Um dia, cheguei em São Januário e o narrador teve uma dor de barriga e eu tive que assumir. Fiz a narração e, partir daí, não parei mais", conta. "E isso foi em abril de 1989, num Vasco da Gama e Porto Alegre", relembra.
Em outra ocasião, no entanto, já tinha assumido um jogo como narrador. Mas só após os percalços gastrointestinais de seu colega que a rádio entendeu qual era mesmo sua vocação. Curiosamente, o bordão que marcaria sua carreira a partir de então seria "que desagradável", dito sempre que um jogador perde um gol ou comete alguma gafe.
Para ele, locução não se ensina. É dom, fenômeno parecido com o surgimento de um astro da bola. "A mesma coisa do garoto que entra na escolhinha de futebol, ele pode ser um jogador aplicado, mas nunca um craque", afirma.
"Narração é coisa de dom mesmo, vem com a pessoa. Esse é um dom artístico, a pessoa nasce e vai desenvolvendo através de técnicas; você nunca vai ensinar isso a ninguém", disse João Guilherme, que pensou em levar a sério seu gosto pela locução ao ler em um jornal sobre um curso técnico, quando ainda era garoto.
Para narrar um gol de Ronaldo Nazário ou um triângulo de perna de Anderson Silva, João precisa estudar, e muito, as modalidades. A compreensão das técnicas, ele deixa para os esportistas; se atém mesmo ao domínio das regras.
"A coisa mais importante é saber a regra do jogo, saber o que vai acontecer. O locutor tem que saber a regra de tudo o que narra. Tem que ser meio que um clínico geral", brinca João Guilherme, que consideração desinformação "inadmissível" em tempos de Google.
Por mais que haja dedicação e pesquisa, nada prepara um locutor, na opinião de João Guilherme, para a paixão que se transforma em fanatismo e, em alguns casos incompreensão, pelo lado do torcedor.
"Por incrível que pareça, o mais difícil é o futebol, porque as pessoas acham que entendem - ou de fato entendem - e que é de domínio público e que mexe com o país inteiro. Então, você é julgado pela emoção; não pela razão".
Talvez pelo respeito às paixões alheias do mundo do futebol, João arrefeça certos sentimentos no momento máximo do jogo, quando as redes balançam. "É gol", diz o locutor laconicamente, antes de resfolegar e gritar gol a plenos pulmões.






