"Não vamos aceitar nem o marco regulatório e nem uma censura", diz presidente da AIP
A Associação de Imprensa de Pernambuco (AIP) completa 80 anos de existência neste mês de setembro e, para comemorar, reúne, desde segunda-feira (12), em Recife, jornalistas e representantes de entidades de imprensa de todo o país, no 15º Encontro Nacional de Associações de Imprensa (Enai).
Na noite de terça-feira (13), Múcio Aguiar Neto, jornalista e presidente da entidade desde 2010, foi homenageado com a medalha do mérito "Aloísio Magalhães", na Câmara Municipal de Olinda.
Em entrevista à IMPRENSA, Neto, um dos mais novos a presidir uma associação de imprensa no Brasil - aos 35 anos - falou sobre o desafio que teve ao reerguer a entidade, que estava sucateada, e sobre o momento de repaginação da AIP, além da importância cultural da imprensa pernambucana para o Brasil.
IMPRENSA - Qual foi seu maior desafio ao assumir a AIP em 2010?
Múcio Aguiar Neto - Eu peguei uma associação fragilizada, com CNPJ dado baixa pela Receita Federal e vários débitos financeiros. Ela só tinha história, nenhuma gestão e um patrimônio sucateado. Eu tive o desafio de mostrar que era possível mudar a situação da AIP. Logo que cheguei nós estávamos prestes a receber uma intimação de despejo da AIP de seu prédio, por causa de uma ação trabalhista. Neste prédio, nós temos um cinema, com mais de 100 lugares, uma biblioteca, com mais de 10 mil volumes, um acervo... Eu disse: não, isso não pode acontecer. Foi ai que, com a ajuda do governo do Estado, conseguimos a queda da desapropriação do prédio. Disse que o local seria o memorial da imprensa pernambucana.
IMPRENSA - Hoje a situação já está regularizada?
Neto - Conseguimos resolver grande parte dos problemas e, agora, nossa divida baixou para R$ 500 mil. Além disso, passamos por um momento de repaginação e modernização da entidade. Administrativamente, a AIP já está viável e se paga.
IMPRENSA - De que maneira essa retomada da entidade influenciou na imprensa de Pernambuco?
Neto - Estamos retomando o posto de referência, uma instituição que luta pelo direito à liberdade de imprensa, que luta pelo diploma, pelo profissional. E com isso, estamos valorizando o profissional, criando ações que tragam estes profissionais para dentro da AIP. Teremos a Bienal do Livro, em Pernambuco, e estaremos com um estande lá.
IMPRENSA - Por ser tão jovem presidindo a entidade, você se vê como uma exceção?
Neto - Pernambuco sempre foi diferente, sempre foi um Estado libertário, e a API aqui tem essa característica. Antes de existir o curso de jornalismo, em Pernambuco, ela já lutava para que ele existisse. Nós temos essa vanguarda, e o que eu estou fazendo é atualizar um conceito que já existe na AIP, que é ser moderna e atuante.
IMPRENSA - Como se dá a relação entre vocês e as empresas jornalísticas do Estado?
Neto - Ela é muito boa. Quando nos assumimos, visitamos todos os meios de comunicação. Nos 80 anos que está celebrando, agora, toda a mídia está nos apoiando, inclusive com anúncio. Temos um momento de confiança e queremos ser porta-voz dessa imprensa. E para festejar estes 80 anos, pensamos em algo diferente. Tinha o Enai, que há 30 anos não acontecia em Pernambuco, que nós lutamos para trazer e fazer algo sério. Em 90 dias organizamos o evento, que para uma associação que estava morta é um feito.
IMPRENSA - O que a imprensa pernambucana representa para o Brasil?
Neto - Se analisarmos, a AIP faz 80 anos... Se olharmos para toda essa história, vamos ver uma entidade que lutou no período da ditadura pela liberdade de imprensa e expressão, e isso é um marco histórico e um patrimônio cultural. Nós temos um edifício no coração do Recife, de arquitetura modernista; temos, também, profissionais que escrevem a história e precisamos harmonizar tudo isso e lutar, reforçando que não vamos aceitar nem o marco regulatório e nem uma censura.
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