"Não queremos ficar no gueto dos veículos alternativos", diz editor-chefe do Le Monde Diplomatique Brasil
"Não queremos ficar no gueto dos veículos alternativos", diz editor-chefe do Le Monde Diplomatique Brasil
"Não queremos ficar no gueto dos veículos alternativos", diz editor-chefe do Le Monde Diplomatique Brasil
PorA versão brasileira do jornal francês Le Monde Diplomatique nasceu em 2007. Em três anos, o jornal ganhou forte inserção no meio acadêmico, principalmente nos cursos de relações internacionais e ciências sociais. Além disso, a imagem de "jornal alternativo", característica que o Le Monde francês possui, se manteve no Brasil.
| Divulgação |
| Silvio Caccia Bava |
Apesar desse reconhecimento, o editor-chefe do Le Monde Diplomatique Brasil , Silvio Caccia Bava, garante que não tem o objetivo de ficar restrito a uma pecha de alternativo. Em entrevista ao Portal IMPRENSA, Bava fala sobre o atual desafio de tornar o jornal menos denso, o objetivo de cativar uma nova geração de leitores e sobre posicionamento político. O editor se prepara para receber em junho, na sede do jornal em São Paulo, os representantes da publicação ao redor do mundo, presente hoje em 41 países.
A ideia de trazer a publicação para o Brasil surgiu de um grupo de jornalistas que traduzia os artigos e reportagens da versão francesa. O projeto foi acolhido pelo Instituto Pólis, que desde então edita e publica o jornal homônimo.
IMPRENSA - Qual o principal alinhamento editorial do jornal?
Silvio Caccia Bava - Nosso mote é levar para a opinião publica brasileira uma análise competente do cenário internacional e da inclusão do país neste contexto: Novos paradigmas, limites de desenvolvimento e políticas públicas. Mais da metade de nosso conteúdo é de analise internacional, o restante está relacionado a temas pertinentes à realidade brasileira.
IMPRENSA - Para qual público o Le Monde é direcionado?
Bava - Nosso diálogo está direcionado para dois perfis. O de formadores de opinião - gestores públicos, professores universitários e pesquisadores. E, mais recentemente, estamos com presença também no meio diplomático. Outro público crescente é o dos jovens leitores, em função do aumento da presença do jornal nas universidades.
IMPRENSA - A versão brasileira possui posicionamento político declarado?
Silvio Caccia Bava - Não temos um alinhamento político, mas sim uma postura de se identificar com o campo político democrático popular, com foco em questões sociais, equidade e justiça social.
IMPRENSA - Pode-se qualificá-lo como um veículo alternativo?
Bava - Apesar de muitos acharem isso, nós não queremos ficar no gueto dos alternativos. Até porque temos uma tiragem de 40 mil exemplares mensais e particularmente eu não vejo nenhum outro veículo como concorrente. Nosso formato é único. Temos cerca de 60 mil leitores, muito mais do que todos os outros alternativos.
IMPRENSA - Considerando o aumento da audiência jovem, não existe uma preocupação em produzir um jornal mais leve?
Bava - Admitimos que o Diplô ainda é um jornal pesado, mas nosso diferencial é que não tratamos o factual. Nossos artigos podem ser consultados após muitos anos. Isso eu considero importante, a profundidade é levada a sério. Claro que a questão é dar equilíbrio. Outra coisa é a ilustração, zelamos por essa parte do jornal, ela é muito importante. Além disso, com diversas frentes em novas tecnologias, estamos também em meios e formatos digitais variados. Hoje nosso conteúdo está aberto e disponível no site.
IMPRENSA - Como é a questão de anúncios?
Bava - Relativa. Podemos tanto trabalhar com um projeto em formato de informe publicitário, como formatos de conteúdo, como já fizemos com o governo do Acre. Temos também um vínculo importante junto ao Conselho Latino Americano de Ciências Sociais (Clacso), que conta com o apoio do BNDES, e publicamos matérias em parceria quase todos os meses.
IMPRENSA - Vocês possuem um conselho com diversos profissionais, acadêmicos e inclusive jornalistas. Qual a relação deles com o editorial?
Bava - Sim. Temos jornalistas como o Heródoto Barbeiro e o Juca Kfouri, além de muitos outros profissionais. Na verdade não é um conselho com base em funções, mas sim em temáticas. Ele se reúne e tem muita presença nos temas do jornal. Apesar de os encontros não serem frequentes.
IMPRENSA - Quais os planos de vocês para o futuro?
Bava - Nossa ideia é se estabelecer e equilibrar nosso DNA: análise com leveza e linguagem mais acessível. Além disso, temos uma relação muito boa com os outros " Diplôs " pelo mundo. Inclusive, nos preparamos para receber em junho, virão ao Brasil vários representantes das edições internacionais. Atualmente são publicações em 41 países, somando cerca de um milhão e meio de exemplares.
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