“Não se esqueçam do futebol de várzea”, diz Diego Viñas, colunista do "Metrô News"
Caçador de histórias, Diego Viñas descreve a experiência ao longo de dois anos como colunista retratando o futebol de várzea.
Atualizado em 27/05/2014 às 13:05, por
Christh Lopes*.
Quando iniciou a carreira no jornalismo esportivo, Diego Viñas queria fugir do padrão, deixando de lado os textos engessados da mídia tradicional para criar uma identidade e estilo próprios. Após anos de treino narrando futebol de botão, formou-se jornalista e perseguiu o sonho de transmitir informações sobre o esporte através de um outro olhar. Agora, após dois anos como colunista sobre futebol no Metrô News , ele pede: “não se esqueçam do futebol de várzea”.
Crédito:Arquivo pessoal Diego Viñas virou especialista em futebol de várzea
Com passagem pelo extinto jornal Mais , do Grupo Lance!, o profissional publicou em 15 de maio de 2012 o primeiro texto que deu o pontapé inicia para uma fase fundamental em sua carreira, quando criou uma coluna sobre futebol de várzea. No total, já publicou cerca de cem histórias que retratam esse cotidiano incomum nos dias de hoje.
Na opinião de Viñas, a coluna mais marcante foi a que desencadeou o reconhecimento dos colegas do meio esportivo. “Eu entrevistei uma família inteira envolvida em time de várzea. O pai fundou o time, a mãe lavava os uniformes, o filho mais velho era diretor e o mais novo era o treinador da equipe”, conta.
Embora tenha apreço por todas as trajetórias relatadas no espaço, o jornalista destaca aquela que mexeu emocionalmente com ele. Ao entrevistar o presidente do Arco F.C, da Zona Sul, soube que ele tinha tido um AVC (acidente vascular cerebral) e, apesar de algumas sequelas, tinha se recuperado ao pisar novamente na várzea. " Juro que não consegui me segurar de emoção quando eu ouvi ele me contar isso”, relata.
Acompanhar de perto momentos de superação é o que mais atrai o jornalista na cobertura dos jogos no terrão. “É o que paga o salário, que te cativa, emociona e que dá combustível para continuar sempre". Nestes dois anos, o jornalista acredita que está mais inserido no mundo varzeano, atuando como um “mero observador e divulgador de histórias”.
Outro olhar
O jornalista começou a se interessar pelo futebol de várzea no meu trabalho de conclusão de curso, em 2007, quando produziu curta metragem “Contos de Várzea”, premiado no primeiro festival de cinema de várzea, em 2010.
"A várzea tinha sido esquecida pela imprensa. A impressão é que não se divulgava mais. Nela encontrei uma oportunidade de campo de trabalho. Pensei, ora, se ninguém está falando muito de várzea, então, eu vou falar!", comenta,
Como um caçador de talentos, ele revela que no começo a cobertura do tema foi difícil, dependendo de informações da internet que eram escassas. “A várzea é uma rede muito fechada. Algumas pessoas me ajudaram muito nisso, tanto que hoje estou praticamente 1.000% conectado com eles. Com o Facebook, eu tive uma facilidade maior para encontrar estes personagens”.
Crédito:Arquivo pessoal Jornalista fez curta sobre futebol de várzea
Para contar tais episódios, ele criou um próprio estilo, sem buscar inspiração em alguém, mas lembra com carinho de jornalistas que escreviam sobre o mesmo tema. “Realmente, o estilo de escrever do Nelson Rodrigues me inspirou, mas como todo profissional, é bom você encontrar seu próprio estilo de escrita no jornalismo”, disse Diego.
Nestes dois anos na coluna “Futebol de Várzea”, Viñas analisa esse período no Metro News . Na opinião dele, a produção de conteúdo de forma íntima se tornou mais presente tanto no conto retratado quanto na leitura feita pelo espectador. “Eu comecei mais observador, com um jornalismo mais quadrado, mas aos poucos eu venho pegando mais esse lado [pessoal], não só com o tema, mas com as histórias das pessoas”, avalia.
Diego também destaca a diferença entre a cobertura do futebol de várzea e o tradicional, que arrebata multidões. "Eu me senti um pouquinho mais distante no futebol tradicional. Até jornalisticamente falando, pois eu sempre escrevi muito para o leitor, pensando no leitor. Acho que eu não conseguiria aproximar tanto o clube de coração com seu devido torcedor".
Tendo em vista o objetivo de sempre progredir e deixar o texto com informações relevantes, o colunista diz que se pudesse faria algumas alterações em seu primeiro artigo publicado no periódico, evidenciando o fator emocional, para “prender” o leitor. “Se um tivesse feito a matéria da família hoje, talvez escreveria que fui recebido com refrigerante, pois fui mesmo, e essa intimidade alimenta muito o texto, deixa ele mais gostoso”.
Sem egoísmos, Diego destaca que gostaria de ver mais jornalistas fazendo a cobertura do futebol de várzea, para que as pessoas voltem a se interessar pelo tema. “Eu torço muito para que outros colegas de profissão não se esqueçam do futebol de várzea. Poxa, você quer concorrência? Sim, eu quero concorrência. É um local merecido de cobertura”, conclui.
Assista ao vídeo:
* Com supervisão de Vanessa Gonçalves
Crédito:Arquivo pessoal Diego Viñas virou especialista em futebol de várzea
Com passagem pelo extinto jornal Mais , do Grupo Lance!, o profissional publicou em 15 de maio de 2012 o primeiro texto que deu o pontapé inicia para uma fase fundamental em sua carreira, quando criou uma coluna sobre futebol de várzea. No total, já publicou cerca de cem histórias que retratam esse cotidiano incomum nos dias de hoje.
Na opinião de Viñas, a coluna mais marcante foi a que desencadeou o reconhecimento dos colegas do meio esportivo. “Eu entrevistei uma família inteira envolvida em time de várzea. O pai fundou o time, a mãe lavava os uniformes, o filho mais velho era diretor e o mais novo era o treinador da equipe”, conta.
Embora tenha apreço por todas as trajetórias relatadas no espaço, o jornalista destaca aquela que mexeu emocionalmente com ele. Ao entrevistar o presidente do Arco F.C, da Zona Sul, soube que ele tinha tido um AVC (acidente vascular cerebral) e, apesar de algumas sequelas, tinha se recuperado ao pisar novamente na várzea. " Juro que não consegui me segurar de emoção quando eu ouvi ele me contar isso”, relata.
Acompanhar de perto momentos de superação é o que mais atrai o jornalista na cobertura dos jogos no terrão. “É o que paga o salário, que te cativa, emociona e que dá combustível para continuar sempre". Nestes dois anos, o jornalista acredita que está mais inserido no mundo varzeano, atuando como um “mero observador e divulgador de histórias”.
Outro olhar
O jornalista começou a se interessar pelo futebol de várzea no meu trabalho de conclusão de curso, em 2007, quando produziu curta metragem “Contos de Várzea”, premiado no primeiro festival de cinema de várzea, em 2010.
"A várzea tinha sido esquecida pela imprensa. A impressão é que não se divulgava mais. Nela encontrei uma oportunidade de campo de trabalho. Pensei, ora, se ninguém está falando muito de várzea, então, eu vou falar!", comenta,
Como um caçador de talentos, ele revela que no começo a cobertura do tema foi difícil, dependendo de informações da internet que eram escassas. “A várzea é uma rede muito fechada. Algumas pessoas me ajudaram muito nisso, tanto que hoje estou praticamente 1.000% conectado com eles. Com o Facebook, eu tive uma facilidade maior para encontrar estes personagens”.
Crédito:Arquivo pessoal Jornalista fez curta sobre futebol de várzea
Para contar tais episódios, ele criou um próprio estilo, sem buscar inspiração em alguém, mas lembra com carinho de jornalistas que escreviam sobre o mesmo tema. “Realmente, o estilo de escrever do Nelson Rodrigues me inspirou, mas como todo profissional, é bom você encontrar seu próprio estilo de escrita no jornalismo”, disse Diego.
Nestes dois anos na coluna “Futebol de Várzea”, Viñas analisa esse período no Metro News . Na opinião dele, a produção de conteúdo de forma íntima se tornou mais presente tanto no conto retratado quanto na leitura feita pelo espectador. “Eu comecei mais observador, com um jornalismo mais quadrado, mas aos poucos eu venho pegando mais esse lado [pessoal], não só com o tema, mas com as histórias das pessoas”, avalia.
Diego também destaca a diferença entre a cobertura do futebol de várzea e o tradicional, que arrebata multidões. "Eu me senti um pouquinho mais distante no futebol tradicional. Até jornalisticamente falando, pois eu sempre escrevi muito para o leitor, pensando no leitor. Acho que eu não conseguiria aproximar tanto o clube de coração com seu devido torcedor".
Tendo em vista o objetivo de sempre progredir e deixar o texto com informações relevantes, o colunista diz que se pudesse faria algumas alterações em seu primeiro artigo publicado no periódico, evidenciando o fator emocional, para “prender” o leitor. “Se um tivesse feito a matéria da família hoje, talvez escreveria que fui recebido com refrigerante, pois fui mesmo, e essa intimidade alimenta muito o texto, deixa ele mais gostoso”.
Sem egoísmos, Diego destaca que gostaria de ver mais jornalistas fazendo a cobertura do futebol de várzea, para que as pessoas voltem a se interessar pelo tema. “Eu torço muito para que outros colegas de profissão não se esqueçam do futebol de várzea. Poxa, você quer concorrência? Sim, eu quero concorrência. É um local merecido de cobertura”, conclui.
Assista ao vídeo:
* Com supervisão de Vanessa Gonçalves





