“Não queremos ser um veículo”, diz co-fundadora da Pública; agência anuncia apoio da Fundação Ford

O modelo é ousado e inovador para o Brasil. Inspirada em organizações semelhantes de outros países, a Pública é uma agência independente de jornalismo investigativo sem fins lucrativos.

Atualizado em 13/01/2012 às 16:01, por Ana Ignacio.

Fundada em março de 2011, o objetivo é produzir reportagens de fôlego pautadas pelo interesse público. “A Pública é o primeiro centro independente que consegue colocar recursos, por causa de nossos apoios, em coisas mal contadas que precisam ser contadas”, define Natalia Viana, co-fundadora, coordenadora de estratégia e repórter especial da agência.


Idealizada por Natalia e Marina Amaral, coordenadora de jornalismo da Pública, a agência estava em atividade desde o início de 2011 publicando matérias próprias e conteúdo de parceiros. Este ano, a Púbica investiu na formação de equipe e pretende ampliar sua produção e fortalecer as relações com veículos e entidades de jornalismo investigativo. Já são parceiros da agência jornalistas e grupos como Andrew Jennings, Jeremy Bigwood, Bureau of Investigative Journalism, Center for Investigative Reporting, WikiLeaks entre outros.


Com o apoio da Fundação Ford, uma entidade sediada em Nova York que promove democracia e a redução da pobreza em diversos países e apóia iniciativas ligadas a direitos humanos, desenvolvimento sustentável, educação e liberdade de expressão, a Pública começa a ganhar força e valorizar sua proposta de modelo jornalístico. “Desde o começo a gente estava conversando com a Ford porque eles financiam e já investem em jornalismo investigativo. Eles entenderam que o jornalismo investigativo é fundamental pra uma sociedade caminhar. A questão de Belo Monte, por exemplo. Saíram boas reportagens sobre assunto e boas reportagens sobre Belo Monte é o único jeito de você entender o que está acontecendo. Precisa dessa figura. É restabelecer o papel do jornalismo”, explica Natalia.


Além do apoio da Ford, a Pública já anuncia o lançamento de seu novo site, previsto para entrar no ar ainda no início deste mês, e apresenta projetos para seus primeiros anos de atuação. A ideia é que nos dois primeiros anos a agência priorize – sem deixar outros temas de lado – três eixos investigativos: Copa de Mundo e Jogos Olímpicos, ditadura, tortura e direitos humanos e Amazônia.


Outra novidade é o conselho consultivo. “Como se trata de uma iniciativa pequena, a gente estava se sentindo um pouco sozinha porque o jornalismo tem muitas questões éticas e a estrutura da redação funciona. As pessoas mais experientes, os editores. A gente quer ter esse sistema de maestria, ter mestres para nos orientar, então formamos um conselho”, diz Natalia. Carlos Azevedo, Eliane Brum, Ivana Moreira, Leonardo Sakamoto, Ricardo Kotscho, Gavin MacFadyen, Giannina Segnini e Jan Rocha são os conselheiros da Pública. “Eles são grandes repórteres, interessados nesse novo momento, dispostos a arriscar com a gente, a trocar experiência com a gente e ver onde vai dar”, defina Natalia.


“Nosso site não é um veiculo fim, é um veículo meio”

A discussão pela qual o jornalismo investigativo tem passado nos últimos tempos, impulsionada nos últimos meses pelo destaque e “barulho” do WikiLeaks, leva também ao debate sobre formatos e modelos de negócio da imprensa atual. Natalia Viana e Marina Amara, fundadoras da agência, acreditam que a Púbica se insere nesse cenário e que é importante para percepção de novas possibilidades para o jornalismo.


“A gente não quer ser um veiculo. Nosso site não é um veiculo fim, é um veículo meio. Tudo que a gente coloca é como se fosse uma grande prateleira de reportagem. A gente pretende que os veículos utilizem nosso material”, explica Natalia.


Com essa filosofia, a agência pretende reunir republicadores. “Tudo que sai no nosso site qualquer veículo pode publicar. Só não pode ter edição forte. Pode ter uma adequação ao formato do veiculo e, além disso, estamos abertos para parceria”, diz.No novo site, todas as normas para republicação e parceria serão explicadas.


A expectativa da agência é que, com tudo isso, o jornalismo brasileiro ganhe um fôlego de apuração e possa unir, da melhor forma possível, novas iniciativas a projetos e empresas de comunicação tradicionais. “Nossa ideia não é competir, é complementar”, finaliza Natalia.



Leia Mais