“Narcotraficantes já descobriram a importância das redes sociais”, diz Ricardo Trotti da SIP
Entre todos os assuntos já discutidos por especialistas sobre a situação de jornalistas no México, a posição do governo mexicano em relação à violência será crucial para determinar os próximos capítulos da “guerra” contra as drogas declarada pelo presidente Felipe Calderón.
Atualizado em 10/01/2012 às 12:01, por
Luiz Gustavo Pacete.
discutidos por especialistas sobre a situação de jornalistas no México, a posição do governo mexicano em relação à violência será crucial para determinar os próximos capítulos da “guerra” contra as drogas declarada pelo presidente Felipe Calderón.
Em entrevista à IMPRENSA, Ricardo Trotti, jornalista argentino e diretor de liberdade de imprensa da Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP), fala sobre as dificuldades de conter a violência contra jornalistas no México e explica os esforços da entidade para dar visibilidade ao assunto.
Knight Foundation Ricardo Trotti IMPRENSA - Qual tem sido a posição do governo mexicano em relação às propostas para proteção de jornalistas?
Ricardo Trotti - Em setembro de 2010, junto com o Comitê de Proteção de Jornalistas (CPJ), nos reunimos com o presidente Felipe Calderón que se comprometeu a avançar no que diz respeito à investigação e punição de crimes contra a imprensa. Calderón anunciou que redobraria seus esforços para garantir a criação de um sistema centralizado de proteção a jornalistas. O projeto prevê também a participação civil e tem como objetivo configurar os crimes e criar medidas para reduzi-los. Isso ainda não saiu do papel. Jornalistas continuam morrendo e os crimes seguem impunes.
O que a SIP destaca de mais preocupante nessa situação?
O México vive um ambiente de violência e impunidade que afeta diretamente o jornalismo. Os narcotraficantes já estão recorrendo até mesmo às redes sociais para atingir qualquer pessoa que possa atrapalhar suas atividades. Os riscos para os meios de comunicação, jornalistas e quem informa através das redes sociais nas regiões de predomínio do crime organizado, são muitos. Essa situação tem provocado uma generalizada cultura de autocensura prejudicando a informação que a população tem recebido. Em todo caso, os diários informam, mas sem entrar em detalhes sobre a ocorrência de algum crime.
A imprensa está literalmente no fogo cruzado...
Grupos rivais de narcotraficantes também assassinaram jornalistas alegando que eles estavam atuando favoravelmente a seus inimigos. Esse é um problema que requer uma decisão rigorosa das autoridades para sancionar leis que castiguem severamente os autores de tais crimes.
Além dos relatórios, o que a SIP tem feito para contribuir com a imprensa mexicana?
A SIP vem pressionando os diferentes setores do governo mexicano para que os delitos cometidos contra a liberdade de expressão sejam atendidos na jurisdição federal. Também realizamos diversas atividades, que vão de treinamento sobre jornalismo de risco até um curso sobre os alcances de crime organizado e o exercício de jornalismo no México.
Antes da guerra contra o crime, anunciado pelo presidente Felipe Calderón em 2006, a imprensa vivia qual tipo de dificuldade?
É fato que, antes de 2006, se registravam denúncias de agressões e assassinatos de jornalistas, sobretudo no interior do país. Nunca a violência havia alcançado os níveis que temos observado atualmente. Desde a chegada de Calderón, nossa organização registrou 44 assassinatos e 17 jornalistas, cujo paradeiro ainda se desconhece. Certamente, antes dessa data também se denunciavam outras violações, tais como travas no acesso à informação pública, violação do segredo profissional e penalização dos delitos de difamação.
É possível comparar a situação mexicana com Honduras e Brasil, que também estão entre os países mais perigosos?
Eu diria que a situação é similar quanto ao crime organizado e ao narcotráfico e como eles se infiltraram nas instituições públicas. Tanto no Brasil como no México, o tráfico de drogas é uma ameaça. Além disso, existe um outro problema que envolve a corrupção política. É uma situação similar nos países. Mas no México, a crueldade e a impunidade são maiores.
Leia outras matérias da série "Estado de Sítio":
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Em entrevista à IMPRENSA, Ricardo Trotti, jornalista argentino e diretor de liberdade de imprensa da Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP), fala sobre as dificuldades de conter a violência contra jornalistas no México e explica os esforços da entidade para dar visibilidade ao assunto.
Knight Foundation Ricardo Trotti IMPRENSA - Qual tem sido a posição do governo mexicano em relação às propostas para proteção de jornalistas?
Ricardo Trotti - Em setembro de 2010, junto com o Comitê de Proteção de Jornalistas (CPJ), nos reunimos com o presidente Felipe Calderón que se comprometeu a avançar no que diz respeito à investigação e punição de crimes contra a imprensa. Calderón anunciou que redobraria seus esforços para garantir a criação de um sistema centralizado de proteção a jornalistas. O projeto prevê também a participação civil e tem como objetivo configurar os crimes e criar medidas para reduzi-los. Isso ainda não saiu do papel. Jornalistas continuam morrendo e os crimes seguem impunes.
O que a SIP destaca de mais preocupante nessa situação?
O México vive um ambiente de violência e impunidade que afeta diretamente o jornalismo. Os narcotraficantes já estão recorrendo até mesmo às redes sociais para atingir qualquer pessoa que possa atrapalhar suas atividades. Os riscos para os meios de comunicação, jornalistas e quem informa através das redes sociais nas regiões de predomínio do crime organizado, são muitos. Essa situação tem provocado uma generalizada cultura de autocensura prejudicando a informação que a população tem recebido. Em todo caso, os diários informam, mas sem entrar em detalhes sobre a ocorrência de algum crime.
A imprensa está literalmente no fogo cruzado...
Grupos rivais de narcotraficantes também assassinaram jornalistas alegando que eles estavam atuando favoravelmente a seus inimigos. Esse é um problema que requer uma decisão rigorosa das autoridades para sancionar leis que castiguem severamente os autores de tais crimes.
Além dos relatórios, o que a SIP tem feito para contribuir com a imprensa mexicana?
A SIP vem pressionando os diferentes setores do governo mexicano para que os delitos cometidos contra a liberdade de expressão sejam atendidos na jurisdição federal. Também realizamos diversas atividades, que vão de treinamento sobre jornalismo de risco até um curso sobre os alcances de crime organizado e o exercício de jornalismo no México.
Antes da guerra contra o crime, anunciado pelo presidente Felipe Calderón em 2006, a imprensa vivia qual tipo de dificuldade?
É fato que, antes de 2006, se registravam denúncias de agressões e assassinatos de jornalistas, sobretudo no interior do país. Nunca a violência havia alcançado os níveis que temos observado atualmente. Desde a chegada de Calderón, nossa organização registrou 44 assassinatos e 17 jornalistas, cujo paradeiro ainda se desconhece. Certamente, antes dessa data também se denunciavam outras violações, tais como travas no acesso à informação pública, violação do segredo profissional e penalização dos delitos de difamação.
É possível comparar a situação mexicana com Honduras e Brasil, que também estão entre os países mais perigosos?
Eu diria que a situação é similar quanto ao crime organizado e ao narcotráfico e como eles se infiltraram nas instituições públicas. Tanto no Brasil como no México, o tráfico de drogas é uma ameaça. Além disso, existe um outro problema que envolve a corrupção política. É uma situação similar nos países. Mas no México, a crueldade e a impunidade são maiores.
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