"Não somos de direita, nem de esquerda. Somos da notícia", diz Basilia Rodrigues sobre jornalismo da CNN Brasil
Vencedora do Troféu Mulher IMPRENSA em 2018 e em 2020 na categoria Repórter de Rádio, a jornalista brasiliense Basilia Rodrigues conversou com o Portal IMPRENSA sobre sua carreira e sua adaptação ao jornalismo televisivo, onde estreou há 3 meses como repórter especial e analista política da CNN Brasil.
Atualizado em 05/05/2020 às 12:05, por
Leandro Haberli.
Formada em Jornalismo e pós-graduada em História, Sociedade e Cidadania pela UniCEUB (Centro Universitário de Brasília), Basilia conta com bom humor como foi sua estreia na TV em plena pandemia e relembra um pouco de sua experiência de 12 anos na rádio CBN, onde se destacou cobrindo política na capital federal. Crédito: Robert Alves Portal IMPRENSA - A CNN estreou em plena pandemia. Como tem sido essa experiência?
Estamos no lugar certo, na hora certa. As pessoas querem e precisam de informação. A CNN tem muita. Não somos de direita, nem de esquerda. Somos da notícia.
Portal IMPRENSA - Fale mais sobre o seu dia a dia na CNN Brasil.
Começo no Agora CNN, às 6h da manhã, com a Thaís Lopes. Depois, com Larissa Alvarenga, Gottino e Elisa Veeck no Novo Dia. Fico no ar, pelo menos, até 13h no Live, que é apresentado por Mari Palma e Philipe Siani.
Portal IMPRENSA - Já pensou em deixar de cobrir política?
Jamais. Acho que busco compreender o presidencialismo de coalizão até mesmo quando estou fazendo bolo.
Portal IMPRENSA - Já sofreu agressões e ataques nas redes? O que fez?
Sim, infelizmente os planos de internet não limitam acesso a detratores de plantão. Em resumo, pessoas odiosas também têm Wi-Fi. Na maior parte das vezes, nem respondo. Isso irrita mais do que reagir.
Portal IMPRENSA - Você nasceu em Brasília. Seu nome é uma homenagem à cidade?
Não, apesar de muita gente acreditar que sim. Minha vó paterna se chamava Basilia Rodrigues. Eu infelizmente não a conheci, mas amo esse nome. Minha família veio do Piauí para Brasília. Nós moramos na periferia da capital, em Ceilândia. A cidade fica a 30km do centro de Brasília, onde eu formei em Jornalismo e sempre trabalhei.
Portal IMPRENSA - Como e onde você começou a cobrir política?
Comecei a carreira como estagiária da rádio CBN, aos 19 anos de idade. Como todo estágio, a pauta é trânsito e crime. Mas durante a cobertura local, sempre busquei razões para o que acontecia, se havia alguma lei, regra, entendimento que fizessem o cotidiano ser o que é. E, sim, sempre há. Nem tudo é hábito. Naquela época, eu já gostava de estudar normas gerais do Direito porque havia uma pretensão em passar em concurso público. Além disso, eu participava de um projeto de pesquisa sobre comunicação pública. Ou seja, apesar de jovem, e inexperiente, eu gostava de entender assuntos difíceis, logo passei a usar isso na cobertura do governo e parlamento local, até chegar à cobertura das notícias nacionais. Para mim, o julgamento do mensalão, em 2012, foi um grande divisor de águas na minha carreira. A CBN dedicou-se a uma grande cobertura e eu era a repórter que transitava no plenário do Supremo Tribunal Federal e tinha a missão de trazer elementos novos, para além do voto a voto dos ministros.
Portal IMPRENSA - Antes da CBN, você tinha trabalhado em veículos impressos. E agora foi para a CNN, como está sendo a adaptação?
Antes da CBN, tive uma brevíssima passagem como estagiária em uma agência de texto sobre ciência, tecnologia e agronegócio. Nunca imaginei fazer rádio mas fiquei quase 12 anos lá. Estagiei, fui trainne, repórter, chefe de plantão e também apresentei programas. No rádio, a pauta é múltipla e eu sentia que precisava centrar esforços em alguns assuntos que eu gostava mais. Por isso, paralelamente à rádio, produzi para diversos veículos como o Jota, Congresso em Foco, Gazeta do Povo, TV Brasília, Correio Brasiliense e tantos outros. Isso me garantiu quilômetros rodados não só no tempo mas no conteúdo, na experiência. Agora na TV, me sinto muito à vontade, até mais do que imaginava. Me propus a não usar teleprompter (equipamento acoplado a câmera que exibe o texto), não leio nenhum dos meus comentários, eu quero pensar e falar cada vez mais, construir o pensamento junto com quem me assiste.
Portal IMPRENSA - Por que você decidiu fazer uma pós-graduação em história?
Porque busco referências para tudo o que vivo como indivíduo ou em sociedade. O mundo é cíclico. Em alguns momentos, acreditamos estar na pior das crises, mas a história nos mostra que nem tudo é o fim do mundo. Cada dia sua agonia e novos dias sempre virão.
Portal IMPRENSA - Como você avalia a retórica anti-imprensa do governo Bolsonaro?
Acho que quem não deve, não teme.





