"Não vai haver mudança no país pela educação, mas pela democratização da mídia", afirma Luiza Coppieters

O debate “Vozes da Educação” foi promovido pelo Jeduca durante o 1º Congresso de Jornalismo de Educação, na Universidade Anhembi Morumbi, emSão Paulo, realizado no dia 29 de junho de 2017.

Atualizado em 31/07/2017 às 09:07, por Redação Portal IMPRENSA.

foi promovido pelo durante o 1º Congresso de Jornalismo de Educação, na Universidade Anhembi Morumbi, em São Paulo, realizado no dia 29 de junho de 2017. Especialistas se reuniram para discutir o papel deles como fontes de reportagens e como eles enxergam o papel da imprensa na cobertura do tema.

Entre as pautas discutidas estão os movimentos de ocupação em instituições de ensino no Brasil que "também revelam a necessidade dos estudantes de que suas vozes sejam ouvidas”, conforme destaca para o Zero Hora escrito por Marcelo Rocha, professor da Unipampa, Crédito:Alice Vergueiro/Jeduca

Outro Marcelo Rocha, ativista e fotojornalista, que participou do movimento de ocupações em 2015, reitera essa necessidade. “Nosso desafio era criar visibilidade para a ocupação, por meio da página ‘Maria Elena Ocupada’ (referente à ocupação em Mauá da EE Professora Maria Elena Colônia), para mostrar os bastidores da ocupação, o outro lado”. Ele lembra a postura da imprensa com relação à ocupação do Centro Paula Souza, em 2016, “que só noticiava coisa ruim, se cansou da gente estudantes”, de acordo com ele.


O surgiu em 2015 durante o movimento de ocupações em São Paulo contra o fechamento de escolas pelo governador tucano de SP, Geraldo Alckmin, e se transformou, segundo Marcelo, em um canal em que “falávamos do nosso posicionamento e produzíamos conteúdo próprio, já que a imprensa não tinha questão de noticiar, mudando completamente a narrativa, distorcendo informações”.


Ele ressalta que o estudante está pronto para falar, além das representações, ter voz. Além do Canal, Marcelo atua como colaborador na Mídia Ninja, em que procura também abordar questões ligadas à educação.

Crédito:Alice Vergueiro/Jeduca

Ronaldo Tenório, assessor de imprensa da Secretaria de Educação do Estado de São Paulo, também mostra preocupação com a distorção de informações pelos jornalistas. “A pasta sente falta de entrar no debate sobre o que é educação, buscando melhorar a cobertura, que está diminuindo”. Ele questiona: “Os jornalistas conhecem as escolas? Qual a sua relação com as fontes? Quem conhece educação está no chão da escola”. Só que muitos servidores têm medo de falar com a imprensa, afirma Tenório: “Receio que as aspas coloquem em xeque um bom trabalho, a sua credibilidade”.


O ativista Marcelo rebate que essa censura vem direto da Secretaria de Educação, como aconteceu no período de ocupações. “Vi alunos sendo perseguidos quando denunciavam problemas na escola pública”. E que falta a questão da vivência (da imprensa) “com os atores da escola pública”.


Ana Elisa Siqueira, pedagoga e diretora da EMEF Amorim Lima, na zona oeste de São Paulo, lembra que o jornalismo tem que ser a favor da sociedade, e não contra. Ela questiona: “Como a mídia pode assumir o lugar da coisa pública no país? A imprensa destrói ainda mais a coisa pública, esse lugar da esperança, das possibilidades. Falta muito a visibilidade do que é público que tem qualidade, para só mostrar as mazelas”.


Uma professora que teve a coragem de assumir sua transexualidade e acabou sendo demitida após assumir sua real identidade, Luiza Coppieters, professora de filosofia e integrante do Conselho LGBT pelo segmento mulheres transexuais, passou a ser procurada como fonte para explicar questões de gênero, especialmente após o lançamento do Programa Transcidadania, em 2015, pela Prefeitura da Cidade de São Paulo. Virou até personagem de história em quadrinhos no .

Crédito:Catraca Livre

Luiza tem encontrado barreiras, junto aos jornalistas, para dar espaço a outras realidades. “Sofri transfobia, mas o jornalista comenta que as pessoas não entendem o termo, por estarem estão mais acostumadas com a homofobia. É muito complicado partir do pressuposto que não serão entendidas as diferentes violências”. Ela reforça que o jornalista constrói seu público na maneira como forma o discurso, em sua opinião.


Considerando a incapacidade da mídia de estabelecer um espaço democrático para ouvir os contraditórios, Luiza defende que não vai haver mudança no país pela educação, mas pela democratização da mídia.


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