"Não vivemos uma crise do jornalismo, mas uma crise de modelo”, defende Andrea Dip

A oficina de encerramento da Maratona IMPRENSA de Comunicação (MIC) – evento com 12 horas de duração e que reunirá um time de profissionais para trocar e debater experiências – teve como palestrantes Andrea Dip, da Agência Pública, e Bruno Paes Manso, da Ponte Jornalismo.

Atualizado em 06/07/2016 às 19:07, por Vanessa Gonçalves.

– evento com 12 horas de duração e que reunirá um time de profissionais para trocar e debater experiências – teve como palestrantes Andrea Dip, da Agência Pública, e Bruno Paes Manso, da Ponte Jornalismo.

Os jornalistas discutiram as iniciativas de jornalismo independente e a sustentação desse novo modelo. Para Andrea, o mais importante em projetos desse gênero é descobrir como bancá-los de forma saudável.

Crédito:Maíra Rosetti Andrea Dip, da Agência Pública, e Bruno Paes Manso, da Ponte Jornalismo

No caso na Agência Pública, o modelo que tem dado certo é um misto de canais de financiamento, ou seja, atua com a ajuda de fundações internacionais e crowdfunding. “Essa ideia é garantir a independência financeira, para não quebrar se faltar grana de um lado ou mesmo perder autonomia se algum financiador resolver interferir na pauta, diz Andrea Dip.

A jornalista acredita que “não vivemos uma crise do jornalismo, mas uma crise de modelo”. Ela lembra que basta lembrar que nos últimos 15 anos vimos diversos veículos e editoras fecharem, muitos jornalistas serem demitidos, mas, em contrapartida, uma porção de novas iniciativas de jornalísticas. O segredo, segundo ela, é " descobrir como bancar esses projetos”,

Bruno Paes Manso, que atuou a maior parte de sua carreira em renomados veículos de imprensa, resolveu deixar a grande mídia após as manifestações de 2013, quando percebeu que as iniciativas independentes realmente mostravam o que estava acontecendo nas ruas, ao contrário da imprensa tradicional.

A oportunidade de criar a Ponte Jornalismo veio dessa necessidade de fazer uma cobertura sobre segurança pública, justiça e direitos humanos fora do viés sensacionalista, tão comuns em programas policiais na TV.

Há dois anos, ele e os outros responsáveis pela iniciativa se dividem entre os empregos formais e a atuação na Ponte, pois ainda não encontraram uma forma de bancar o projeto totalmente. Para Paes Manso, a "sensação é que sair da nossa zona de conforto é fazer reportagem, mas hoje jornalismo é uma discussão maior, ou seja, saber como ficar auto-sustentável”.

Para o repórter veterano, a "Ponte é quase uma válvula de escape” para os profissionais que têm uma visão diferente da cobertura desses temas, mas não se acomoda. "Nosso pulo do gato é descobrir como deixar a iniciativa sustentável para largar nossos empregos e viver apenas disso”, conclui.


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